O goleiro do Everton, Jordan Pickford, está longe de ser uma das dores de cabeça de Thomas Tuchel na hora de montar o time titular da seleção inglesa. Em meio a um elenco recheado de estrelas, com disputa acirrada por posição em quase todos os setores, o camisa 1 vive uma realidade diferente. Ao lado de nomes como Harry Kane, Pickford já entra com a vaga garantida entre os 11 em qualquer grande jogo da Inglaterra, e isso não é exagero. Basta olhar o que ele já entregou com a camisa da seleção, o que ainda entrega com regularidade, e o que mostra estar preparado para continuar entregando.
Na atual Data FIFA, Pickford se prepara para alcançar mais um marco importante com a seleção: pode chegar ao seu sétimo jogo consecutivo sem sofrer gols, o que representaria um novo recorde absoluto, superando a marca anterior, que já era dele. Além disso, está prestes a completar 79 partidas pela Inglaterra, um número considerável para qualquer jogador, ainda mais para um goleiro.
Embora o “manual do técnico” diga que Tuchel precisa convocar três goleiros, a verdade é que Pickford joga em outro campeonato. Desde que ganhou a confiança da torcida e da comissão técnica, em 2018, quando foi destaque na campanha da Inglaterra até as semifinais da Copa do Mundo, o arqueiro do Everton não largou mais a camisa 1. E mesmo com o passar do tempo e da pressão, ele se manteve firme, com atuações seguras e cada vez mais completas.

Pickford sempre teve muito a oferecer
Sim, as defesas milagrosas chamam atenção. Mas não é só disso que vive um goleiro. E Pickford sabe disso. Ele se destaca especialmente em disputas de pênaltis, um calcanhar de Aquiles histórico da seleção inglesa. Em 20 cobranças, defendeu 5. Para efeito de comparação, David Seaman, outro grande nome da posição, pegou apenas 2 em 15. E se somarmos todos os outros goleiros da Inglaterra (tirando Pickford), o número é de apenas 2 defesas em 36 cobranças. Isso diz muita coisa.
Além disso, Pickford carrega uma energia diferente em campo. É impossível não notar sua intensidade emocional, gesticulando, vibrando, gritando. Para alguns, pode parecer exagero. Mas para os companheiros, isso contagia. Ele empurra o time, e segura a bronca quando precisa.
O ex-goleiro Rob Green falou sobre isso em entrevista à BBC Sport. Segundo ele, Pickford pode até ter algumas “manias estranhas” de posicionamento, como abaixar as mãos de forma curiosa antes do chute, mas nada disso importa quando o cara entrega. “Você pode mudar o estilo dele o quanto quiser, mas o que realmente importa é que ele faça a defesa”, disse Green.
Números que falam por si
Na última temporada da Premier League, Pickford sofreu 44 gols. Pode parecer muito à primeira vista. Mas quando a gente olha a realidade defensiva do Everton, o contexto muda completamente. Pickford foi o goleiro que mais evitou gols “esperados” (xG): foram 6 gols evitados, à frente de nomes como Ederson, Dean Henderson e Matz Sels. Isso mostra que, mesmo em um time que cede muitas chances, ele ainda consegue fazer a diferença.
Além disso, sua qualidade com os pés também é um trunfo. Em um futebol cada vez mais exigente nesse quesito, Pickford evoluiu muito. Paul Robinson, outro ex-goleiro inglês, destacou sua capacidade de sair jogando tanto com lançamentos longos quanto com passes curtos. “Não há muitos melhores que ele nisso na Premier League”, disse Robinson.
Evolução e maturidade
Pickford nem sempre foi esse goleiro seguro que conhecemos hoje. No início da carreira, ele acumulou alguns erros, teve momentos de instabilidade emocional e parecia um pouco impulsivo demais. Mas isso faz parte do crescimento. Theo Walcott, que jogou com ele no Everton, comentou que Pickford amadureceu muito. “No começo, parecia que ele precisava fazer algo só pra se sentir parte do jogo. Agora ele entende que, se estiver calmo, transmite isso para toda a defesa.”
Hoje, Pickford é referência. Desde a temporada 2022/23, ele lidera a Premier League em gols evitados. Foram 156 sofridos, mas evitou 18,6 gols esperados, número superior até ao de Alisson, que evitou 13,9. Isso mostra, com frieza, que Pickford tem sido vital para o Everton e, por consequência, para a Inglaterra.
Concorrência? Existe. Mas não assusta.
Claro, a Inglaterra tem outras opções. Dean Henderson (Crystal Palace), James Trafford (Manchester City) e Nick Pope (Newcastle) são nomes interessantes e vão ter suas chances em amistosos e jogos de menor importância. Mas a camisa 1 tem dono. E esse dono se chama Jordan Pickford.
Enquanto ele estiver saudável, ligado e confiante, é difícil imaginar outro goleiro ocupando esse posto. Afinal, quando se trata da meta inglesa, Pickford é a segurança em pessoa, com luvas, coração e, claro, muita personalidade.