Cristiano Ronaldo
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Cristiano Ronaldo e o desafio do tempo: até quando CR7 vai jogar futebol?

Aos 40 anos, Cristiano Ronaldo continua em campo como se o relógio tivesse parado. Entre metas consideradas inalcançáveis, transformações táticas e um apetite por recordes que parece não ter fim, o português chega a mais uma etapa de sua extensa e vitoriosa carreira: na tentativa de levar Portugal ao sexto título de Copa do Mundo de sua história, se tratando de sua última dança.

Em julho de 2009, CR7 desembarcava em Dublin como o jogador mais comentado do planeta na época. Tinha acabado de trocar o Manchester United pelo Real Madrid, sem esquecer da enorme fortuna presentes nos valores envolvidos, e estava prestes a estrear em um cenário inusitado: o pequeno Tallaght Stadium, casa do Shamrock Rovers.

Dezesseis anos depois, a história se repete na mesma cidade, mas com um peso completamente diferente. Agora, Cristiano Ronaldo volta à capital irlandesa com o objetivo de garantir a vaga em seu último Mundial, o de 2026, que acontecerá nos Estados Unidos, Canadá e México. O tempo passou, os cabelos estão mais curtos (sem muito bem penteados), mas a atenção continua a mesma: ele ainda é notícia em qualquer lugar do mundo.

Cristiano Ronaldo contra o tempo

Cristiano Ronaldo sempre foi obcecado por vencer, quebrar recordes e, principalmente, manter-se relevante. Segundo o jornalista português Miguel L. Pereira, “a longevidade define quem ele é”. E parece que é isso mesmo, não tem muito o que falar sobre o assunto, é uma vontade absoluta de ser melhor, assim como ele já disse em múltiplas oportunidades.

Enquanto muitos jogadores encerram a carreira antes dos 35, CR7 segue quebrando padrões e expectativas. Ele mesmo já admitiu, em entrevista a Rio Ferdinand, que alcançar mil gols na carreira é sua meta pessoal, e está bem perto disso, com mais de 950 tentos oficiais. Não é que ele esteja fazendo poucos gols nos dias atuais, ele se apresenta como uma máquina goleadora até os dias atuais, e estamos simplesmente em 2025, quase 2026.

A lista de conquistas é longa e ajuda a entender o tamanho do craque português. Ele é o maior artilheiro da história da Champions League, o maior goleador do futebol de seleções e um dos poucos jogadores com participação em cinco Copas do Mundo, e pode se tornar o único a chegar à sexta. Nesta altura, o desafio já não é mais ganhar prêmios individuais: é vencer o tempo, e se possível, abrilhantar ainda mais a sua caminhada com a seleção de Portugal.

De ponta explosivo a centroavante calculista

O garoto que surgiu no Sporting, voava pelos lados no United e colecionava dribles no Real Madrid, na Juventus, decidiu mudar, virando um nove de área clássico, o que se estende até seus momentos atuais no Al-Nassr. Hoje, Cristiano Ronaldo não corre tanto, mas se posiciona melhor do que nunca. Vive da leitura do jogo, do faro de gol e de uma confiança inabalável que o mantém sempre perigoso dentro da área.

John O’Shea, ex-companheiro de Manchester United e hoje auxiliar técnico da Irlanda, foi direto ao ser perguntado como parar o camisa 7: “É preciso defender a área e cortar os cruzamentos.” Ou seja, todo mundo já sabe o que ele vai fazer, e mesmo assim, ele faz.

Esses acabam sendo os frutos de todo o trabalho que ele teve no decorrer de sua carreira, em questão física, condicionamento. É um jogador de 40 anos, mas não é qualquer um, se alimentando melhor que todos ao seu redor, seguindo uma dieta em prol completo ao seu futuro, algo bem semelhante ao trabalho de Novak Djokovic nos dias atuais, se trata de uma excelente comparação, de dois amantes do esporte que não querem dizer adeus a ele, e trabalham diretamente para isso.

Miguel L. Pereira resume bem essa transição: “Ele não corre muito. É um atacante que só joga dentro da área, algo quase extinto hoje em dia.” E completa: “Cristiano Ronaldo já não se encaixa no padrão das grandes equipes modernas, como PSG ou Bayern. Mas a seleção de Portugal se adapta a ele.”

Ou seja: se o futebol mudou, Cristiano Ronaldo também mudou, mas sem abrir mão de ser o centro da história.

Cristiano Ronaldo e a carreira que atravessa gerações

Poucos jogadores representam o passar do tempo no futebol como Cristiano Ronaldo. Quando estreou pela seleção portuguesa, em 2003, o capitão era Fernando Couto, um zagueiro que nasceu quando os Beatles ainda existiam.

Hoje, o mesmo Cristiano Ronaldo divide o vestiário com garotos que sequer eram nascidos quando ele fez seu primeiro jogo por Portugal. Estamos falando de nada menos que 22 anos vestindo a mesma camisa, com uma sequência de transformações físicas, táticas e emocionais que poucos atletas na história conseguiram sustentar, e sobrevivê-las.

E se alguém achava que o fim chegaria na Euro 2024, quando Portugal foi eliminado nos pênaltis pela França, se enganou. Desde então, Cristiano Ronaldo já marcou 13 gols internacionais, mostrando que ainda há combustível (e motivação) para mais um ciclo.

A era dos veteranos que desafiam o relógio

Cristiano Ronaldo não está sozinho nessa luta contra o tempo. LeBron James, também com 40 anos, segue brilhando na NBA e, de quebra, joga ao lado do próprio filho nos Lakers. No tênis, Novak Djokovic acaba de conquistar o 101º título da carreira e planeja disputar as Olimpíadas de 2028, aos 41.

Mas há uma pequena diferença, não tanto para Djoko nesta conversa: para Cristiano Ronaldo, a longevidade é o legado. Ele quer ser lembrado não apenas como um craque, mas como o jogador que desafiou as regras biológicas do futebol moderno. A obsessão por ser eterno em campo virou parte da sua própria narrativa.

A pergunta que não quer calar: até quando Cristiano Ronaldo vai jogar?

O próprio Cristiano Ronaldo já confirmou que o Mundial de 2026 será o último. Mas, conhecendo o português, é difícil apostar que de fato será o ponto final da caminhada de CR7. O corpo ainda responde, a cabeça segue competitiva e o ego, bem, esse nunca se aposenta.

Miguel L. Pereira explica o que mantém o craque ativo: “Desde meados da década de 2010, ele percebeu que não ganharia o comparativo emocional com Messi. Então decidiu competir em números: gols, títulos, recordes. Coisas que se contam.”

Por essas e outras, que CR7 se apresenta com um combustível interminável, ele quer fazer tudo o que está em sua visão, para ter seu toque em cada grande momento da história do futebol. E do jeito que as coisas estão se encaminhando, ele vai conquistar tudo o que tanto deseja.

Seja com gols de pênalti em jogos mornos, ou com atuações decisivas que lembram seus dias de glória, Cristiano Ronaldo continua sendo o mesmo fenômeno midiático que surgiu há duas décadas. Até então, o tempo não foi capaz de vencê-lo. Mas está cada vez mais perto desta ocasião. E como todo mundo sabe, em jogos grandes, Cristiano Ronaldo adora decidir nos acréscimos.

Foto: Getty Images