Como
Futebol Serie A

Como de Fàbregas desafia os gigantes na Serie A italiana; Confira

Se é fácil se perder admirando o cenário do Estádio Giuseppe Sinigaglia — casa do Como 1907, com sua vista para o lago, encostas dramáticas e a presença eventual de uma celebridade nas arquibancadas — o que realmente prende a atenção está dentro das quatro linhas. Sob o comando do técnico espanhol Cesc Fàbregas, o time lombardo transformou-se numa das formações mais sólidas da Série A: sereno com a bola, feroz sem ela e cada vez mais complicado de superar.

A entrada na primeira metade da tabela de classificação da Serie A na última temporada encerrou um jejum de vinte anos na elite do futebol italiano; nesta campanha, porém, o Como apresenta um perfil totalmente renovado. Em onze partidas, perdeu apenas uma vez, lidera o ranking de pressão na divisão e mantém a posse com mais eficiência do que potências como Juventus, Milan e Internazionale. Não é apenas uma exibição de força — é um projeto robusto ganhando contornos definitivos.

O clube somou 18 pontos nas onze primeiras rodadas, o dobro do que havia conquistado no mesmo estágio no ano anterior, e alcançou seu melhor início desde 1949/50. Na verdade, registra sua maior média de pontos por jogo em qualquer temporada da Série A (1,64). Os resultados comprovam a ascensão: venceu a Juventus por 2 a 0 com tranquilidade e arrancou um ponto valioso do atual campeão Napoli. A décima posição na última campanha fez do Como apenas o segundo time recém-promovido em mais de dez anos a terminar na parte superior da tabela. Agora, o início de temporada indica algo maior do que uma simples adaptação à elite.

Desde a pausa internacional de março, o Como perdeu apenas duas de suas últimas 20 partidas — marca superior à de qualquer outra equipe da liga — e hoje ocupa a sétima posição, figurando como quarto colocado no modelo de pontos esperados (xPts) da Opta. O crescimento é sustentado por um elenco que raramente perde o controle do jogo, com ou sem a bola. Fàbregas montou uma equipe que sufoca adversários com intensidade constante e impondo um ritmo incansável.

Consequentemente, o Como lidera os turnovers de alto nível na Série A (86), aparece com o quarto maior número de sequências de pressão (130) e acumula o maior volume de ações defensivas (375). Seu PPDA de 7,8 — o mais baixo da Itália e também das cinco principais ligas europeias — evidencia uma pressão extrema e coordenada. Jogar contra o Como é desconfortável por um motivo claro: o pouco espaço concedido ao adversário para construir jogadas. Além disso, o time cometeu 180 faltas na temporada, a segunda maior marca da liga, reforçando sua intenção de quebrar o ritmo alheio sempre que necessário.

Não surpreende que os adversários tenham dificuldades para avançar: eles são empurrados para o ataque a uma velocidade média de 1,99 metros por segundo — a mais alta contra qualquer equipe da Série A. Mesmo quando conseguem desenvolver alguma jogada, encontram dificuldades para mantê-la. Apenas os rivais da Roma registram menos passes por sequência (2,67) do que os do time lombardo (2,73), e apenas 48 sequências adversárias chegaram a 10 passes ou mais — terceiro menor número do campeonato.

Essa estatística traduz uma pressão constante que compacta espaços e induz decisões apressadas. Embora o foco sempre recaia sobre a pressão alta, o efeito mais direto é um desempenho defensivo excepcional: o Como tem a segunda melhor defesa do torneio (6 gols sofridos) e supera com folga a expectativa de gols contra (xGA) de 10,37. Apesar disso, não se trata de um time recuado. A equipe joga com linha defensiva alta, forçando impedimentos em média a 30 metros do próprio gol — a terceira maior marca da Série A. É mais um indício de uma equipe que busca manter o perigo o mais longe possível de sua área.

No ataque, o domínio da posse é igualmente impressionante. O Como tem a maior posse de bola da liga (60,4%), além de liderar em passes tentados e completados no próprio campo (2.803 e 2.593, respectivamente). O time não apenas conserva a bola, como a utiliza para manipular o adversário: atrai, gira, sobrecarrega setores e progride com método. Não por acaso, é uma das equipes que menos recorre a passes longos — apenas 7,7% de suas ações são bolas esticadas, segunda menor taxa da competição. Tudo começa pelo controle.

Foto: Getty Images

Como 1907 desafia gigantes da Serie A e mira consolidação no cenário nacional e internacional

O Como 1907 tornou-se uma das histórias mais surpreendentes e envolventes do futebol italiano recente. Após anos de instabilidade nas divisões inferiores e desafios estruturais, o clube vive uma profunda transformação — dentro e fora de campo — que o colocou frente a frente com algumas das maiores potências do país.

