O UFC anunciou nesta segunda-feira (13) duas lutas de peso para o UFC 323, marcado para o dia 6 de dezembro, em Las Vegas, com a presença de Alexandre Pantoja. A luta principal da noite será a aguardada revanche entre o campeão peso-galo Merab Dvalishvili e o ex-campeão Petr Yan.
Merab vem embalado por uma sólida defesa de cinturão contra Cory Sandhagen, enquanto Yan ressurgiu com três vitórias seguidas, mostrando que ainda é um dos nomes mais perigosos da divisão.
Mas é o “co-main event” que mais nos interessa, pois será a quinta defesa de cinturão do campeão dos moscas, Alexandre Pantoja. O brasileiro enfrentará o jovem e explosivo Joshua Van.
À primeira vista, pode parecer um duelo entre experiência e juventude, um campeão estabelecido enfrentando um novato. No entanto, ao analisar com profundidade, fica claro que Van representa o maior enigma que Pantoja terá enfrentado em sua carreira até aqui.
Alexandre Pantoja é um dos campeões mais ativos e bem sucedidos da atualidade
Alexandre Pantoja é um veterano de guerras dentro do octógono. Seu caminho até o topo foi longo, repleto de obstáculos e marcado por resiliência. Suas vitórias sobre Brandon Moreno (duas vezes), Brandon Royval (duas vezes), Kai Asakura e, por fim, Kai Kara-France, mostram um lutador versátil, com um jogo de chão perigosíssimo, excelente pressão e uma mentalidade de campeão.

Pantoja não é apenas técnico, ele é emocionalmente resistente e sabe vencer mesmo em lutas sujas, físicas e desgastantes. Trata-se de um dos lutadores mais ativos e empolgantes do UFC.
Mas existe uma constante em sua trajetória: ele sempre enfrentou adversários com estilos e comportamentos táticos relativamente mapeáveis. A maioria dos seus oponentes já havia sido testada em diversas situações, com jogos mais cristalizados.
É exatamente isso que não se pode dizer de Joshua Van. Com apenas 24 anos, o lutador nascido em Mianmar e radicado nos Estados Unidos tem nove lutas no UFC, com oito vitórias, sendo algumas delas bem marcantes. Ele superou Rey Tsuruya, Bruno “Bulldoguinho” e Brandon Royval, este último em uma performance que deixou a comunidade do MMA em alerta: Van não está apenas vencendo, ele está se impondo.
Joshua Van é um lutador ainda em construção e isso o torna extremamente perigoso. Seu estilo é fluido, com um boxe técnico, volume controlado e uma capacidade rara de adaptação dentro da luta. Ele não se desespera quando pressionado, trabalha bem nos contragolpes e possui uma leitura de distância refinada para alguém tão jovem.
Ao contrário de outros strikers da divisão dos moscas, Van não precisa de blitzes constantes para ser efetivo. Ele escolhe os momentos, dosa a agressividade e executa com frieza.
E, talvez o mais surpreendente: mesmo com pouca experiência no UFC, já mostrou defesas de queda sólidas e capacidade de levantar rápido quando é colocado no chão. Ou seja, ele pode sobreviver onde Pantoja costuma matar a luta.
Essa luta coloca Pantoja diante de uma situação que ele nunca viveu como campeão: defender o cinturão contra alguém cujo teto técnico e psicológico ainda é desconhecido. Van nunca foi testado em cinco rounds, é verdade, e essa pode ser uma vantagem para o brasileiro.
No entanto, a ausência de informações completas sobre o jogo de Van é justamente o que torna essa luta tão arriscada. É o tipo de combate que exige preparo mental redobrado, ajustes rápidos e um plano de contingência para o imprevisto.
Pantoja é conhecido por vencer no caos. Mas contra Van, esse caos pode jogar contra. Se o campeão for atingido cedo, como já foi em algumas defesas anteriores, e não conseguir impor seu ritmo, o jovem desafiante pode começar a acreditar, crescer na luta e surpreender.
A luta tem tudo para ser épica
O clássico duelo entre veterano e novato, aqui, ganha contornos mais complexos. Pantoja é completo, acostumado a guerras, calejado. Mas Joshua Van ainda não conhece seus próprios limites, e essa ignorância pode ser um combustível perigoso.
Joshua Van entra nessa luta como azarão, sem pressão, com tudo a ganhar e nada a perder. E todo campeão sabe que esse tipo de desafiante é o mais perigoso. Ainda mais quando do outro lado existe um jovem com mãos rápidas e pesadas.
Enquanto todos os holofotes estarão na revanche entre Merab e Yan, os olhares mais atentos perceberão que o confronto com cara de luta da noite está no co-main event. Joshua Van não é o nome mais conhecido, nem o mais experiente. Mas ele pode ser o mais imprevisível e, no MMA moderno, isso vale ouro.
Alexandre Pantoja nunca enfrentou alguém como Joshua Van. E é por isso que esta pode ser a luta mais perigosa de sua carreira. O enigma não está em quem Van já é, mas em quem ele pode se tornar. E, se isso acontecer no UFC 323, o campeão precisará lutar no seu “prime” para manter seu reinado.
(Imagem de capa: Louis Grasse/PxImages)