O redentor Barcelona que teve uma temporada extraordinária, conquistando quase todos os troféus com o início da era Hansi Flick, possuía verdadeiros alicerces em sua espinha dorsal: a liderança firme de Iñigo Martínez na cobertura da linha defensiva e nas armadilhas de impedimento, a visão refinada de Pedri González no meio-campo, os 42 gols do incansável Robert Lewandowski e a genialidade de Lamine Yamal. Porém, o desempenho superlativo do time blaugrana em 2024/25 seria incompreensível sem a contribuição de Raphinha, que pode reaparecer no sábado contra o Girona, na retomada de La Liga.
Recuperar essa versão do brasileiro, especialmente com seus intangíveis, é um dos grandes desejos que dominam o Barcelona, que encara uma fase decisiva da temporada, com o El Clásico contra o Real Madrid no dia 26 de outubro, um domingo, no Santiago Bernabéu, depois das derrotas preocupantes para o PSG por 2 a 1 na segunda rodada da fase de grupos da UEFA Champions League e, sobretudo, da goleada sofrida para o Sevilla por 4 a 1, antes da pausa da La Liga para a Data Fifa de outubro.
O atacante do Barcelona foi muito mais do que o escudeiro de Lewandowski ou um ponta vindo de Rocafonda. Seus números falam por si só. Foi o segundo maior goleador da equipe (34), atrás apenas do polonês (42), o melhor garçom (23 assistências), superando Lamine Yamal (21), que liderou em minutos jogados (4.661) e foi o segundo com mais partidas no total (57), sendo 53 delas como titular. Poderia ter terminado ainda mais em destaque se naquele jogo temporário de 3 a 2 contra a Inter no Giuseppe Meazza, não tivesse sido anulado o gol de Francesco Acerbi, que impediu o passe à final da Champions.
Mesmo que com apenas metade desses números atualmente, Raphinha seria crucial para um Barcelona que precisa de sua energia e paixão para reencontrar seu brilho. Devido ao seu compromisso inabalável com a leitura de jogo, o sucesso de Flick depende de um nível de intensidade que esteve visivelmente ausente em Sevilha. “As oportunidades começam na frente”, lembrou Pau Cubarsí. E no ataque faltou pressão alta para conter a marcação individual imposta sobre Pedri e Frenkie de Jong. Não foi uma boa tarde para os sacrifícios de Robert Lewandowski, Marcus Rashford, Ferran Torres e Dani Olmo.
Muitos jogadores do Barcelona sentiram falta de Gavi, que ficará fora até fevereiro ou março, assim como Fermín López e Raphinha. Os dois últimos devem retornar após a pausa: o meia ocupará a vaga deixada pelo lesionado Dani Olmo, enquanto o brasileiro será mais um trunfo para o treinador, tanto dentro quanto fora de campo. O clube catalão está totalmente comprometido com Raphinha, que tem vínculo até maio de 2028, após extensão contratual que expiraria em 2027. Ele fará 29 anos em dezembro e chegará à Copa do Mundo com ainda mais prestígio.
Num vestiário que precisa evitar os egos aos quais Hansi Flick aludiu após o empate de 1 a 1 contra o Rayo Vallecano, sua influência sobre os companheiros é vital. O técnico alemão deposita grande confiança no quarto capitão do grupo, alguém capaz de falar com firmeza, como faz Iñigo Martínez. Porém, para isso, Raphinha precisa primeiro se reencontrar, utilizando sua versatilidade como valor agregado, para então se dedicar integralmente ao coletivo. Durante essa semana, o elenco do Barcelona se reapresentou e iniciou a preparação da retomada da La Liga, após o fim da Data Fifa de outubro.

Como Raphinha busca se recuperar contra o tempo no Barcelona
A corrida começou no Camp Nou. O Barcelona corre contra o relógio para recuperar Raphinha, peça essencial no esquema de Hansi Flick, e o próprio jogador vive dias de intensa dedicação para retornar à sua melhor forma. Com o time alternando entre altos e baixos na temporada, o retorno do camisa 11 é visto internamente como fundamental para reativar o ataque culé e dar equilíbrio ao sistema ofensivo.
O atacante Raphinha se recupera de uma lesão muscular no bíceps femoral da perna direita, sofrida no fim de setembro, na partida contra o Oviedo. Desde então, o brasileiro do Barcelona tem seguido um plano individualizado de recondicionamento físico e técnico no centro de treinamentos do clube, sob supervisão médica e de Flick. O objetivo é claro: estar pronto para o duelo contra o Girona no sábado, e, acima de tudo, chegar em plenas condições no El Clásico contra o Real Madrid, em 26 de outubro.