Guiada por um projeto esportivo ambicioso, a equipe deixou de ser coadjuvante e passou a exibir uma identidade competitiva, clara e moderna. Com um estilo de jogo baseado em posse, intensidade e pressão coordenada, o Como combina desempenho consistente, resultados relevantes e uma identidade reconhecida nacionalmente.

Identidade tática sólida e competitividade em ascensão

A força do Como não se limita aos números; ela salta aos olhos na maneira como o time se comporta em campo. A equipe adota postura proativa: pressiona alto, organiza a saída com paciência e dita o ritmo das partidas até contra adversários tradicionais. Esse modelo tem permitido enfrentar — e incomodar — clubes habituados ao topo da tabela, garantindo pontos importantes e mostrando consistência mesmo contra elencos mais experientes.

O estilo ajuda a encurtar diferenças técnicas: a defesa é compacta e coordenada, enquanto o ataque trabalha com fluidez, alternando triangulações curtas e infiltrações rápidas. O padrão tático já é visto por analistas como um dos mais interessantes da Série A.

Projeção internacional e fortalecimento institucional

A evolução dentro de campo é acompanhada por estabilidade fora dele. O Como atravessa uma fase de crescimento administrativo, com investimentos estruturais que projetam o clube internacionalmente. A soma de boa gestão, visão de longo prazo e modernização da estrutura sustenta um ambiente adequado para que o projeto avance de forma sustentável, sem depender exclusivamente dos resultados imediatos.

Com isso, o clube passa a despertar atenção global — seja pelo modelo de jogo, pelo desenvolvimento de jovens talentos ou por figuras internacionais associadas ao projeto. O Como deixa de ser mero participante da Série A e passa a se posicionar como candidato a, em breve, buscar vagas europeias.

Um novo protagonista em ascensão

O projeto ainda está em fase de construção, mas seus efeitos já são evidentes. O Como desafia favoritos, provoca desconforto nos gigantes e demonstra uma maturidade competitiva rara para um clube que voltou recentemente à elite.

Com direção firme, trabalho coletivo e evolução nítida, o time lombardo demonstra que não pretende apenas permanecer na Série A — quer se firmar e, a médio prazo, disputar espaço no cenário europeu.

Foto: Getty Images

Nico Paz ou Morata? Quem é mais importante para o Como na temporada

No centro da surpreendente campanha do Como, dois nomes se destacam: Nico Paz, jovem meia de enorme potencial, e Álvaro Morata, atacante experiente e figura de referência. Exercendo papéis distintos na estrutura tática, ambos se tornaram fundamentais, o que abriu discussão sobre qual deles exerce maior impacto na atual temporada.

Nico Paz: o cérebro criativo

Com apenas 21 anos, Paz assumiu a função de organizador das ações ofensivas e rapidamente tornou-se o principal articulador da equipe. Atuando entre linhas, oferece ritmo, inteligência e a capacidade de desmontar defesas por meio de passes, conduções e movimentações que atraem marcadores. Lidera indicadores criativos e torna o ataque do Como mais imprevisível e fluido.

Sua presença é essencial para um modelo baseado em posse e pressão coordenada. Sem ele, o time perde dinamismo e criatividade, tornando-se mais dependente de bolas longas ou iniciativas individuais.

Álvaro Morata: a referência que dá estrutura ao ataque

Se Paz pensa, Morata estrutura. Mesmo sem números impressionantes de gols até aqui, o espanhol cumpre papel tático indispensável. Ele recua para participar da construção, prende zagueiros, abre espaços e funciona como pivô em transições curtas. Sua experiência em grandes clubes europeus elevou o nível competitivo do elenco e trouxe liderança a um grupo jovem.

Quando Morata está em campo, o Como controla melhor o ritmo e encontra mais referências ofensivas.

Quem é mais importante?

No modelo atual, Nico Paz se mostra mais determinante. Sua influência na criação de jogadas, sua leitura e seu impacto direto na produção ofensiva tornam-se fatores que elevam o patamar da equipe.

Morata, por sua vez, é uma peça estrutural — fundamental para o equilíbrio e para o funcionamento coletivo — mas até aqui menos decisivo do que seu currículo poderia sugerir.

Em resumo: Morata é o pilar tático; Paz é o diferencial técnico. E é esse diferencial que tem impulsionado o Como a um novo nível no futebol italiano.

(Foto: Getty Images)