Quando o Arsenal foi atropelado por 6 a 3 pelo Manchester City em 2013, parecia que os Gunners jamais conseguiriam competir de igual para igual com os gigantes de Manchester. Durante anos, o time londrino acumulou vexames em confrontos diretos, virou alvo fácil de piadas nas redes sociais e consolidou a imagem de coadjuvante em jogos grandes.
Mas os tempos mudaram. Neste domingo, pela Premier League, o Arsenal chega para enfrentar o City não apenas como candidato real à vitória, mas como favorito — algo impensável há uma década.
A reconstrução de Arteta
O ponto de virada começou com a chegada de Mikel Arteta. Ex-assistente de Pep Guardiola, o espanhol assumiu em meio à descrença, mas impôs disciplina tática, reforçou a mentalidade vencedora e construiu uma equipe equilibrada, que não depende mais de lampejos individuais. A solidez defensiva, com William Saliba e Gabriel Magalhães no comando, transformou a retaguarda de um ponto frágil em uma das mais consistentes da liga.
Se antes o Arsenal sucumbia sob pressão, hoje consegue controlar jogos grandes. A goleada contra o próprio City na temporada passada foi simbólica e mostrou que os Gunners deixaram de ser vítimas anunciadas.
Outro fator que pesa a favor do Arsenal é a profundidade ofensiva. Bukayo Saka vive o auge da carreira, Gabriel Martinelli acrescenta mobilidade e pressão na saída rival, e Martin Ødegaard orquestra o meio com uma visão de jogo refinada. Além disso, a chegada de jogadores como Viktor Gyokeres e Martin Zubimendi trouxeram força física e qualidade na transição, além de um artilheiro em ótima fase.
O City, por sua vez, depende em excesso de Haaland para definir partidas. Quando o norueguês não está em seu melhor dia, a engrenagem parece menos letal. O Arsenal, ao contrário, apresenta múltiplas alternativas: pode vencer pelo jogo apoiado, pela bola longa ou em jogadas de pressão alta.
O City em turbulência
Não se pode ignorar também o momento do Manchester City. Mesmo com Guardiola no comando, a equipe mostra oscilações que não eram comuns em temporadas anteriores. O desgaste físico de alguns titulares, a instabilidade defensiva em plena forma e as dificuldades para encontrar substitutos à altura para peças que saíram deixaram o time menos previsível, mas também menos dominante.
Enquanto isso, o Arsenal chega com confiança. Os números recentes apontam que o time londrino tem a melhor defesa da Premier League, sofreu poucos gols em jogos fora de casa e, sobretudo, parece ter superado o trauma psicológico de enfrentar os atuais campeões ingleses.
O contraste não poderia ser maior. O mesmo Arsenal que em 2013 apanhava sem resistência agora olha o City nos olhos. Não se trata apenas de um amadurecimento coletivo, mas também de um cenário que reforça a tese de que os Gunners entram como favoritos no domingo.
Historicamente, os confrontos mostravam um City dominante, capaz de golear em sequência e empilhar recordes. Mas hoje, é o Arsenal quem dita o ritmo em muitos jogos, controlando posse, pressionando alto e apresentando alternativas que tornam o duelo mais equilibrado. Se antes a pergunta era quantos gols o City faria, agora a dúvida é se os comandados de Guardiola terão força suficiente para resistir.
O que está em jogo
Mais do que três pontos, o duelo no Emirates Stadium pode redefinir o rumo da temporada. Uma vitória do Arsenal consolidaria a equipe como principal candidata ao título, quebrando de vez a aura de invencibilidade do City em jogos grandes. Para Guardiola, perder em casa para o pupilo Arteta seria mais do que um tropeço: seria admitir que o domínio absoluto dos últimos anos começa a ser desafiado de forma real.
No fim das contas, o favoritismo do Arsenal não vem apenas da tabela ou da fase atual, mas de uma transformação estrutural que levou anos para ser construída. A goleada de 6 a 3 em 2013 pertence a um passado de fragilidade. O presente mostra um Arsenal pronto, forte mentalmente e tecnicamente preparado para disputar o trono da Premier League.
No próximo domingo, o jogo pode até terminar em qualquer resultado — afinal, trata-se de duas das melhores equipes do mundo. Mas pela primeira vez em muito tempo, é o Manchester City quem entra com a sensação de que terá de se defender diante de um Arsenal que já não se contenta em ser coadjuvante.
(Foto: John Walton/PA)



