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UFC 320: Poatan tenta seguir exemplos; relembre as últimas 3 revanches imediatas envolvendo brasileiros

O UFC 320 coloca novamente Alex “Poatan” Pereira frente a frente com Magomed Ankalaev pelo cinturão dos meio-pesados. A revanche imediata do brasileiro não é apenas um recurso narrativo para promover o evento, mas também parte de uma tradição recente no UFC: o retorno rápido de campeões derrotados para tentar recuperar seus títulos.

Nos últimos anos, o Brasil esteve no centro de algumas das maiores histórias de revanches imediatas na organização. Casos como Amanda Nunes x Julianna Peña, Deiveson Figueiredo x Brandon Moreno e até mesmo a segunda luta entre Poatan e Israel Adesanya ajudam a explicar como esses segundos capítulos moldam legados, influenciam narrativas e reescrevem a história do MMA.

Vamos relembrar essas três lutas, que foram as últimas três revanches imediatas envolvendo brasileiros no UFCUF.

Amanda Nunes x Julianna Peña – Da queda à redenção

Em 2021, o mundo do MMA assistiu a uma das maiores zebras da história do UFC. Julianna Peña finalizou Amanda Nunes no segundo round, tirando o cinturão peso-galo da brasileira e encerrando a aura de invencibilidade da “Leoa”, que vinha de uma longa sequência de defesas de título.

O impacto foi tão grande que a revanche imediata era inevitável. O UFC não hesitou em marcar o reencontro, que aconteceu em julho de 2022. Dessa vez, Amanda voltou ao octógono com um plano claro: movimentação lateral, uso inteligente das quedas e paciência para minar o ímpeto de Peña. O resultado foi uma vitória incontestável por decisão unânime após cinco rounds de domínio.

A vitória não apenas devolveu o cinturão à brasileira, mas também reforçou seu status de maior lutadora da história do UFC feminino. Mais que isso: mostrou como uma derrota, por mais impactante que seja, pode servir de combustível para ajustes estratégicos rápidos e eficientes.

Deiveson Figueiredo x Brandon Moreno – A rivalidade mais equilibrada

Se Amanda viveu uma queda brusca e rápida recuperação, Deiveson Figueiredo e Brandon Moreno protagonizaram uma das rivalidades mais equilibradas da história do peso-mosca.

Após um eletrizante empate em 2020, Deiveson perdeu o cinturão para o mexicano em 2021, sendo finalizado no terceiro round. A revanche imediata foi marcada para janeiro de 2022, e dessa vez o brasileiro entrou com uma postura completamente diferente. Mais paciente, com maior foco defensivo e precisão nos contragolpes, venceu por decisão unânime, recuperando o cinturão e levando a rivalidade a um empate técnico.

A saga ainda teria outros capítulos, culminando em 2023 com a vitória de Moreno na quarta luta. Mas o exemplo de Deiveson é emblemático: em rivalidades equilibradas, ajustes pontuais e mudanças de mentalidade podem ser suficientes para virar o jogo, mesmo contra um adversário em nível técnico muito próximo.

Alex Poatan x Israel Adesanya – O brasileiro no papel contrário

Curiosamente, o próprio Alex Pereira já esteve do outro lado da equação no UFC. Em novembro de 2022, ele chocou o mundo ao nocautear Israel Adesanya no quinto round e conquistar o cinturão dos médios.

Menos de cinco meses depois, em abril de 2023, os dois voltaram a se enfrentar. Dessa vez, foi Adesanya quem mostrou ajustes cirúrgicos: mais agressivo desde o início, encontrou a distância rapidamente e venceu com um nocaute no segundo round.

Essa luta revelou o lado mais traiçoeiro do “fator revanche”. Quem vence primeiro, muitas vezes, retorna confiante demais, enquanto o derrotado retorna obcecado em corrigir erros. Adesanya soube explorar essa dinâmica e devolveu na mesma moeda o que havia sofrido meses antes.

O paralelo com Ankalaev x Poatan

Agora, no UFC 320, é Poatan quem busca repetir os passos de Amanda Nunes e Deiveson Figueiredo. No primeiro duelo, Magomed Ankalaev conseguiu impor seu ritmo, travando a luta com o grappling, resistindo à pressão em pé e mostrando condicionamento físico superior.

Para a revanche, Poatan aposta em um camp de preparação focado em corrigir essas lacunas: defesa de quedas mais sólida, movimentação para evitar ser encurralado e gestão de energia em rounds mais longos. Seu histórico no kickboxing e no próprio MMA mostra que ele é capaz de se reinventar rapidamente, mas Ankalaev representa um desafio muito diferente de Adesanya, por exemplo.

O paralelo com outros brasileiros mostra que é possível. Amanda provou que uma derrota não define a carreira, Deiveson mostrou que rivalidades equilibradas podem mudar de rumo a cada encontro, e o próprio Poatan já viveu os dois lados de uma revanche imediata. A questão é se ele conseguirá encontrar os ajustes necessários para retomar o trono dos meio-pesados.

(Foto: Carmen Mandato/Getty Images)