A invencibilidade em casa continua, mas o Napoli voltou a decepcionar. No Estádio Diego Armando Maradona, a equipe de Antonio Conte ficou no 0 a 0 contra o Como, em partida marcada por poucas emoções e muito equilíbrio físico. O resultado mantém o time napolitano na liderança da Serie A, mas com a sensação de que a ponta está por um fio, já que a Roma ainda jogará o clássico contra o Milan em San Siro.
O empate, embora mantenha o Napoli invicto como mandante, escancara as dificuldades ofensivas que vêm aparecendo nas últimas rodadas. Faltou inspiração, ritmo e precisão, mesmo diante de um adversário que se defendeu com linhas compactas e soube impor um jogo de resistência.
O jogo
O duelo começou truncado, com muita disputa física e raras jogadas de profundidade. Foram três cartões amarelos só nos primeiros 45 minutos e inúmeros lances interrompidos por faltas. O ritmo foi constantemente quebrado, e os torcedores que lotaram o Maradona precisaram de paciência.
Logo no início, os dois times tiveram de lidar com baixas: Kempf sentiu lesão aos oito minutos e deu lugar a Diego Carlos. Do outro lado, o Napoli também sofreu: Gilmour saiu lesionado aos 38, substituído por Elmas. Os dois treinadores precisaram reorganizar suas equipes em meio a um jogo já congestionado taticamente.
Antonio Conte, que voltava ao banco após alguns dias afastado por lesão, chegou a consultar Lobotka sobre a possibilidade de entrar ainda no primeiro tempo. O eslovaco, recém-recuperado de um problema nos adutores, negou com a cabeça. Só entraria no fim, aos 88 minutos, sendo aplaudido pela torcida.
O Napoli teve mais posse de bola, mas encontrou um Como determinado a não correr riscos. O time de Cesc Fàbregas armou uma verdadeira muralha à frente da área, obrigando os donos da casa a arriscar chutes de média distância. As melhores tentativas vieram dos pés de McTominay e de Elmas, mas sem muito perigo.
McTominay, incansável, correu mais de 4,5 quilômetros só na primeira etapa, o mesmo número de Anguissa. O escocês apareceu em todos os setores: ajudando na marcação, dialogando com Neres no ataque e fechando os espaços pelo meio. Do outro lado, Addai incomodava Di Lorenzo, que teve dificuldades para contê-lo. Diao, pelo flanco oposto, também exigia atenção constante da defesa napolitana.
A grande chance do primeiro tempo veio aos 24 minutos, mas para o Como. Em uma jogada confusa dentro da área, Milinković-Savić acabou cometendo pênalti. No entanto, Morata bateu fraco e no meio do gol, permitindo a defesa tranquila de Milinković-Savić.
O panorama pouco mudou na etapa final. O Napoli até tentou aumentar o ritmo, mas seguiu esbarrando em um Como disciplinado e bem postado. Nico Paz, camisa 10 do Como, teve uma noite apagada. Lento e errático, desperdiçou passes e finalizações, arrancando suspiros de impaciência da torcida.
Conte percebeu a falta de mobilidade e mexeu logo no início do segundo tempo: tirou Spinazzola e colocou o jovem Gutiérrez. O chileno foi quem deu o primeiro chute perigoso da etapa complementar, logo aos dois minutos, exigindo boa defesa de Butez. Pouco depois, Politano também arriscou duas vezes, ambas defendidas com segurança pelo goleiro belga.
A partir daí, o jogo virou uma disputa de resistência. O Como recuava, formava duas linhas compactas e esperava o erro do Napoli. As ultimas substituições do Como foram mais para manter o fôlego defensivo do que para buscar o gol. Conte respondeu com Lang no lugar de Neres, mas a mudança pouco alterou o cenário.
Aos 80 minutos, o Napoli teve sua melhor chance: em escanteio cobrado por Politano, Højlund subiu mais alto que a defesa, mas cabeceou no meio do gol, e Butez defendeu sem dificuldade. Nos minutos finais, Conte gesticulava intensamente à beira do campo, pedindo para o time empurrar o adversário para o campo de defesa. A resposta em campo, porém, foi tímida. O Napoli continuou esbarrando na muralha montada pelo Como, que segurou o empate com autoridade até o apito final.
Napoli mantém a liderança, mas preocupa
O 0 a 0 não foi apenas um tropeço, foi um alerta. O Napoli continua invicto em casa, mas a equipe de Conte vem mostrando sinais de desgaste e falta de criatividade. Contra defesas fechadas, o time parece sem soluções. A ausência de um meia criativo no estilo clássico, capaz de romper linhas, torna o ataque previsível e dependente de lampejos individuais.
O Como, por outro lado, executou perfeitamente o plano de Fàbregas: defender com intensidade, fechar espaços e aproveitar qualquer erro adversário. Teve a chance de ouro no pênalti, mas desperdiçou. Ainda assim, mostrou organização e personalidade para segurar o líder do campeonato em pleno Maradona.
O Napoli sai com a liderança intacta, mas com a sensação de que precisa reencontrar seu brilho. Conte terá de ajustar o setor ofensivo e encontrar alternativas para variar o jogo. A Roma e o Milan, que ainda se enfrentam, observam à distância — e sabem que o trono azul, embora ainda firme, começa a balançar.