Joe Rogan acredita que Vitor Belfort foi o “fdp mais assustador” vivo em 2013. O Fenômeno nocauteou Michael Bisping, Luke Rockhold e Dan Henderson no mesmo ano.
Nessas três lutas, Vitor Belfort, legalmente, mas de forma controversa, passou por terapia de reposição de testosterona [TRT].
Belfort parecia melhor do que nunca até a TRT ser proibida, em fevereiro de 2014, apenas três meses antes de sua derrota no primeiro round pelo título dos médios para Chris Weidman.
Vitor Belfort foi símbolo do poder do TRT
Entre 2007 e 2013, com as comissões atléticas caçando o uso de esteróides de forma veemente, uma brecha chamada TRT se abriu, e vários lutadores renomados começaram a explorá-la.
Vitor Belfort foi o mais famoso de todos devido ao impacto insano que isso parecia ter em suas performances dentro do octógono. “Ele é um estudo de caso interessante”, disse Rogan sobre Belfort.
“Primeiramente, um pioneiro, certo? Lutou pela primeira vez no UFC aos 19 anos, passou e venceu o torneio aos 19, o que é incrível.”, seguiu o apresentador e comentarista.
“E então pudemos vê-lo sair da dieta, e seu corpo meio que desapareceu. E então trouxeram de volta a reposição de testosterona. Quando a reposição de testosterona surgiu, de repente, era o Vitor do TRT e ele era o cara mais assustador por umas cinco lutas, ou sei lá o que, antes de acabarem com a isenção do TRT.”, explicou.
“Aí tudo acabou para ele. Tipo, isso deveria ser um comercial para reposição de testosterona.”, concluiu Joe Rogan.
O Fenômeno fez jus ao apelido durante o período em que o tratamento de TRT foi liberado. De 2007 a 2013, Belfort fez 12 lutas, vencendo 10 delas, sendo nove pela via rápida (perdeu apenas para Anderson Silva e Jon Jones).
Fora deste período, Vitor Belfort disputou 22 combates antes disso com um cartel bem mais modesto de 14-8. E, depois do período do TRT, a situação piora ainda mais, com o brasileiro tendo um recorde ruim de 2-4-1.
Como teria sido a carreira de Vitor Belfort sem o TRT?
Vitor Belfort é, sem dúvida, um dos nomes mais emblemáticos da história do MMA. Com um estilo explosivo e um início de carreira meteórico, o “Fenômeno” marcou época com nocautes rápidos e uma presença marcante no octógono.
Entretanto, se voltarmos ao contexto pré-TRT, Belfort tinha uma carreira sólida, porém irregular, com altos impressionantes e baixos consideráveis. Após iniciar muito jovem e conquistar o UFC 12 com apenas 19 anos, ele teve dificuldades para manter consistência ao longo dos anos 2000, sofrendo derrotas contra grandes nomes como Randy Couture, Chuck Liddell, Tito Ortiz e Alistair Overeem. Seu talento era inegável, mas a constância era um problema.
Após o fim do TRT, Belfort nunca mais foi o mesmo. Ele se mostrou um lutador visivelmente mais lento, menos resistente a golpes e com dificuldades físicas evidentes. Derrotas contundentes para Chris Weidman, Ronaldo Jacaré, Gegard Mousasi e Lyoto Machida demonstraram uma queda acentuada de rendimento.

Mesmo as vitórias sobre Dan Henderson (já envelhecido) e Nate Marquardt não foram impressionantes, e pareciam mais resquícios de um veterano tentando se manter relevante. O Fenômeno havia se tornado um atleta comum.
Sem o TRT, é provável que Belfort não tivesse vencido com tanta dominância nomes como Rockhold e Bisping (o que é especialmente irônico, já que Bisping se tornou campeão mais tarde e frequentemente critica Belfort por tê-lo feito perder um olho com um chute enquanto estava sob TRT).
Essa ausência de TRT talvez o impedisse de disputar o cinturão contra Weidman em 2015, já que sua sequência de vitórias provavelmente seria mais modesta. Sua explosão física, capacidade de absorver golpes e velocidade poderiam já estar em declínio desde o início da década de 2010.
Sem o “boost” do TRT, Belfort possivelmente teria encerrado sua carreira antes e isso evitaria a fase de declínio severo pós-2014, preservando parte do seu legado. Seu cartel final possivelmente não teria as vitórias espetaculares do “TRT Mode”, mas também não contaria com as derrotas constrangedoras e o desgaste de imagem.
O uso de TRT alterou profundamente o rumo da carreira de Vitor Belfort. Se por um lado lhe proporcionou um segundo auge e vitórias memoráveis, por outro, manchou sua reputação e colocou em dúvida a legitimidade de suas conquistas naquele período.
Ao fim, a pergunta persiste: vale mais o brilho artificial de um segundo auge ou a solidez moral de uma carreira sem atalhos?
(Imagem de capa: Zuffa LLC via Getty Images)