A goleada sofrida pelo Vitória diante do Flamengo no Maracanã pode ser analisado por diferentes pontos de vista em relação ao acachapante resultado de 8 a 0 na 21ª rodada do Brasileirão. Por um lado, o rubro-negro mostrou definitivamente que está em outro patamar no futebol brasileiro e entrará em campo sempre na condição de favorito com o atual elenco de altíssimo nível rendendo com todo seu potencial diante de uma filosofia de jogo cada vez mais madura e consistente no trabalho de Filipe Luís. Por outro lado, o resultado também mostra como os treinadores da chamada “Escola Tite” estão em um momento de grande baixa no futebol brasileiro, sofrendo resultados terríveis e desempenhos ainda piores sobretudo na atual temporada.
A despedida melancólica de Fábio Carille no Vitória
O último jogo de Fábio Carille no comando do Vitória acabou mostrando uma desorganização tática considerável ampliada pela falta de qualidade técnica de um dos elencos mais limitados do Brasil. Além disso, o aspecto emocional sempre trabalhado pelo mentor de Carille também não foi observado no Maracanã, com uma desconcentração aguda rendendo dois gols sofridos contra o Flamengo em apenas quatro minutos de jogo. Com esta goelada, o Leão acabou confirmando que sua temporada ficará concentrada somente na briga contra o rebaixamento, acumulando várias eliminações precoces em Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Copa Sul-Americana.
Carille estava conduzindo um trabalho de proteger mais o Vitória defensivamente com linhas mais compactas e um estilo menos agressivo em relação ao antecessor Carpini, mas a leitura de jogo diante do Flamengo acabou sendo completamente equivocada ao improvisar Lucas Braga de forma improvisada contra Samuel Lino, permitindo que o atleta do Mengão tivesse absoluta liberdade durante o jogo inteiro. Além disso, mesmo com os retornos de Zé Marcos e Ronald, Carille acabou optando pelo jovem Wendell de somente 19 anos na posição de volante, e o garoto naturalmente demonstrou nervosismo com mais de 60 mil torcedores no Maracanã.
Vale ressaltar que além dos dois gols sofridos em menos de quatro minutos no primeiro tempo, o Vitória também sofreu três gols em um período de oito minutos durante a etapa complementar, em um verdadeiro “apagão” sob comando de Carille, que permaneceu no comando técnico do Vitória por somente nove jogos e conquistou apenas uma vitória, tendo empatado cinco. Ao todo, foram 18 gols sofridos e apenas oito marcados, com 29,6% de aproveitamento (uma média de times rebaixados historicamente). Completamente atônito em campo, o time também mostrou uma enorme fragilidade ofensiva ao finalizar somente uma vez, com 36% de posse de bola.
Cléber Xavier passou longe de ser bem sucedido no Santos

A demissão de Fábio Carille no Vitória ocorre poucos dias depois que Cléber Xavier foi demitido do comando do Santos após uma derrota vexatória por 6 a 0 diante do Vasco, com mais de 50 mil santistas presentes no estádio do Morumbi. O auxiliar de Tite jamais conseguiu implementar uma boa filosofia de jogo no Peixe, com um time extremamente espaçado e péssimo na cobertura das transições defensivas, buscando sempre criar a situação mais favorável possível para Neymar e insistir em jogadores que não conseguiram sequência positiva na temporada (sendo Tiquinho Soares o caso mais claro dentre todos).
Considerando que o próprio técnico Tite encontra dificuldade para se realocar no mercado, o momento da “Escola Tite” no futebol brasileiro está cada vez mais difícil e com menos espaço, devido à exigência dos clubes em contar com bons resultados e desempenhos ofensivos.
Imagem: AGIF