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Gerrard abre o jogo sobre a “geração de ouro” da Inglaterra; Confira

O ex-capitão da Inglaterra, Steven Gerrard, revelou que em certos momentos “detestava” atuar pelo English Team e atribuiu a falta de conquistas da equipe à presença de jogadores que, segundo ele, eram “perdedores egoístas”. Ídolo do Liverpool, o ex-meia defendeu a Inglaterra em 114 partidas e participou de seis grandes competições como integrante da chamada “Geração de Ouro”, sem jamais alcançar uma semifinal. Além disso, ele também afirmou que um técnico deveria ter conseguido encontrar uma forma eficaz de escalar, ao mesmo tempo, ele, Frank Lampard (Chelsea) e Paul Scholes (Manchester United) em um meio-campo vitorioso.

Antes de se tornar treinador, Gerrard, que construiu toda a sua carreira no Liverpool antes de encerrar a trajetória como jogador no LA Galaxy, explicou que, em sua época, havia grande resistência entre atletas de clubes rivais em se aproximarem uns dos outros. O ex-meio-campista representou a seleção inglesa por 14 anos, sob o comando de cinco técnicos diferentes, começando por Kevin Keegan e encerrando o ciclo com Roy Hodgson, durante a Copa do Mundo de 2014, quando a equipe foi eliminada ainda na fase de grupos.

Durante sua passagem pelo English Team, Gerrard usou a braçadeira de capitão em 38 partidas, o sexto maior número na história, e, embora tenha sempre sentido orgulho em defender o país, lamenta que nenhum treinador tenha conseguido compreender adequadamente a cultura interna do time. Após uma sequência de decepções internacionais, a Inglaterra voltou a crescer sob Gareth Southgate, chegando à semifinal da Copa do Mundo de 2018 e às finais consecutivas da Eurocopa, conquistando elogios por ter criado um ambiente mais unido e saudável, no qual os jogadores demonstram maior sintonia, independentemente dos clubes que representam.

Agora sob o comando de Thomas Tuchel, o English Team encara partidas contra País de Gales e Letônia nesta semana. O técnico alemão destacou que pretende fortalecer o espírito coletivo do elenco, que atualmente lidera o Grupo K das Eliminatórias Europeias para a Copa de 2026 com 100% de aproveitamento. Nos últimos anos, a Inglaterra bateu na trave ao perder as finais da Eurocopa para a Itália, em 2020, e para a Espanha, em 2024, além de chegar às semifinais na Copa do Mundo de 2018, quando foi eliminada para a Croácia.

Foto: Getty Images

Gerrard critica “Geração de Ouro” da Inglaterra: “Éramos perdedores egoístas”

Em uma entrevista franca ao podcast Rio Ferdinand Presents, Steven Gerrard fez duras críticas à chamada “Geração de Ouro”, grupo de craques que representou a Inglaterra entre 2000 e 2014. O ex-capitão admitiu que a convivência entre os atletas era marcada por rivalidades, vaidade e falta de união, o que, segundo ele, impediu a equipe de alcançar grandes feitos.

Gerrard contou que, apesar do orgulho de vestir a camisa inglesa, muitas vezes se sentia isolado durante as concentrações. “Não éramos uma equipe. Nunca conseguimos nos tornar um time verdadeiramente forte e coeso”, declarou. O ex-jogador também relembrou períodos solitários em hotéis e vestiários, afirmando que havia pouco convívio fora dos treinos e das partidas. “Odiava os quartos de hotel. Nos meus primeiros tempos, havia dias em que me sentia realmente abatido… ficava sozinho. Não me sentia conectado aos meus colegas de seleção.”

Assumindo parte da responsabilidade, Gerrard reconheceu que o grupo agia como um conjunto de “perdedores egoístas”. Para ele, o ambiente era excessivamente dividido por rivalidades entre clubes, o que minava a harmonia necessária para o sucesso. Embora reconheça que representar a Inglaterra sempre foi motivo de orgulho, lamenta que o clima interno fosse tão fragmentado que apenas anos depois conseguiu desenvolver laços mais fortes com antigos companheiros de seleção.

Foto: Getty Images

Inglaterra busca superar a “Geração de Ouro” e encerrar jejum de 60 anos sem título mundial

Seis décadas após a conquista da Copa do Mundo de 1966, a Inglaterra encara o desafio de construir uma nova era e deixar para trás o peso da “Geração de Ouro”. As recentes declarações de Steven Gerrard reacenderam o debate sobre uma fase marcada por talento, mas também por egos inflados e divisões internas.

Entre 2000 e 2014, Gerrard dividiu o vestiário com nomes como Frank Lampard, Michael Owen, Rio Ferdinand, Paul Scholes, Wayne Rooney, David Beckham e John Terry, todos parte de uma geração que, apesar da habilidade individual, nunca conseguiu se transformar em uma equipe coesa. “Éramos perdedores egoístas. Faltava união, e isso nos impediu de conquistar algo grande”, afirmou o ex-capitão em entrevista à BBC Sport.

O desabafo de Gerrard reflete a mudança de mentalidade implementada pelo ex-técnico Gareth Southgate, que desde 2016 priorizava o espírito coletivo da Inglaterra, a harmonia nos bastidores e o equilíbrio emocional. Essa abordagem levou a seleção inglesa à semifinal da Copa do Mundo de 2018 e às finais da Eurocopa de 2020 e 2024.

Com uma nova geração de talentos, como Jude Bellingham, Phil Foden, Marcus Rashford, Bukayo Saka e Harry Kane, a Inglaterra vive um momento promissor, baseado em uma filosofia mais solidária e madura. Sob o comando de Thomas Tuchel, o foco do English Team é quebrar o estigma de que os ingleses sucumbem à pressão, promovendo um ambiente colaborativo, mesmo entre atletas de clubes rivais.

O objetivo é claro: reconquistar a Copa do Mundo e encerrar um jejum de 60 anos sem títulos. Mais do que erguer a taça, trata-se de consolidar uma identidade que una talento e espírito coletivo na Inglaterra, algo que faltou à “Geração de Ouro” nos anos 2000. Como resumiu Gerrard recentemente: “Agora eles jogam uns pelos outros, e isso faz toda a diferença.”

(Foto: Getty Images)