No Mundial de Clubes, ficou claro que Xabi Alonso enxerga Arda Güler como uma das peças centrais do seu projeto no Real Madrid. O treinador basco entregou ao turco cinco titularidades em seis jogos, algo que mostra uma confiança quase absoluta. Mais do que isso, mudou completamente a função do jovem de 19 anos: em vez de ficar preso ao lado direito do ataque, como Carlo Ancelotti fazia, Güler foi deslocado para o meio, recebendo a missão de comandar o time e participar mais da criação.
Carletto, por sua vez, sempre considerou o turco “leve demais” para atuar como meio-campista central, e preferiu mantê-lo aberto, explorando sua habilidade no um contra um. Mas Xabi foi ousado: deu-lhe a manija, como dizem na Espanha, colocando-o para organizar o jogo, algo que sempre foi o sonho do próprio jogador. O verão europeu passou sem que o Real buscasse reforços no setor, e a leitura era clara: Güler seria o cérebro do meio-campo, pelo menos quando o time tivesse a posse no campo rival.
O curioso é que, no início da temporada, a ideia ganhou uma nova roupagem. Ao invés de meia organizador, Güler virou um “10 clássico” no 4-2-3-1 de Alonso, atuando bem mais perto da área. Esse novo posicionamento diminuiu sua participação direta na saída de bola, mas aumentou muito sua presença no último terço, transformando-o em um mediapunta decisivo.
Gols, confiança e MVP contra o Mallorca
E os resultados não demoraram a aparecer. Contra o Mallorca, por exemplo, o turco foi o grande destaque. Marcou o gol de empate dos merengues aproveitando um passe de cabeça de Huijsen, e chegou a balançar as redes novamente ao pegar um rebote dentro da área — lance que acabou anulado por uma polêmica marcação de mão. Para muitos analistas, inclusive o ex-árbitro Iturralde González, o juiz interpretou errado a regra.
Mesmo assim, o impacto de Güler foi enorme. Saiu ovacionado do gramado ao ser substituído por Ceballos, deixando claro que caiu nas graças da torcida. Os números também reforçam isso: ele já é o quarto jogador do elenco com mais finalizações no total (sete) e o segundo em chutes no alvo (três), estatísticas que mostram seu faro de gol mesmo jogando em uma função nova.
Além disso, ele não perdeu sua visão privilegiada de jogo. No duelo contra o Oviedo, foi dele o passe que desbloqueou a defesa rival e deixou Mbappé na cara do gol para abrir o placar. Contra o Mallorca, seu desempenho foi tão marcante que rendeu o prêmio de MVP da partida, coroando um início de temporada animador para quem chegou cercado de dúvidas.
O dilema que vem por aí: Bellingham e Mastantuono
Mas a pergunta que já começa a surgir é simples: e quando Jude Bellingham voltar? O inglês, principal destaque do Real na temporada passada, ainda se recupera de lesão e deve estar de volta em outubro. Na mente de Xabi Alonso, Bellingham retoma sua função de mediapunta — exatamente onde Güler está brilhando agora. Isso significa que alguém vai ter que ceder espaço.
O debate, portanto, não será mais sobre se Güler pode ou não ser titular, mas sim sobre onde encaixá-lo. Uma das hipóteses é deslocá-lo para o lado direito, onde hoje concorre com o jovem argentino Franco Mastantuono. A outra possibilidade é alterar o esquema, formando um 4-4-2 em losango, no qual Güler seria um meia por dentro, mais próximo daquilo que ele mesmo sempre buscou.
De qualquer forma, a concorrência promete ser pesada. Se antes havia dúvidas sobre a fragilidade física do turco, agora o que pesa é justamente o contrário: ele mostrou que consegue decidir jogos e que tem qualidade para disputar uma vaga até com um craque como Bellingham. Para um garoto que passou parte da última temporada lesionado e em dúvida, o salto é gigantesco.
O presente é de Arda Güler , o futuro ainda é incerto
Por enquanto, o momento é de aproveitar. Xabi Alonso encontrou em Güler um parceiro perfeito para preencher o vazio temporário deixado por Bellingham e, ao mesmo tempo, preparar o terreno para o retorno do inglês. Quando esse dia chegar, a conversa deve mudar: quem sairá do time? Mastantuono? Algum volante? Ou o próprio Güler, apesar de tudo o que tem mostrado?
Seja como for, o torcedor do Real Madrid pode ficar tranquilo. O jovem turco já provou que tem estrela para brilhar no Bernabéu. Se antes muitos o viam como apenas uma promessa, hoje ele já aparece como protagonista em jogos grandes, um jogador capaz de desequilibrar. E o mais interessante: ele ainda tem muito espaço para evoluir.
A temporada está só começando, mas uma coisa já parece certa: Güler não será apenas o “reserva de luxo” que muitos imaginavam. Ele ganhou espaço, confiança e papel de destaque. Agora, cabe a Xabi Alonso encontrar a fórmula ideal para conciliar tantos talentos sem perder equilíbrio. Enquanto isso, os torcedores seguem entusiasmados com um jovem que, ao que tudo indica, chegou para marcar época no Real Madrid.