Antes da lesão, o atacante do Barcelona vivia bom momento. Em poucas rodadas de La Liga somava três gols e duas assistências, confirmando seu status de peça decisiva no elenco. Seu desempenho na temporada anterior reforça essa importância: 34 gols e 23 assistências em 57 partidas oficiais — números que o colocaram como segundo maior artilheiro do time, atrás apenas de Lewandowski, e como principal fornecedor de passes-chave.
Mas o desafio de Raphinha vai além da recuperação física. Dentro do vestiário, ele é visto como líder silencioso, alguém capaz de elevar o grupo e manter intensidade nas partidas. Por isso, Flick o escolheu como quarto capitão do elenco — um gesto que revela a confiança do treinador em sua influência. Agora, essa liderança é cobrada também fora das quatro linhas: Flick espera que Raphinha volte não apenas com velocidade e explosão, mas com a mesma mentalidade que o fez referência entre os companheiros.
O Barcelona, buscando regularidade depois de um início oscilante, depende do retorno de seu ponta para reequilibrar o setor ofensivo. Sem ele, o time perdeu profundidade e poder de pressão nos metros finais — elementos cruciais no modelo de jogo de Flick. Portanto, o clube trata a recuperação de Raphinha como uma “operação estratégica”, com controle rigoroso de carga e estímulo diário à confiança do atleta.
Com calendário apertado e compromissos decisivos à vista, Raphinha tenta vencer a corrida contra o tempo. Seu retorno pode ser o combustível que falta para recolocar o Barça no rumo das vitórias nesta temporada — e, quem sabe, reacender o brilho que fez dele um dos protagonistas da era mais recente do clube.

Como o Barcelona se perdeu com Raphinha e Yamal nas derrotas para PSG e Sevilla
O Barcelona viveu uma semana marcada por contrastes que expuseram vulnerabilidades táticas e emocionais da equipe de Hansi Flick. As derrotas para o PSG, na Champions League, e para o Sevilla, pela La Liga, escancararam um time desorganizado no ataque e frágil defensivamente — mesmo com dois dos seus principais talentos em campo: Raphinha e Lamine Yamal.
Esses confrontos deixaram explícita uma desarmonia entre plano de jogo e execução dentro das quatro linhas. Com Raphinha ainda em processo de retorno ao ritmo competitivo e Yamal sobrecarregado pela responsabilidade criativa, o Barcelona não soube conciliar velocidade com domínio. O resultado: equipe previsível, com poucas variações ofensivas e falhas recorrentes no momento de recomposição defensiva — especialmente pelos flancos.
Contra o PSG, no Camp Nou, isso ficou claro. Flick apostou em abrir o jogo com Yamal pela direita e Raphinha pela esquerda, mas a dupla raramente recebeu a bola em condições vantajosas. Sem o apoio consistente dos laterais, o ataque se isolou, foi neutralizado pela marcação francesa, enquanto os franceses exploraram os espaços deixados atrás dos pontas, aproveitando a lentidão da transição defensiva do Barça para construir a vitória.
Dias depois, diante do Sevilla, cenário similar. Mesmo jogando em casa, o Barcelona mostrou uma equipe descompassada, incapaz de converter posse de bola em perigo real. Raphinha tentou assumir o protagonismo, mas foi visivelmente afetado pela falta de ritmo após a lesão. Já Yamal, com apenas 18 anos, alternou lances promissores com decisões precipitadas — reflexo da pressão crescente por resultados.
Nos bastidores, é reconhecido que Flick ainda busca o encaixe ideal entre ambos. O treinador enxerga em Raphinha um atleta de explosão vertical, enquanto em Yamal talento criativo. Contudo, quando atuam juntos, o Barça perde densidade pelo meio e fica vulnerável em transições. A ausência de um meio-campista capaz de conectar as pontas — como Pedri, ainda em recuperação — agrava o problema.
Essas derrotas também levantaram dúvidas sobre o preparo físico do elenco e a gestão de grupo. O time demonstra desgaste precoce e dificuldade para sustentar intensidade por 90 minutos, algo incomum nas equipes de Flick.
O desafio agora é reencontrar o equilíbrio antes que a pressão suba ainda mais. Com jogos decisivos pela frente, o técnico do Barcelona precisa recuperar a confiança dos jogadores e, principalmente, redefinir os papéis de Raphinha e Yamal num sistema que funcione de verdade como um coletivo. Se não, o talento individual da dupla continuará se perdendo em meio a um caos tático que começa a preocupar — e muito — a torcida culé.
(Foto: Getty Images)