Mateusz Gamrot
Lutas UFC

Conheça mais sobre Mateusz Gamrot, adversário de Charles Oliveira no UFC Rio

O UFC Rio promete ser uma das noites mais intensas do calendário do UFC para o público brasileiro em 2025, e a presença de Charles Oliveira no main event adiciona um tempero especial para o público brasileiro. Mas, desta vez, o ex-campeão peso-leve terá pela frente um adversário duro, estratégico e que vem em ascensão no cenário internacional: o polonês Mateusz “Gamer” Gamrot.

Gamrot é um nome que mistura experiência, técnica e resiliência. Para quem ainda não o conhece em detalhes, vale compreender quem é esse lutador e por que ele representa uma ameaça real ao sonho de Charles de voltar ao topo.

Conheça Mateusz Gamrot

Mateusz Gamrot nasceu em 11 de dezembro de 1990, em Bielsko-Biała, na Polônia, e desde cedo esteve ligado ao esporte. Seu caminho inicial foi o wrestling, modalidade em que construiu bases sólidas e competitividade. Ele integrou seleções nacionais nas categorias de base, participou de torneios internacionais e desenvolveu um estilo agressivo, marcado pela transição constante entre ataque e defesa.

Essa formação foi decisiva para sua posterior entrada no MMA. Sua carreira profissional começou no circuito europeu, com destaque para o KSW (Konfrontacja Sztuk Walki), principal organização de MMA da Polônia. Ali, Gamrot não apenas brilhou, como se tornou uma das grandes estrelas locais. Foi campeão em duas categorias, peso-pena e peso-leve, mostrando sua versatilidade e adaptabilidade.

O sucesso no KSW o projetou como um dos nomes mais promissores do continente e chamou a atenção do UFC. Além disso, Gamrot ainda teve passagens por eventos como o Rizin, no Japão, acumulando bagagem internacional antes de dar o salto definitivo para a maior organização de MMA do mundo.

A carreira no UFC

Sua estreia no UFC aconteceu em 2020, contra Guram Kutateladze. Apesar de uma boa atuação, ele acabou derrotado por decisão dividida, num resultado contestado por parte dos fãs e analistas. A derrota não abalou o polonês, que respondeu de forma imediata: emplacou uma sequência de vitórias expressivas sobre nomes como Rafael Fiziev, Jeremy Stephens e Arman Tsarukyan. Com isso, consolidou-se no ranking dos leves, uma das divisões mais competitivas da organização.

Ao longo do tempo, Gamrot também enfrentou desafios de alto nível, incluindo derrotas competitivas contra Beneil Dariush e Dan Hooker. Ainda assim, sempre manteve a imagem de um lutador difícil de ser batido, capaz de levar qualquer rival ao limite.

Hoje, Gamrot tem um cartel de 25 vitórias, 3 derrotas e 1 “no contest”, números que reforçam sua consistência. Suas vitórias se dividem em 8 nocautes, 5 finalizações e 12 por decisão, o que demonstra equilíbrio entre capacidade de finalização e resistência para lutar 15 ou 25 minutos. Ele ocupa atualmente posição de destaque no ranking peso-leve e chega ao UFC Rio embalado por uma vitória sobre Ľudovít Klein em maio, resultado que marcou seu retorno após meses afastado.

O estilo de luta de Gamrot

O apelido “Gamer” não é apenas uma marca, mas também uma metáfora para sua abordagem tática: Gamrot joga “o jogo” do MMA como poucos. Seu background no wrestling lhe garante quedas de alto nível e controle posicional, mas ele também é faixa preta de jiu-jítsu, o que o torna perigoso no chão, seja por cima ou por baixo. Além disso, sua trocação evoluiu muito nos últimos anos.

Embora não seja conhecido como nocauteador explosivo, Gamrot usa bem o boxe, os chutes baixos e médios, e principalmente a pressão para encurtar a distância. Sua envergadura, combinada com movimentação constante, o permite ditar o ritmo contra adversários menos móveis.

Entre seus pontos fortes estão o cardio privilegiado, que lhe permite manter ritmo alto durante cinco rounds, a mistura de wrestling e finalizações, alternando quedas, transições e controle para cansar os adversários, e a resiliência mental, que o mantém competitivo mesmo após derrotas duras. Por outro lado, suas vulnerabilidades aparecem contra adversários que conseguem neutralizar sua pressão.

Em lutas de trocação franca, Gamrot nem sempre tem poder de nocaute suficiente para frear rivais perigosos, algo que pode pesar contra Charles Oliveira, que possui combinações afiadas e muito mais contundência nas mãos e chutes.

O que esperar de Charles x Gamrot?

O duelo contra Charles Oliveira no UFC Rio será um choque de estilos fascinante. Oliveira é um dos maiores finalizadores da história do UFC, com recordes de submissões, mas também se reinventou como striker de alto nível nos últimos anos. Para ter sucesso, Gamrot precisará pressionar desde o início, evitando que Charles encontre ritmo na trocação, misturar quedas com clinch, sem dar brechas para o jiu-jítsu afiado do brasileiro, e impor volume e resistência, forçando o combate a se alongar, onde seu gás pode fazer diferença. Já para o brasileiro, a chave será manter a luta em pé e usar sua agressividade ofensiva para encurtar o tempo de exposição a quedas e transições perigosas.

O resultado desse combate pode redesenhar a disputa no peso-leve. Se Charles vencer, fortalece sua posição para lutar novamente pelo cinturão. Se Gamrot surpreender e triunfar em pleno Rio de Janeiro, passa a ser visto não apenas como um top 10, mas como um real candidato ao título. Além disso, a luta simboliza o choque entre dois estilos de escolas diferentes: o brasileiro do jiu-jítsu contra o polonês do wrestling europeu. É, portanto, um duelo que transcende rankings, representando também a diversidade técnica que torna o MMA tão fascinante.

(Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC)