Ao longo do último mês, o meio-campo do Real Madrid perdeu intensidade: primeiro na derrota por 1 a 0 para o Liverpool na UEFA Champions League e depois no empate sem gols contra o Rayo Vallecano, em La Liga. Aquela que antes era a zona de domínio absoluto da equipe, a engrenagem que impulsionava grande parte das vitórias, hoje parece abandonada. A circulação de bola mudou. Já não passa mais pelo núcleo da equipe, mas se espalha pelas laterais. Em poucas semanas, o time de Xabi Alonso saiu de uma estrutura central sólida para um jogo excessivamente empurrado para as pontas.
As estatísticas confirmam a queda de desempenho vista em campo no Real Madrid. Contra o Getafe, o time registrou 327 passes no campo adversário e 149 no terço final, mas com apenas 75% de precisão — a mais baixa do mês, empatando com Vallecas. Naquele jogo, faltou um meia mais agressivo; Arda Güler entrou apenas na segunda etapa e foi ele quem serviu Mbappé no único gol da partida. A equipe sentiu profundamente a falta de ligação entre meio e ataque. Três dias mais tarde, diante da Juventus pela UEFA Champions League, o panorama mudou completamente: 393 passes no campo rival, 212 no terço final e uma taxa de acerto de 85%.
Foi uma das exibições mais dominantes do Real Madrid contra um adversário em crise, com Tchouaméni e Arda Güler sustentando o centro do campo e Jude Bellingham ainda participando ativamente da construção das jogadas. Mas o equilíbrio durou pouco. Contra o Barcelona (117/79), o volume de passes no setor ofensivo caiu drasticamente; diante do Valencia (473/263), reapareceu, embora sem a mesma consistência. Depois vieram Anfield e Vallecas: apenas 255 e 191 passes no campo ofensivo, respectivamente, com cerca de 73% de acerto.
O número de sequências ofensivas que chegavam ao terço final despencou de 126 contra o Valencia para apenas 55 em Vallecas — queda superior a 50%. A movimentação da bola no Real Madrid permaneceu limpa, mas com cada vez menos impacto. Os padrões de passe revelam uma alteração estrutural profunda. Em Getafe, a formação era compacta, com um triângulo claro entre os volantes e Bellingham, que facilitava a ligação central. Em Vallecas, porém, o desenho se esticou. Camavinga e Güler se sobrepunham, e o inglês passou a atuar mais isolado.
As linhas de passe se deslocaram para os flancos. Diante das dificuldades de progredir pelo centro, laterais como Valverde e Álvaro Carreras se tornaram os principais iniciadores de jogadas. O jogo interior, antes forte, dissolveu-se em uma teia mais ampla, porém bem mais vulnerável. Essa mudança ainda foi agravada por outros fatores. Sem Tchouaméni, machucado, e com o uruguaio deslocado para a lateral, o meio do Real Madrid perdeu autoridade. Bellingham, por sua vez, avançou mais no campo. Seu mapa de calor evidencia isso: contra o Getafe, ele recuava para ajudar na construção; em Vallecas, quase não tocou nesse setor.
A nova função rendeu maior presença ofensiva, mas retirou do Real Madrid um dos seus principais articuladores de jogadas. Nesse vazio, outra conexão fundamental também enfraqueceu: a entre Arda Guler e Mbappé, que depende de uma equipe capaz de progredir pelo meio. O problema não está na precisão: os erros de passe no próprio campo seguem estáveis — entre 9 e 17 por jogo. O time ainda cuida bem da posse, mas agora faz a bola percorrer distâncias maiores do que o ideal. A mudança não é apenas no como, mas no onde.
O Real Madrid não perdeu qualidade técnica, mas sim densidade no setor. Continua dono da posse, mas já não a controla com a mesma autoridade. Recuperar o domínio do meio-campo é menos uma questão numérica e mais uma questão de identidade. E será justamente nesse ponto que Xabi Alonso terá trabalho durante a pausa para a Data Fifa de novembro. Ele precisa reconstruir conexões em uma equipe que ainda joga bem, mas abandonou a zona onde sempre foi mais letal para incomodar seus adversários.

Real Madrid: um meio-campo antes dominante agora revela fragilidades
O Real Madrid, que por anos sustentou seu sucesso na força de sua medular, vive um momento de instabilidade justamente no setor que sempre foi sua marca registrada.
Da superioridade ao desequilíbrio
Em ciclos recentes, o meio-campo do Real Madrid era o coração criativo e defensivo da equipe, com Toni Kroos, Luka Modrić e Casemiro impondo ritmo, equilíbrio e leitura de jogo. Mas com o envelhecimento e a saída desses pilares, o vazio se tornou evidente.
Especialistas têm sublinhado que o Real Madrid já não conta com alguém capaz de ditar o ritmo como Kroos fazia, nem com a genialidade de Modrić para desmontar defesas fechadas.
