Aurélien Tchouaméni é outro jogador desde a chegada de Xabi Alonso ao banco do Real Madrid. O francês, que chegou do Monaco com status de joia, hoje parece finalmente ter encontrado o contexto ideal para brilhar. “É um pilar fundamental do time, pelo seu peso e pelos diferentes papéis que pode desempenhar. Na posição dele, precisa tomar pequenas decisões o tempo todo para ajudar toda a equipe”, destacou o próprio Xabi, que vê no pupilo um motor silencioso, capaz de dar ritmo ao time sem perder a solidez defensiva.
Os números confirmam a impressão. Tchouaméni é o segundo jogador de toda LaLiga que mais bolas recupera por jogo (sete) e o décimo com maior taxa de acerto nos passes (92,3%). Essa versão “premium” se estendeu à seleção francesa. No triunfo por 2 a 0 sobre a Ucrânia, ele foi o jogador dos Bleus que mais desarmes fez (seis), o segundo que mais passes completou e ainda criou duas chances claras, incluindo a assistência para Mbappé fechar o placar. “Era importante não sofrer gols. Sabemos que, com o ataque que temos, as chances de vencer aumentam. Estávamos muito motivados para começar bem a classificação”, disse após a partida.
De alvo de críticas a dono do meio-campo
Não faz muito tempo, Tchouaméni era alvo de dúvidas. Em março, o ex-jogador Jean-Michel Larqué chegou a ironizar que o meio formado por Tchouaméni, Rabiot e Guendouzi parecia “de divisão distrital”. O madridista não fugiu das críticas. “Há uma diferença entre ouvir as críticas e escutá-las”, respondeu com ironia, lembrando na sua conta do Instagram: “Da Divisão Distrital para a Final Four” da Nations League. Hoje, ele transformou desconfiança em elogios.
L’Équipe, por exemplo, deu-lhe a maior nota na vitória sobre a Ucrânia (8/10), descrevendo um jogador “sempre sólido”, com desarmes valiosos e uma abertura perfeita para dar o segundo gol a Mbappé. As análises são unânimes: o francês encontrou consistência e maturidade para ser referência tanto no Real Madrid quanto na seleção.
Uma nova dupla para animar a França
Se no Real Madrid Tchouaméni é o termômetro do meio-campo, na França ele agora se entrosa com Manu Koné, formando uma dupla que entusiasma torcedores e especialistas. “Nos sentimos compatíveis, nos apoiamos mutuamente, é fácil jogar com ele”, contou Koné. “Tchouaméni foca mais nos passes longos e no controle do ritmo. Manu prefere jogar sob pressão, não tem medo. Os dois se completam à perfeição”, resumiu o atacante Alassane Pléa.
Didier Deschamps, claro, está satisfeito. “A dupla Koné-Tchouaméni funcionou muito bem. Nos deu um bom equilíbrio defensivo”, comemorou o técnico. Benoît Pedretti, ex-internacional francês, reforça: “Na hora de equilibrar, Tchouaméni possui um talento único. Ele tem um desejo constante de cobrir qualquer possível desequilíbrio na defesa”.
Tchouaméni: do anonimato à liderança silenciosa
Xabi Alonso parece ter dado a Tchouaméni o que faltava: confiança para assumir diferentes funções no meio. Ele tanto pode ser o primeiro homem à frente da zaga quanto se soltar para chegar mais perto da área adversária. Mais do que isso, o jovem francês entendeu que seu jogo não precisa de holofotes para ser decisivo. Ele dita o ritmo, fecha espaços, protege a defesa e ainda participa da construção ofensiva — uma espécie de maestro invisível.
Se antes havia dúvidas sobre seu encaixe no Real Madrid e na França, agora Tchouaméni se consolida como um jogador indispensável. A crítica virou aplauso, e os números confirmam: poucos na Europa unem tanta leitura tática, precisão e capacidade de recuperação de bola. Com apenas 24 anos, ele já é peça-chave em dois dos maiores elencos do planeta.
No Bernabéu, ninguém se surpreende mais. Xabi Alonso chegou, mexeu no tabuleiro e fez de Tchouaméni um líder silencioso. Para o Real Madrid e para a seleção francesa, trata-se de ouro puro: um meio-campista moderno, capaz de equilibrar tudo sem perder a elegância.