Tendo somente o Brasileirão até o fim do ano em uma temporada frustrante, o Botafogo ainda não está de “férias” e precisa lutar pela vaga na próxima Conmebol Libertadores para justificar todo o investimento feito no elenco (sobretudo no segundo semestre). O torcedor esperava uma resposta contundente após a eliminação nas quartas de final da Copa do Brasil contra o Vasco em pleno Estádio Nilton Santos, mas o desempenho assustador diante do São Paulo no Morumbis mostra que o clube está precisando retomar seu foco e impedir que o clima de “fim de temporada” tome conta do elenco e principalmente da comissão técnica de forma generalizada.
Davide Ancelotti mudou tudo de novo e o Botafogo se perdeu
Os problemas começaram pelas decisões de Davide Ancelotti antes da bola rolar ao optar por uma escalação praticamente 100% diferente em relação ao jogo decisivo diante do Vasco; apenas Neto, Kaio Pantaleão, Newton e Jeffinho estiveram na titularidade por dois jogos consecutivos, optando por deixar nomes como Alex Telles, Marlon Freitas e Alexander Barboza no banco de reservas. Além disso, o fato de ter escalado três volantes e optado por 4-2-3-1 (Danilo na ponta pela direita; Savarino centralizado e Jeffinho pela esquerda) deu um recado à Hernan Crespo de que o São Paulo teria mais posse de bola durante toda a partida. Em entrevista coletiva, o técnico do Fogão disse que Álvaro Montoro ainda estava passando por problemas gastrointestinais e Santi Rodríguez estava gripado, informações que não foram confirmadas pela imprensa que cobre o cotidiano.
Com a bola rolando, o São Paulo precisou de somente seis minutos para quebrar a defesa montada pelo Botafogo graças aos erros de Vitinho e Newton permitindo a liberdade de Enzo Díaz até o cruzamento para Dinenno, que surgiu na grande área entre David Ricardo e Kaio Pantaleão e contou com a saída errada de Neto (extremamente hesitado na saída) para marcar seu primeiro gol em 2025. Este foi o único gol da partida, mas o Tricolor Paulista poderia ter construída uma vitória com placar extremamente amplo no Morumbis considerando o abismo entre os dois clubes no atual momento da temporada.
Danilo passou a atuar mais por dentro ainda no primeiro tempo invertendo posição com Savarino, mas o Botafogo sofreu completamente com a marcação bem ajustada montada pelo adversário. Sem conseguir achar espaços, o Fogão foi para os vestiários sem finalizar nenhuma vez, sinal de uma equipe tão inoperante que fez Davide Ancelotti fazer alterações durante o intervalo pela 1ª vez desde que virou técnico de futebol.
Joaquín Correa e Matheus Martins causaram um curto impacto positivo no início do 2º tempo, mas a primeira finalização do Botafogo veio somente com 60 minutos de jogo com Matheus levando um perigo considerável no chute após desvio de Danilo. Marçal deixou o campo após ceder vários e vários espaços para os adversários, mas as entradas de Cuiabano e Marlon Freitas deixaram o Botafogo novamente exposto, permitindo muitos contra-ataques para o São Paulo.
Botafogo não é mais favorito ao G-6 e deve ficar sem Copa do Brasil
A postura passiva durante o primeiro tempo do Botafogo relembrou a péssima jornada do segundo semestre de 2023, quando problemas emocionais impactaram o desempenho do time após o fim da passagem de Luís Castro. Mesmo com vasto currículo teórico, Davide Ancelotti está falhando em seu primeiro desafio na carreira e utilizando o atual campeão da Libertadores e do Brasileirão como laboratório para o seu provável futuro na Europa. Sem descanso, o alvinegro terá duelos diante de Mirassol e Atlético-MG nesta semana e entrará em campo sem o favoritismo em ambos, pois o torcedor deu sinal de desgaste e certamente teremos Nilton Santos vazio para os dois jogos.
Imagem: Vitor Silva