O Brasil garantiu uma vitória contundente por 5 a 0 contra a Coreia do Sul nesta sexta-feira (10), marcando a primeira goleada de Carlo Ancelotti no comando da seleção. Mais do que o triunfo, foi a primeira vez que o time do técnico italiano se mostrou fluido e entendendo o seu estilo de jogo — fruto de um trabalho constante para deixar os jogadores confortáveis em campo sem sacrificar seu ideal.
Voltando ao 4-2-4, a seleção teve um ataque de muita movimentação formado por Vini Jr., Rodrygo, Estêvão e Matheus Cunha, com a sustentação de Bruno Guimarães e Casemiro atrás. No entanto, o que ficou provado na partida é que Ancelotti não vai se prender à sua formação inicial, variando bastante o time taticamente conforme o andamento do jogo.
Por isso, vamos falar sobre alguns pontos que deixam o torcedor empolgado com a seleção brasileira antes da Copa do Mundo.
1 – Variação tática dá resultado
Como já foi dito, o Brasil começou o jogo num 4-2-4, com Estêvão espetado pela direita e a dupla Rodrygo e Vini Jr. pela esquerda. No início, quando a Coreia do Sul adiantou suas linhas e tentou pressionar o Brasil, a linha de quatro atacantes foi essencial para buscar a transição. Foi em uma dessas jogadas — em um lindo lançamento de Bruno Guimarães — que Estêvão abriu o placar.
Apesar do bom desempenho da dupla de volantes, o Brasil precisava de mais controle da partida, principalmente para manter a vantagem numérica na saída de bola e evitar a pressão coreana. Ancelotti, então, recuou Douglas Santos como terceiro zagueiro, adiantando Vini Jr. e Estêvão como alas ofensivos. Assim, em uma jogada bem trabalhada, a seleção chegou ao segundo gol.
Esse é apenas um exemplo das várias variações que Ancelotti promove durante a partida, especialmente ao fazer substituições. Se as convocações seguirem essa lógica, podemos ver um Brasil bastante adaptável diante dos adversários.
2 – Um Brasil confortável para atacar como quer
Os antigos trabalhos de Ancelotti sempre mostraram um estilo de jogo que potencializa a transição — e isso não ficou para trás na seleção brasileira. Em campo, o Brasil se mostra confortável para atacar em velocidade, utilizando a força de Matheus Cunha no transporte da bola e a velocidade de jogadores como Estêvão, Rodrygo e Vini Jr.
Mas essa não é a única forma de atacar. Contra a Coreia do Sul, o Brasil também mostrou qualidade com a posse, principalmente ao alternar para um sistema com três zagueiros. Várias chances criadas vieram com o time no campo ofensivo, controlando o jogo com paciência e mantendo as linhas altas. Foi um time maduro, muito diferente do Brasil de Tite.
3 – O entrosamento da dupla Vini Jr. e Rodrygo
O retorno de Rodrygo à seleção foi cercado de expectativa. Em meio a dúvidas sobre sua titularidade no Real Madrid, ele foi escalado de início e não decepcionou, reeditando uma dupla letal com Vini Jr. sob o comando de Ancelotti. Os dois se revezaram entre a ponta e o meio, formando a principal válvula ofensiva da equipe.
Rodrygo marcou dois gols e teve grande atuação, enquanto Vini, apesar de errar em alguns lances, também balançou as redes em transição. A dupla esteve confortável o jogo todo, e o trabalho tático de Ancelotti abriu espaço para que outros jogadores, como Estêvão e Bruno Guimarães, participassem mais da fase ofensiva.
4 – Bruno Guimarães comanda o meio e dá equilíbrio ao time
Por falar em Bruno Guimarães, o meia do Newcastle foi mais uma ótima notícia para o Brasil. Atuando como segundo volante ao lado de Casemiro, ele foi importante em todas as fases do jogo: pressionou a saída de bola coreana, qualificou a construção e ainda deu uma assistência primorosa para Estêvão.
Com Ancelotti disposto a variar o sistema conforme o jogo, ter um volante versátil e confortável como Bruno é tudo o que a seleção precisava. Em boa fase, ele e Casemiro formam uma dupla complementar e sólida para sustentar o 4-2-4 do treinador italiano.
5 – Um sistema defensivo sólido, independentemente dos nomes
Talvez a maior virtude do trabalho de Ancelotti até agora seja a solidez defensiva. O Brasil se tornou consistente atrás e não depende de nomes específicos para isso. Ao perceber a desvantagem na pressão coreana, o técnico ajustou para um sistema com três zagueiros e neutralizou as ações do adversário. As grandes atuações de Éder Militão e Gabriel Magalhães ajudaram, mas é o sistema coletivo que faz a diferença.
Ainda não se sabe quem serão os titulares na Copa do Mundo, já que o Brasil está bem servido na defesa, com atletas em ótima fase como Magalhães e Alex Sandro, além da experiência de Marquinhos e do próprio Militão. O importante é que a base defensiva parece sólida e pronta para torneios de tiro curto.
(Foto: Kim Hong-Ji, Reuters)