Dúvidas táticas e escolhas arriscadas
No processo de renovação, o clube apostou em jovens como Valverde, Bellingham, Tchouaméni e Guler para assumir a medular. Apesar de talentosos, ainda não fornecem a regularidade dos antecessores. Além disso, há críticas sobre a falta de equilíbrio na atual montagem.
Tchouaméni, de perfil defensivo, ainda não se mostrou capaz de oferecer ao mesmo tempo proteção constante e construção de jogadas. Já Güler, promissor, ainda está em fase de maturação e não pode carregar sozinho a criação ofensiva.
Reflexos imediatos em campo
Esse “vazio no meio-campo” fica nítido nos jogos mais duros: o Real Madrid sofre para construir jogadas com controle e encontra dificuldades para recuperar a bola no terço intermediário. A transição entre defesa e ataque perdeu fluidez, reduzindo o impacto ofensivo e expondo o time a contra-ataques.
A ausência de um jogador que controle o ritmo afeta diretamente a posse e a paciência na construção — características que antes eram inegociáveis na equipe.
Impacto no planejamento esportivo
A situação já despertou preocupação na diretoria. Há indícios de que o clube pretende reforçar o setor na próxima janela de transferências para corrigir a defasagem estrutural.
Enquanto isso, Xabi Alonso, recém-chegado, busca um sistema que maximize o talento dos jovens sem deixar as deficiências herdadas do pós-Kroos/Modrić/Casemiro comprometerem o desempenho.
Conclusão
Se o Real Madrid quiser voltar ao protagonismo continental, precisará resolver o problema no meio-campo. A engrenagem que antes era sinônimo de força agora representa um risco estratégico — e isso pode cobrar caro em partidas decisivas.

Real Madrid tenta reencontrar o equilíbrio no meio-campo após a Data Fifa e mira evolução contra o Elche
Com o fim da Data Fifa de novembro, o Real Madrid retoma as atividades com foco total em reorganizar um meio-campo que se tornou alvo de críticas. A equipe volta a campo em 23 de novembro de 2025, diante do Elche, em La Liga — um confronto visto como crucial para recuperar estabilidade e identidade.
Um setor que perdeu consistência
A medular, historicamente o ponto de maior força do clube, atravessa um período irregular. Oscilações de Tchouaméni, desgaste físico de alguns titulares e dificuldade em manter intensidade durante toda a partida reduziram tanto a fluidez ofensiva quanto a solidez defensiva. Nos duelos mais recentes, o time mostrou pouca capacidade de controlar o ritmo — algo antes natural.
A pausa, mesmo com parte do elenco servindo suas seleções, deu tempo para Alonso rever padrões, corrigir posicionamentos e repensar como distribuir funções entre veteranos e jovens.
Ajustes planejados por Xabi Alonso
O treinador pretende recuperar a ideia de um meio-campo mais dinâmico, que saiba alternar aceleração e cadência conforme o contexto. Entre os ajustes trabalhados estão:
Reposicionamento de Bellingham, aproximando-o da saída de bola para qualificar o primeiro passe.
Valverde com papel híbrido, oscilando entre cobertura e chegada à área, retomando seu perfil box-to-box.
Tchouaméni mais protegido, com responsabilidades melhor distribuídas, para evitar que fique exposto.
Minutagem progressiva para Arda Güler, que oferece criatividade, mas ainda precisa de constância.
A meta é encontrar um trio ou quarteto capaz de entregar intensidade, controle e profundidade — elementos perdidos nas últimas semanas.
Retornos, dúvidas e gestão física
O Departamento Médico terá influência direta nas decisões do Real Madrid. Jogadores que voltaram de suas seleções sem desgaste excessivo devem estar disponíveis. Camavinga e Valverde são monitorados de perto, pois ambos somam muitos minutos e são fundamentais para dar mobilidade ao setor.
A condição física incerta de alguns atletas abre brechas para alternativas. Alonso não descarta usar Nico Paz em momentos específicos, especialmente quando o jogo exigir criatividade entre linhas.
O duelo contra o Elche como ponto de virada
O confronto no Santiago Bernabéu é visto como um teste ideal para experimentar novas combinações. O Elche tende a se fechar com linhas curtas, exigindo paciência, circulação rápida e precisão no último passe — exatamente o que o Real tenta recuperar.
Além disso, o duelo inaugura uma sequência decisiva antes do fim do ano, com compromissos pela Champions e por La Liga que podem redefinir a temporada.
Planejamento para a janela de janeiro
Embora Alonso procure soluções internas, a diretoria já estuda nomes para reforçar o meio-campo em janeiro. A prioridade é um jogador capaz de ditar o ritmo — um perfil semelhante ao que Kroos representava. A intenção é ampliar o leque tático do treinador e reduzir a dependência de improvisações.
Resumo final
Com o retorno da Data Fifa, o Real Madrid sabe que o coração da equipe — o meio-campo — é a chave para recuperar competitividade. A partida contra o Elche representa mais que três pontos: inaugura um processo de reconstrução da identidade de um setor que sempre foi a espinha dorsal merengue.
(Foto: Getty Images)