Deiveson Figueiredo é, sem dúvida, um dos nomes mais marcantes do MMA brasileiro na última década. Ex-campeão dos moscas (até 57 kg) do UFC, conhecido como “Deus da Guerra”, ele construiu uma reputação temida por seu estilo agressivo, poder de nocaute e coração de guerreiro.
No entanto, após sua recente vitória por decisão dividida sobre Montel Jackson no UFC Rio, surgiram discussões sobre a possibilidade de Figueiredo enfrentar o atual campeão peso-galo, Merab Dvalishvili.
Apesar do entusiasmo de ambos os lutadores e da vontade expressa por Merab nas redes sociais, a verdade é que ainda não é o momento ideal para Deiveson disputar o cinturão da nova categoria.
Antes de vencer Montel Jackson, Deiveson vinha de duas derrotas consecutivas, algo inédito em sua carreira até então. Ele foi superado por Petr Yan e Cory Sandhagen, dois dos principais nomes da divisão. Essas derrotas não apenas interromperam seu embalo como também colocaram em xeque seu futuro pelo cinturão.
Curiosamente, ambos os lutadores já foram derrotados por Merab Dvalishvili, o que apenas reforça a disparidade atual entre o campeão e Deiveson. Esse fator, por si só, já mostra que ainda não é a hora do Daico lutar pelo cinturão.
No UFC Rio, Figueiredo venceu Montel Jackson por decisão dividida. Ainda que qualquer vitória em um evento desse porte tenha seu valor, a forma como ela foi conquistada levanta questionamentos. Jackson é apenas o 15º colocado da divisão, e a luta foi equilibrada, com momentos de dificuldade para o brasileiro. Uma vitória por decisão dividida contra um adversário fora do topo do ranking não justifica uma disputa imediata de cinturão.
Se pensarmos em termos de meritocracia, há outros nomes que estariam na frente de Deiveson na fila por uma chance ao título: como as revanches contra Petr Yan e Umar Nurmagomedov. Subir no ranking com vitórias convincentes contra nomes mais consolidados seria o caminho mais lógico para o ex-campeão dos moscas.
O estilo de Merab Dvalishvili é um pesadelo para Deiveson Figueiredo e não é a hora da luta acontecer

Merab Dvalishvili não é apenas o campeão, ele é uma máquina de pressão e grappling incansável. Sua vitória dominante sobre Cory Sandhagen, usando uma mistura de wrestling sufocante, ritmo altíssimo e controle posicional, mostrou que ele está em um nível diferente dentro da divisão.
Historicamente, o estilo de Figueiredo tem dificuldades contra lutadores que impõem ritmo e têm base sólida no wrestling, enquanto Merab Dvalishvili é implacável nessa área.
A diferença física também não pode ser ignorada: Merab é naturalmente mais forte, acostumado com o ritmo e o tamanho da categoria dos galos, enquanto Deiveson Figueiredo ainda parece estar em transição para esse novo peso.
Já para o UFC, fazer lutas com sentido esportivo e apelo comercial é o ideal. Deiveson Figueiredo ainda é um nome forte, especialmente no Brasil, mas seu momento não é de pico. Jogá-lo contra Merab agora seria queimar uma possibilidade futura de superluta que poderia ter muito mais valor se Daico tivesse mais vitórias relevantes na nova divisão.
Além disso, o UFC se beneficia quando campeões enfrentam desafiantes com histórico de ascensão sólida. Isso cria mais expectativa, maior audiência e dá ao evento uma narrativa mais legítima.
Embora seja compreensível o desejo de Deiveson Figueiredo em buscar o cinturão imediatamente, ainda mais após uma vitória no UFC Rio e com o apoio da torcida, a realidade é que ele ainda não reconstruiu sua credibilidade dentro da divisão dos galos.
As derrotas recentes para nomes que Merab já venceu e a performance apenas razoável contra Montel Jackson indicam que o brasileiro precisa de mais tempo, adaptação e vitórias significativas antes de enfrentar o campeão.
O caminho até o cinturão ainda é possível, mas deve ser trilhado com estratégia. Caso contrário, o risco de uma derrota dominante pode colocar em xeque não apenas sua posição nos galos, mas sua relevância no cenário atual do UFC.
(Imagem de capa: Reprodução UFC)