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Deiveson Figueiredo ainda pode ser campeão? Difícil, mas não impossível

Neste sábado (11), no UFC Rio, Deiveson Figueiredo enfrenta Montel Jackson no ‘co-main event’ da noite. Em sua coletiva pré-luta, o ex-campeão dos moscas declarou estar “220% focado” em conquistar o cinturão dos galos do UFC, mostrando confiança de que ainda pode alcançar o topo em uma nova divisão.

Mas será que essa ambição é realista? Em uma categoria tão profunda e talentosa como a dos galos, a caminhada rumo ao título exige mais do que vontade e experiência, exige excelência em todos os aspectos do jogo. E é justamente aí que as dúvidas começam a surgir.

Desde que subiu de categoria, Deiveson teve momentos de brilho, vencendo nomes respeitados como Rob Font, Marlon Vera e o ex-campeão Cody Garbrandt. Essas vitórias, no papel, mostram que ele pode competir entre os tops. Porém, as derrota para Cory Sandhagen, por nocaute técnico, e Petr Yan, por decisão unânime, em que foi amplamente dominado, mostraram também que há um abismo entre figurar entre os melhores e ser, de fato, campeão.

Hoje, o dono do cinturão dos galos é o georgiano Merab Dvalishvili, um lutador que representa talvez o maior desafio possível para alguém com o estilo e histórico de Figueiredo. Merab é sinônimo de pressão, volume, resistência e wrestling de altíssimo nível. Ele venceu nomes como Petr Yan, Sean O’Malley e Cory Sandhagen, sempre impondo um ritmo sufocante, com dezenas de tentativas de queda por luta e uma capacidade quase sobrenatural de manter o gás do primeiro ao último segundo. Para superá-lo, não basta ser bom em uma área, é preciso ser completo, versátil e capaz de sobreviver a um inferno de cinco rounds. Deiveson, aos 37 anos, tem o tempo e a fisiologia jogando contra.

Mesmo vindo de duas derrotas, Deiveson Figueiredo ainda sonha com o cinturão
Mesmo vindo de duas derrotas, Deiveson Figueiredo ainda sonha com o cinturão (Imagem: Mark J. Rebilas)

Montel Jackson como divisor de águas para Deiveson Figueiredo

O confronto contra Montel Jackson será um verdadeiro divisor de águas. Jackson tem bom alcance, excelente defesa de quedas e poder de nocaute, além de estar em ascensão na divisão. É o tipo de adversário que representa bem o que se encontra no meio do ranking dos galos atualmente: atletas fortes, atléticos, com fundamentos sólidos em todas as áreas e capazes de manter o ritmo em alto nível.

Se Deiveson passar bem por esse teste, de preferência com uma vitória convincente, sem sustos e com domínio técnico, ele pode se recolocar no radar como possível desafiante. Mas se vencer com dificuldade, ou pior, se perder, sua meta de alcançar o cinturão pode ser encerrada na mesma noite.

Figueiredo, como todos sabemos, tem virtudes inquestionáveis. Foi campeão mundial dos moscas, fez guerras épicas contra Brandon Moreno, finalizou lutadores duríssimos com seu jiu-jítsu afiado, e é dono de um poder de nocaute raro para as divisões mais leves.

Mas tudo isso foi conquistado em uma categoria abaixo, contra atletas menores, com menos envergadura e força física. Nos galos, ele enfrenta adversários maiores, mais resistentes e com defesas de queda mais eficientes, características que limitam bastante o estilo agressivo e explosivo de Daico.

Outro fator importante é o desgaste acumulado. Lutando em alto nível há anos, com batalhas muito físicas e lesões recentes, especialmente no joelho, Deiveson já não apresenta o mesmo volume de golpes, explosão ou capacidade de recuperação de seus melhores dias.

Contra adversários como Merab, isso é fatal. Para sobreviver e competir em alto nível, seria necessário reinventar seu jogo: aumentar o volume, melhorar o wrestling defensivo e trabalhar com maior inteligência tática, algo que nem sempre vimos em sua trajetória.

É claro que descartar completamente as chances de Deiveson seria subestimar um atleta com coração de campeão. Se conseguir encaixar sua mão pesada, ele pode nocautear qualquer um. Se achar o pescoço, finaliza. Mas depender apenas disso é perigoso. Hoje, os campeões do UFC são atletas com planos de jogo sólidos, controle posicional, resistência mental e física, além de muita consistência, não só explosão ou poder individual.

Concluindo, sim, Deiveson Figueiredo ainda tem uma chance de alcançar o cinturão dos galos, mas ela é pequena e depende de uma combinação de fatores: evolução técnica, vitórias convincentes, matchmaking favorável e talvez até uma dose de sorte.

Sua experiência e instinto de finalizador o mantêm vivo na corrida, mas ele precisará provar, luta após luta, que consegue competir com os melhores da divisão em igualdade de condições. Contra Montel Jackson, o primeiro passo será dado. Se será o início de uma nova jornada rumo à glória ou o fim de um ciclo vitorioso, o octógono dirá.

(Imagem de capa: Mark J. Rebilas)