Na coletiva de imprensa do UFC 320, Dana White revelou que Alex Pereira o abordou antes do evento no sábado (4) e pediu para subir de categoria. O pedido foi feito poucas horas antes do nocaute rápido de Poatan sobre Magomed Ankalaev, que lhe garantiu o cinturão dos meio-pesados na luta principal.
Naturalmente, sem ter o resultado em mãos naquele momento, White lembrou Poatan de se concentrar na tarefa em questão, recuperar o cinturão na revanche contra Ankalaev.
“Hoje, eu estava no trabalho porque tinha várias reuniões e fui ao (UFC Performance Institute) e ele estava no PI”, disse White. “Eu pensei: ‘Você é o último cara que eu esperava ver aqui hoje. O que você está fazendo aqui?'” E ele me disse: ‘Queremos lutar no peso pesado’. Eu disse: ‘Que tal você vencer hoje à noite e depois podemos falar sobre o peso pesado’. Não sei. Ainda há lutas aqui nesta divisão, mas vamos ver.”, seguiu Dana White.
White esclareceu que não se opõe totalmente à ideia de Poatan na categoria peso-pesado, mas acredita que há lutas melhores para ele na categoria até 93 kg.
“Não é que eu tenha alguma ressalva. O cara está em uma categoria onde ainda há lutas interessantes”, disse Dana White. “Gosto muito dele. Vamos ver. Teremos que conversar sobre isso. Só não entendo por quê, a menos que ele queira se aposentar. Por que colocá-lo na categoria peso-pesado? (Não) faz sentido, a não ser que ele queira tanto lutar, que eu simplesmente diga sim.”, completou o chefão do UFC.
Ainda não está claro se Alex Pereira voltará a competir na categoria meio-pesado ou se pretende estrear na categoria pesado do UFC. O certo é que Pereira tem sido uma figura-chave para o UFC e continua sendo agora, como campeão novamente.
“Esse cara tem sido um verdadeiro craque para nós”, disse White. “Ele está de férias na Austrália, vem de avião porque alguém caiu. Ele luta quando está machucado. Ele não se importa, ele quer lutar com todo mundo. Ele quer subir para o peso pesado. É um sonho tê-lo nesta organização.”, concluiu Dana White.

Se Poatan convencer Dana White, o que esperar dele nos pesados?
Apesar de ser menor fisicamente que a maioria dos pesados, Alex Pereira já provou no Glory e no UFC que sabe lidar com desvantagens de tamanho. Sua defesa de quedas evoluiu absurdamente sob o comando de Glover Teixeira, e seu poder de nocaute é mais do que suficiente para fazer qualquer peso-pesado repensar duas vezes antes de entrar no raio de ação de sua canhota (ou até direita como no nocaute sobre Ankalaev).
Se Poatan conseguir manter a mobilidade e continuar com sua impressionante precisão cirúrgica, é perfeitamente plausível vê-lo vencendo lutas importantes entre os pesados. Mas claro, o desafio físico será real: adversários como Aspinall, Gane ou até Jon Jones oferecem riscos que exigirão o ápice do seu jogo defensivo.
Entretanto, Alex Pereira não seria apenas mais um peso-meio-pesado subindo de categoria. Ele chega como um campeão legítimo, com histórico de nocautes brutais, carisma e uma aura de perigo que vende lutas como poucos. A entrada dele nos pesados traria um impacto imediato no topo da divisão, onde lutas milionárias estariam prontas para acontecer logo de cara.
Cinturão direto ou Jon Jones na Casa Branca?
A primeira opção lógica seria enfrentar o vencedor do duelo entre o atual campeão, Tom Aspinall, e Ciryl Gane. Poatan contra qualquer um desses nomes seria uma guerra entre estilos: a frieza e precisão do brasileiro contra a movimentação e versatilidade dos pesados mais técnicos da atualidade.
E caso vencesse, Alex Pereira se tornaria o primeiro lutador da história do UFC a conquistar cinturões em três categorias diferentes, peso-médio, meio-pesado e agora, peso-pesado. Um feito sem precedentes.
Mas há algo ainda maior e mais insano a ser feito. Alex Pereira enfrentando Jon Jones pelo cinturão BMF dos pesos-pesados no evento principal do card de 4 de julho do ano que vem, na Casa Branca.
A luta entre Jones e Poatan na Casa Branca seria o maior confronto de todos os tempos no MMA. O maior de todos os tempos contra o mais destrutivo striker da atualidade. E com um ingrediente a mais: quem vencer, se tornaria o único lutador da história a conquistar cinturões em três diferentes dentro do UFC, e ainda carregaria o título simbólico de lutador mais casca-grossa (BMF) da história da organização.