O UFC segue movimentando a divisão dos médios, e a luta entre Caio Borralho e Nassourdine Imavov no UFC Paris surge como um marco importante para o futuro da categoria. Ambos foram chamados recentemente para atuarem como reservas da disputa de cinturão entre Dricus Du Plessis e Khamzat Chimaev no UFC 318, mas apenas Borralho aceitou o papel de substituto. Esse detalhe, por si só, já indica o quanto os dois estão próximos do topo e o quanto este confronto pode ser determinante para a próxima disputa de título.
A oportunidade que não veio — mas que mostrou o status dos dois
Quando o UFC oferece a um atleta a chance de ser reserva de uma luta de cinturão, a mensagem é clara: aquele lutador está na porta da elite e pode, a qualquer momento, ser convocado para disputar o título. Foi exatamente isso que aconteceu com Borralho e Imavov.
Caio Borralho aceitou de imediato, reforçando sua imagem de lutador pronto para qualquer cenário. O brasileiro, que vem em ascensão meteórica dentro da organização, já soma vitórias consistentes e mostrou evolução em todas as áreas do jogo. Imavov, por outro lado, preferiu não assumir o risco, mas o simples fato de ter recebido o convite já mostra que o UFC o enxerga como peça relevante na hierarquia dos médios.
Esse contexto faz com que a luta entre eles vá muito além de um simples embate entre dois atletas ranqueados: trata-se de um duelo direto por relevância, onde o vencedor provavelmente se tornará o próximo da fila pelo cinturão.
Caio Borralho: a ascensão brasileira nos médios
Borralho tem trilhado um caminho sólido e inteligente dentro do UFC. Vindo do Contender Series, o “Natural” construiu uma sequência de vitórias convincentes, misturando um jogo de chão afiado com um striking em evolução. Mais do que isso, sua postura fora do octógono — sempre disposto a lutar e aceitar desafios — reforça a imagem de confiabilidade junto ao UFC.
Aceitar ser reserva da luta entre Du Plessis e Chimaev foi um recado claro: Borralho quer estar no radar imediato da disputa de título, mesmo sabendo que, na prática, as chances de entrar no octógono como substituto eram pequenas.
Contra Imavov, ele defende uma longa sequência de vitórias. Ele ainda não perdeu no UFC desde a sua chegada, e venceu nomes como Jared Cannonier, Paul Craig e Abus Magomedov. Fora de ação há pouco menos de um ano, a luta contra o francês será a maior de sua carreira, e pode ser decisiva para pavimentar o caminho até Chimaev.
Imavov: talento consolidado e provado
Do outro lado, Nassourdine Imavov, francês de origem daguestani, é outro nome que há tempos ronda o topo dos médios. Com um estilo versátil, capaz de controlar a distância e usar a precisão do striking, ele já se consolidou como um dos lutadores mais perigosos da divisão.
Ainda assim, muitos falavam que ele ainda não havia passado por um grande teste desde que chegou no UFC. Isso acabou neste ano, quando o francês bateu, por nocaute, Israel Adesanya na luta principal do UFC Arábia Saudita, em fevereiro. Desde então, Imavov vem pedindo um confronto pelo título, mas Chimaev passou na sua frente.
Contra Borralho, Imavov tenta provar que merece a disputa, e finalmente conseguir encarar o campeão com uma vitória.
A divisão dos médios e a fila pelo título
Com Chimaev aguardando o seu primeiro adversário pelo cinturão, teremos algumas narrativas prontas. Borralho e Imavov estão certos de que podem ser esse desafiante com uma vitória na luta principal do UFC Paris,, enquanto Du Plessis quer uma revanche direta, mesmo tendo sido completamente dominado no confronto principal do UFC 318.
De qualquer forma, o UFC precisará de um novo desafiante em 2026. E é justamente aí que Borralho x Imavov ganha importância. A luta é, muito provavelmente, um title eliminator disfarçado: o vencedor se credencia como opção natural para disputar o cinturão,.
Além da questão esportiva, a luta representa um choque de estilos e trajetórias. Borralho traz a narrativa do lutador brasileiro resiliente, que aproveita cada chance para mostrar evolução. Imavov, por sua vez, carrega a expectativa francesa de finalmente ter um campeão no peso médio — algo que aumentaria ainda mais o alcance do UFC na Europa.
Essa mistura de histórias pessoais com a importância esportiva transforma Borralho x Imavov em uma luta com peso de decisão, mesmo sem o cinturão em jogo.
Seja qual for o vencedor, tudo indica que ele sairá do octógono não apenas com uma vitória no cartel, mas também com o passaporte carimbado para a próxima disputa de cinturão.
No fim das contas, a história de que foram chamados como reservas do duelo entre Du Plessis e Chimaev já dizia tudo: eles estão a um passo do título. E esse passo será dado em conjunto, mas só um seguirá adiante rumo à glória máxima dos médios.
(Foto: Divulgação/UFC)