O Vasco voltou a sorrir em um clássico no Maracanã. Com uma atuação sólida e um Rayan inspirado, o Cruz-Maltino venceu o Fluminense por 2 a 0 na noite desta segunda-feira, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. O resultado colocou o time de São Januário de vez na briga pela parte de cima da tabela e aumentou a confiança da equipe, que vive seu melhor momento na competição.
Com o triunfo, o Vasco chegou a 39 pontos, subiu para a oitava colocação e ficou a apenas dois do próprio Fluminense, que é o sétimo. A distância para o G6 — atualmente ocupado pelo Bahia, com 46 pontos — ainda é considerável, mas a sequência de três vitórias consecutivas dá motivos para o torcedor acreditar. O time vem mostrando evolução, consistência e uma identidade mais clara sob o comando de Fernando Diniz.
O jogo
O início foi de susto para o Vasco. Logo aos seis minutos, um erro na saída de bola quase custou caro. Barros tentou sair jogando, perdeu a posse para Lucho Acosta, e Germán Cano aproveitou para finalizar com perigo. O chute saiu forte, mas Léo Jardim, bem posicionado, fez grande defesa e evitou o gol tricolor.
O lance acendeu o Fluminense, que passou a pressionar com intensidade. A equipe de Zubeldía subiu as linhas, recuperou bolas no campo de ataque e manteve o adversário encurralado por alguns minutos. O Vasco, acuado, teve dificuldades para sair jogando com passes curtos e apelou para lançamentos longos, tentando explorar os espaços nas costas da defesa tricolor.
O Flu, por sua vez, mostrava solidez na marcação pelos lados, evitando as ultrapassagens dos laterais vascaínos. Mas bastou um descuido para o equilíbrio se romper. Aos 28 minutos, Paulo Henrique interceptou um passe no meio-campo e arrancou pela direita. Deu o passe para Rayan, que dominou, ajeitou e arriscou de fora da área. A bola desviou em Freytes e matou Fábio, morrendo no canto: 1 a 0 Vasco.
O gol mudou o clima do jogo. O Fluminense, que até então controlava as ações, sentiu o golpe. O Vasco cresceu em confiança, compactou suas linhas e passou a jogar com mais tranquilidade. Mesmo sem criar muito, conseguiu o que precisava: eficiência. O primeiro tempo terminou com vantagem vascaína, mais pela postura e disciplina do que por brilho técnico.
Na volta do intervalo, o Vasco manteve o ritmo e aproveitou o espaço que o Fluminense começou a oferecer ao se lançar mais ao ataque. O Tricolor, precisando reagir, tentou acelerar as jogadas, mas esbarrou na boa organização defensiva do rival. Zubeldía promoveu mudanças, colocou John Kennedy e Keno para tentar dar profundidade, mas o time seguiu com pouca inspiração e muitos erros de passe.
Enquanto isso, Rayan continuava sendo o grande destaque da partida. O jovem atacante, com personalidade e repertório, mostrava estar em uma noite iluminada. Aos 18 minutos, participou diretamente do segundo gol. Após boa trama pelo meio, o próprio Rayan arriscou de fora da área novamente. Fábio espalmou, e Andrés Gómez tentou aproveitar o rebote. O goleiro ainda salvou na sequência, mas Nuno Moreira apareceu livre para empurrar para as redes: 2 a 0 Vasco.
O segundo gol desmontou de vez o Fluminense. A equipe perdeu o controle emocional, errou passes simples e começou a se expor demais. O meio-campo, antes sólido, se desorganizou. O Vasco aproveitou o cenário para controlar o jogo, rodar a bola e administrar o resultado. A torcida cruz-maltina, empolgada com a atuação, embalou o time com gritos de “olé” nos minutos finais — um retrato fiel da superioridade vascaína na segunda etapa.
Zubeldía ainda tentou reagir com as entradas de Ganso e Keno, buscando recompor o toque de bola, mas a estratégia não surtiu efeito. O Flu chegou a finalizar de média distância, mas sem direção. Léo Jardim praticamente não precisou trabalhar depois do segundo gol. Quando o árbitro apitou o fim, o sentimento nas arquibancadas era claro: o Vasco foi mais eficiente, mais equilibrado e, principalmente, mais maduro.
Vasco cresce, Fluminense se perde
O clássico no Maracanã mostrou dois momentos opostos. De um lado, um Vasco em ascensão, confiante, bem treinado e com jogadores em boa fase. Do outro, um Fluminense que parece sentir o peso da maratona de jogos
O Vasco venceu porque foi pragmático. Não precisou dominar o jogo para ser superior. Soube sofrer no início, esperou o momento certo e foi letal nas oportunidades que teve. Rayan foi o símbolo disso. Com dois lances decisivos — um gol e participação direta no segundo —, o atacante mostrou maturidade e instinto de artilheiro. Além dele, Paulo Henrique foi outro destaque, pela capacidade de recuperar bolas e iniciar transições rápidas.
A defesa cruz-maltina também merece menção. Léo Jardim fez defesas seguras, Robert Renan liderou a linha de trás com autoridade, e o sistema defensivo trabalhou de forma sincronizada, evitando que Cano e companhia tivessem espaço para finalizar com clareza. Foi uma vitória construída na base da organização e da eficiência.
Já o Fluminense vive uma fase de oscilação. A equipe mostra boa estrutura tática, mas tem pecado na tomada de decisão e na execução das jogadas ofensivas. Zubeldía ainda busca alternativas para quando o time não consegue impor seu estilo de posse e triangulações curtas. Nos clássicos, essa limitação tem ficado evidente: muita bola girada, pouca profundidade e escassez de finalizações perigosas.
No fim, o Vasco saiu de campo com moral e a sensação de que pode sonhar com voos mais altos. O Fluminense, por outro lado, deixou o Maracanã sob vaias e com sinais de alerta ligados. Enquanto o Cruz-Maltino sobe na tabela e enxerga o G6 no horizonte, o Tricolor das Laranjeiras precisa reencontrar seu jogo antes que a instabilidade comprometa seus planos no campeonato.
(Foto: Jorge Rodrigues/AGIF)