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Royval x Kape no Apex simboliza os motivos para o fim do pay-per-view no UFC

O UFC Vegas 112, marcado para 13 de dezembro de 2025 no UFC Apex em Las Vegas, não é apenas o último evento do calendário da organização neste ano. A luta principal, entre Brandon Royval e Manel Kape, representa também um marco simbólico: a despedida de uma era em que o pay-per-view foi o principal motor econômico e midiático do Ultimate.

Com o início do contrato de direitos de transmissão com a Paramount em 2026, a organização caminha para um novo modelo que promete alterar profundamente a forma como o público consome MMA.

Um duelo que já nasce histórico

O confronto entre Royval e Kape carrega em si um elemento de redenção. Esta será a terceira vez que a luta é marcada, após duas tentativas frustradas ao longo de 2025 — a primeira cancelada por uma concussão de Royval e a segunda por uma fratura no pé de Kape. Agora, com ambos recuperados, o encontro finalmente acontece, coroando a rivalidade e encerrando o ano com uma disputa que impacta diretamente a elite dos moscas.

Royval chega como número três do ranking, tentando se reerguer depois de ter perdido para Joshua Van, substituto de Kape no UFC 317. Já o angolano, ex-campeão do Rizin, ocupa a sétima posição e sabe que uma vitória pode ser o empurrão definitivo para disputar o título em 2026.

Esportivamente, trata-se de um duelo de estilos agressivos, com promessa de espetáculo. Mas, no pano de fundo, a luta representa muito mais do que apenas dois homens em busca de ascensão.

O peso de ser o “último grande evento” antes da virada

A escolha do UFC em colocar essa luta como main event do último card de 2025 não é aleatória. Historicamente, a organização fecha seus anos com grandes pay-per-views, recheados de lutas de cinturão e rivalidades midiáticas. Mas desta vez, a decisão foi diferente: um evento no Apex, sem a grandiosidade de arenas lotadas, mas com significado estratégico.

Isso reflete a nova direção que o UFC vai tomar. A partir de 2026, com o contrato com a Paramount, a lógica de eventos pagos individualmente será substituída por um modelo baseado em assinatura e distribuição global de conteúdo. O pay-per-view, que foi pilar da empresa desde os anos 1990, cede espaço para a ideia de acessibilidade em larga escala.

O caso de Royval x Kape ilustra bem o momento: trata-se de uma luta de alto nível técnico e importância para os rankings, mas que não teria apelo suficiente para “vender” 500 mil compras em um formato pay-per-view. E aí está o ponto central: o mercado mudou.

Nos últimos anos, as audiências dos PPVs vinham oscilando. Fora nomes muito específicos como Conor McGregor, Jon Jones ou Israel Adesanya, poucos cards conseguiam números realmente expressivos. Paralelamente, plataformas de streaming como a própria Paramount+, ESPN+ e até concorrentes como Amazon Prime Video transformaram o modo como o público consome esportes.

No novo modelo, lutas como Royval x Kape não serão mais medidas pelo potencial de venda individual, mas sim pelo impacto que geram dentro de uma programação contínua. O que antes seria visto como “card secundário”, agora passa a ter o mesmo peso que qualquer outro evento dentro da lógica de retenção de assinantes.

Do ponto de vista dos fãs, a mudança pode ser vista como uma vitória. Afinal, o alto custo dos pay-per-views sempre foi alvo de críticas, especialmente fora dos Estados Unidos. O UFC percebeu que, para continuar crescendo globalmente, precisava tornar seu produto mais acessível e integrado a plataformas de alcance massivo.

Royval x Kape, nesse sentido, é simbólico: uma luta importante, mas não necessariamente “vendedora” no antigo modelo, se torna a cara do novo UFC, em que o valor está mais no conjunto da obra do que no hype individual de um card.

E o futuro da categoria dos moscas?

Além do aspecto midiático, o duelo também abre caminhos esportivos interessantes para 2026. Alexandre Pantoja continua como o campeão, mas vê nomes como Joshua Van — sensação do ano — e o próprio vencedor entre Royval e Kape despontarem como potenciais próximos desafiantes.

Nesse cenário, o UFC pode usar o novo modelo de transmissão para dar mais visibilidade à divisão dos moscas, historicamente subestimada em comparação aos médios e pesados. A luta em Las Vegas pode não carregar o brilho de um cinturão em jogo, mas carrega a narrativa de renovação — algo que casa perfeitamente com a transição da organização.

Assim como os lutadores em busca de um lugar definitivo no topo, a organização também se encontra em um momento de transição. A diferença é que, enquanto Royval e Kape lutam por posição no ranking, o UFC luta por algo ainda maior: redefinir o futuro da indústria do MMA.

(Foto: Divulgação/UFC)