Neste sábado, no Allianz Parque, o Palmeiras venceu o Fortaleza por 4 a 1 em mais uma rodada do Campeonato Brasileiro, e quem roubou os holofotes foi Andreas Pereira. O meia entrou no segundo tempo, marcou dois belos gols, desencantou com a camisa alviverde e entregou uma atuação que já começa a virar referencial para a adaptação dele dentro do elenco de Abel Ferreira.
Foi noite de redenção, mas também de afirmação do que se espera que seja o papel dele nesta reta final do Brasileirão e na Libertadores.
O jogo, o momento de entrada e a virada
Andreas Pereira não começou jogando. No primeiro tempo, o Verdão escalou uma equipe mais alternativa, poupando parte do time pensando na Libertadores, o que abriu espaço para sustos do Fortaleza. Aos 10 minutos, Raphael Veiga converteu pênalti e colocou o Palmeiras na frente; mas o Fortaleza empatou com Lucas Crispim aos 23, aproveitando bem uma falha defensiva.
Na volta do intervalo, Abel Ferreira fez ajustes e Andreas foi para o jogo aos 29 minutos do segundo tempo, com o Palmeiras vencendo por 2 a 1. Nesse momento, o time precisava retomar controle, presença ofensiva, sustentar pressão e criar chances claras. Foi aí que o meia entrou não só para compor, mas para decidir.
Em 19 minutos em campo, Andreas desequilibrou: dois chutes, dois gols. O primeiro saiu aos 36, após ótimo passe de Felipe Anderson — recebeu na entrada da área, dominou e bateu com categoria. O segundo veio aos 43, de primeira, cruzado, depois de uma jogada bem trabalhada que sobrou para ele. Ambos os gols mostraram frieza, leitura de espaço e execução técnica — qualidades que estavam em cheque desde sua chegada.
Momento psicológico muda para Andreas
Para Andreas, além de marcar os primeiros gols pelo Verdão, foi importante do ponto de vista psicológico: ele vinha de um período sem balançar as redes em 2025 (o último gol dele havia sido no Fulham, em dezembro), e a cobrança natural para um jogador da sua origem sempre será grande. Ver seus gols foram belos e vieram em momentos que ditaram controle total sobre a partida.
Ele também comentou o reencontro com Deyverson, atacante do Fortaleza que em 2021 fez o gol decisivo da Libertadores após desarme dele quando defendia o Flamengo. Andreas tratou com maturidade: disse que já conversou sobre o tema, que é “encontro de profissionais” e que quer “escrever sua história no Palmeiras.” Demonstrou que esse tipo de pressão ou história pessoal não vai atrapalhar seu foco.
Abel Ferreira fez uso estratégico do elenco, começando com reservas ou jogadores fora do time ideal, e ajustou no segundo tempo. A entrada de Andreas foi uma dessas mudanças que deram resultado imediato. Ele trouxe dinâmica ofensiva, abriu campo, ajudou a ampliar diferença, e permitiu que o Palmeiras administrasse a partida no fim com tranquilidade.
Para o Verdão, a vitória significou subir à vice-liderança do Brasileirão, reforçando a disputa pelo título. Também foi uma injeção de confiança para partidas mais importantes à frente, especialmente na Libertadores. Se Andreas mantiver esse ritmo, pode se firmar como peça importante para os momentos decisivos, justamente pelo tipo de gol que faz: de fora da área, com precisão, surpreendendo adversários desprevenidos.
O meia não só “desencantou” pelo Verdão, como mostrou que pode vir a ser arma importante no elenco nos momentos de pressão. Abel Ferreira ganha ali uma peça que pode entrar do banco ou começar jogando, dependendo do adversário, com promessa de impacto.
Se ele mantiver o nível exibido contra o Fortaleza — criatividade, ousadia nos chutes de longe, eficiência —, Andreas pode deixar de ser apenas uma aposta de mercado recente e virar referência para os confrontos decisivos. Essa atuação, com certeza, ficará marcada como a da virada pessoal de 2025 para ele no clube.
(Foto: César Greco/Palmeiras)