Mateusz Gamrot aceitou com pouco tempo de preparação o duelo contra Charles Oliveira no UFC Rio. Apesar do pouco tempo de preparação física e tática, ele conta como respaldo da American Top Team, que já teve êxito contra Do Bronx com Arman Tsarukyan, e conhece bem o brasileiro.
Além disso, Gamrot é um lutador bem versátil e, apesar de ter seus altos e baixos, ainda é uma ameaça viável para qualquer peso leve no UFC. Em uma entrevista recente, o polonês revelou o quanto está animado para o combate e sua vontade de testar as habilidades de solo contra Charles Oliveira.
“Jiu-jitsu e wrestling são a minha formação”, disse Gamrot no UFC Unfiltered. “Isso está no meu coração. Sinto isso no meu DNA. Posso rolar com ele no chão. Acho que essa vai ser uma luta épica no chão, com certeza, porque não tenho medo do chão dele. Vou lá e vou derrubá-lo, e vou tentar rolar com ele no chão. Mas essa vai ser uma luta completa.”, previu.
“Vou trocar socos, trocar wrestling. Quero me testar contra ele no chão. Vai ser ação ininterrupta, com certeza, cinco rounds de ação ininterrupta. Mas talvez não precisemos de cinco rounds. Uma luta épica, com certeza, super animado.”, contou o lutador polonês.
“Vou para o país natal dele, o Brasil, com todo o Brasil contra mim, me dêem essa energia”, disse Gamrot. “Me deem essa energia, porque eu cresci com isso. Cada vaia será um poder para mim. E sabe de uma coisa? Wrestling é poder, controle, força, condicionamento, tudo.”, completou.
Se a luta for para o chão, como Gamrot quer, pode favorecer Charles Oliveira
O desejo de Mateusz Gamrot de lutar no chão contra Charles Oliveira parecer um tanto quanto ousado ou até insensato, dado que ‘Do Bronx’ é o recordista de finalizações na história do UFC, com 21 vitórias por submissão.
Charles Oliveira construiu sua carreira como um dos grapplers mais perigosos da história do MMA. Com um jiu-jitsu ofensivo, técnico e agressivo, o brasileiro não apenas domina as ações no solo como transforma qualquer vacilo do oponente em uma brecha para finalizar. Sua versatilidade impressiona: guilhotinas, triângulos, armlocks, mata-leões e até transições menos convencionais fazem parte do seu arsenal.
Charles se sente confortável tanto por cima quanto por baixo, sabe criar armadilhas e já superou situações de desvantagem no solo contra adversários fisicamente superiores. É por isso que o desejo de Gamrot de levar a luta ao chão pode se virar contra ele. Quanto mais tempo no solo, maiores as chances de Charles transformar pressão em perigo real.

É importante destacar que Gamrot também é um grappler de altíssimo nível. Com base sólida no wrestling e bom controle de solo, ele sabe dominar o ritmo da luta, desgastar o adversário com pressão por cima e usar o ground and pound com consistência. No entanto, diferentemente de outros atletas que buscam o chão para pontuar ou controlar, Gamrot parece disposto a entrar no terreno onde Charles é mais letal. E essa é uma diferença crucial.
Ao tentar “testar” seu jogo no solo contra alguém com o calibre técnico de Charles, Gamrot corre o risco de se colocar em posições perigosas. O brasileiro sabe exatamente como usar pequenos espaços, escorregões ou brechas deixadas na transição para aplicar uma finalização e, em lutas desse nível, um segundo de descuido é suficiente para encerrar tudo.
Outro fator que pode pesar a favor de Do Bronx é a motivação. Depois da derrota por nocaute para Ilia Topuria e de críticas sobre sua resistência física e desempenho contra lutadores mais explosivos, Charles chega ao UFC Rio com sede de reafirmação. Lutar no Brasil, diante de sua torcida, adiciona uma camada emocional positiva.
Enfrentar um adversário que publicamente diz querer vencê-lo no solo pode servir como combustível extra. Charles sabe que vencer Gamrot, e vencê-lo justamente em sua área de confiança, seria uma resposta forte para o cenário do peso-leve. Mais do que uma vitória, seria uma declaração de que ele continua sendo um dos lutadores mais perigosos da divisão.
Gamrot pode surpreender, mas Charles é favorito
É claro que há riscos. Gamrot tem excelente controle posicional e pode usar a força física e o ritmo de quedas para manter Charles de costas no chão, sem espaço para trabalhar. Se conseguir impor seu wrestling e neutralizar as transições do brasileiro, pode vencer por decisão, dominando sem necessariamente correr riscos de finalização.
Mas a história do UFC mostra que poucos adversários saem ilesos quando se envolvem em trocação de grappling com Charles Oliveira por tempo prolongado. A luta no chão com o brasileiro, definitivamente, não é um ambiente seguro.
Portanto, o desejo de Gamrot de trabalhar a luta de solo pode funcionar como uma vantagem estratégica para Charles, desde que o brasileiro mantenha a calma, escolha bem os momentos de atacar e se aproveite da confiança excessiva do adversário. Quanto mais Gamrot insistir em testar o chão, mais oportunidades Oliveira pode ter de transformar a luta em seu território.
Para o brasileiro, o caminho mais perigoso pode, na verdade, ser o mais familiar. E é justamente nesse terreno que ele já mostrou, repetidas vezes, que poucos conseguem sobreviver por muito tempo. Charles tem uma grande chance de mostrar que ainda é o “problema desta divisão”.
(Imagem de capa: Divulgação UFC)