Rodri City
Futebol Premier League UEFA Champions League

Rodri consolida retorno em alto nível no Manchester City após grave lesão

O último ano da trajetória de Rodri no Manchester City foi, sem dúvida, o mais singular e desafiador de toda a sua carreira. É um paradoxo difícil de conciliar: conquistar a Bola de Ouro, o prêmio mais desejado por qualquer jogador, e, ao mesmo tempo, ficar impossibilitado de celebrá-lo dentro de campo por causa da lesão mais severa que um atleta pode enfrentar. Porém, 365 dias depois, o meia espanhol voltou a ser o motor regular e confiável dos Citizens, agora com a meta clara de devolver ao clube o domínio da Premier League, após ficar em terceiro lugar na última temporada, atrás de Liverpool e Arsenal.

É curioso como o ciclo se fechou: no dia 22 de setembro de 2024, o estalo no joelho e o boletim oficial divulgado três dias depois mergulharam o Etihad em silêncio. Já no último domingo, contra o Arsenal, Rodri completou 90 minutos pela primeira vez desde o seu retorno, que aconteceu em maio diante do Bournemouth. Coincidentemente, naquela mesma partida, o City se despedia de uma lenda viva, Kevin De Bruyne. Ainda assim, o que ficou marcado foi a estrondosa ovação ao volante, sinal de alívio para uma torcida que havia atravessado a temporada mais turbulenta da era Guardiola,  um ano em que sua ausência se tornou um divisor de águas.

O técnico Pep Guardiola tentou de todas as formas suprir sua falta. Recou Kovacic, improvisou Stones no meio e até buscou em Nico González uma espécie de substituto natural. Mas nenhum desses ajustes surtiu efeito. O resultado foi a pior campanha do Manchester City na Premier League sob o comando do espanhol, a eliminação mais precoce da Champions League desde sua chegada contra o Real Madrid nos playoffs, a queda ainda na quarta fase da Copa da Liga Inglesa, diante do Tottenham e, para completar, a derrota na final da Copa da Inglaterra para o Crystal Palace.

No meio disso, veio também a pior sequência da carreira de Guardiola: 1 vitória, 3 empates e 9 derrotas consecutivas. O diagnóstico era claro — a lesão de Rodri contaminou o City como uma doença crônica, e apenas com sua volta o time começou a se recompor gradualmente.”Na última temporada, tivemos que lutar muito só para garantir vaga na Champions, e isso já foi como um título. Tenho certeza de que esse esforço servirá de lição e trará benefícios no futuro. Agora, esperamos que seja diferente”, afirmou Rodri recentemente.

De fato, a volta aos gramados no Manchester City não significa apenas receber alta médica, mas recuperar a competitividade em alto nível. E o espanhol já começa a se mostrar novamente essencial: nesta temporada, apenas cinco atletas acumularam mais minutos em campo do que ele. “Todos sabemos o impacto gigantesco que ele tem e o quanto sua presença nos dá segurança. É ótimo ver que ele está se aproximando da sua melhor forma”, disse o zagueiro Rúben Dias após a vitória contra o Arsenal.

Não é por acaso. Ainda em busca do ritmo ideal, Guardiola sabe que reencontrou sua bússola. E os números reforçam isso: Rodri é o segundo em intervenções (357), o segundo em passes certos (289), o primeiro em passes progressivos (33), líder em bolas para o terço final (28) e também em recuperações (26). Sua simples presença reorganiza toda a engrenagem coletiva: Reijnders voltou a render, Foden reencontrou espaço, Doku está solto e ousado, e Haaland voltou a marcar com regularidade.

Tudo isso sustentado pela segurança do espanhol na base da equipe do Manchester City. No entanto, Rodri ainda está distante da versão que o levou à Bola de Ouro em 2024, quando toda a atenção parecia destinada a Vinicius Jr., que era o favorito ao prêmio de melhor do mundo, mas sua recuperação completa parece apenas uma questão de tempo.

Foto: Getty Images

Rodri recupera protagonismo no Manchester City e consolida retorno após grave lesão

Depois de meses de incerteza, o volante Rodri parece pronto para transformar seu retorno em mais do que um simples símbolo. A grave ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho direito o manteve afastado por quase oito meses, um período em que o Manchester City perdeu consistência, competitividade e até identidade. Agora, o processo é de reerguimento e ele começa a mostrar que pode voltar ao topo nesta temporada.

Foto: AFP/Getty Images

Reintegração cuidadosa sob Guardiola

A volta de Rodri ao Manchester City foi planejada passo a passo. Pep Guardiola deixou claro que a prioridade era evitar recaídas, dosando treinos e tempo em campo para não comprometer o futuro. “O joelho está em perfeitas condições, mas não podemos acelerar nada. O retorno precisa ser gradual”, afirmou o técnico em entrevista recente. Essa cautela ficou evidente em suas primeiras convocações: mesmo relacionado, o volante chegou a permanecer no banco sem entrar, apenas para simbolizar avanço no processo de recuperação.

Rendimento em reconstrução

Nos treinos, já surgem sinais da velha forma: intensidade nos duelos, qualidade nos passes e liderança natural. A questão agora é recuperar confiança plena e entrosamento coletivo. O próprio Rodri sabe que não pode carregar a equipe do Manchester City sozinho. “Não sou Messi, não posso simplesmente voltar e resolver tudo sozinho. Precisamos do grupo para vencer”, comentou, reforçando o caráter coletivo que sempre guiou o futebol dos Citzens.

Expectativas para a temporada

Com a Premier League e as competições europeias batendo à porta, o retorno do espanhol é uma das maiores armas do Manchester City para retomar a hegemonia. Mas, ao mesmo tempo, a comissão técnica mantém o discurso de prudência: a meta é reintroduzi-lo gradualmente, sem pressa, para que volte a sustentar o time no mais alto nível sem comprometer sua saúde.

As próximas semanas serão determinantes para o meio-campista nesta temporada. Se conseguir aliar condição física plena ao talento inquestionável, Rodri voltará a ser não apenas peça-chave, mas também um dos grandes diferenciais do futebol mundial. Por ora, o City comemora ter sua bússola de volta e o próprio jogador celebra a chance de reescrever, em campo, o capítulo mais difícil de sua carreira.

(Foto: AFP/Getty Images)