Allegri, Milan Napoli
Futebol Serie A

O plano de Allegri para o dérbi de Milão

O clima em Milão promete ser congelante no domingo, mas dentro de San Siro a história vai ser outra. Inter e Milan chegam para um derby que vale muito mais do que três pontos. Vale moral, peso de camisa, narrativa de temporada e, claro, um impacto direto na tabela. Para Massimiliano Allegri, o jogo tem ainda um significado extra: é a chance de reabrir um capítulo que ficou em aberto desde 2013, quando sua passagem pelo Milan terminou de forma brusca depois de um período turbulento.

O histórico dele no clássico é equilibrado: oito jogos, três vitórias, um empate e quatro derrotas. Nada que assuste Allegri, que sempre tratou o derby como um jogo em que detalhes mudam tudo — e é justamente nesses detalhes que ele está se concentrando para tentar surpreender Chivu. O técnico romeno montou uma Inter organizada, compacta e difícil de desmontar, mas Allegri acredita que há brechas para explorar.

A ideia do treinador do Milan é simples: reduzir ao máximo os pontos fortes da Inter e criar pequenos desequilíbrios com movimentações rápidas, liberdade ofensiva e transições mais diretas. E, dentro desse plano, três decisões se destacam como centrais.

Leão como referência técnica

No primeiro ponto do plano, Allegri mira no passado para tentar repetir uma fórmula que funcionou. O técnico viveu seu primeiro derby em novembro de 2010, quando Ibrahimovic decidiu o jogo sozinho. Aquele Milan virou campeão italiano e venceu a Supercopa em seguida, muito impulsionado pelo impacto individual do sueco. Agora, Allegri quer algo parecido de Rafael Leao.

Leao terá liberdade total para se movimentar e buscar o lance que muda o jogo. Não haverá cobranças táticas exageradas, nem pedidos para marcar demais. A missão do português será ser imprevisível, atacar espaços, acelerar quando tiver campo e ser o jogador capaz de decidir a partida em um detalhe. Allegri quer que ele assuma o papel de líder técnico, o mesmo que Ibra interpretou tantas vezes.

Essa liberdade ofensiva também vale para Pulisic. O americano vai flutuar por todo o setor ofensivo, sem posição fixa, justamente para não dar padrão nenhum à defesa da Inter. A ideia é fazer a zaga nerazzurra perder referências, algo que pode desgastar até os sistemas mais organizados, como o de Chivu. Pulisic já fez isso em um derby na temporada passada e deu certo.

Allegri, Rafael Leão, Milan

Bartesaghi ganha moral

A segunda decisão de Allegri está na lateral esquerda. O treinador não esconde que está inclinado a escalar Bartesaghi, deixando Estupiñán como opção no banco. É uma escolha que mistura confiança, leitura de jogo e necessidade defensiva. Allegri admira muito o jovem de 2005 formado no Milan e acredita que ele entrega mais segurança sem a bola, algo crucial contra uma Inter que gosta de criar superioridade pelos lados.

E a defesa do Milan realmente precisa de ajustes. Os seis gols sofridos nos jogos contra Fiorentina, Pisa, Atalanta e Parma foram um alerta claro. A semana de treinos foi voltada para corrigir posicionamentos, transições defensivas e situações em que o time fica exposto. Com Bartesaghi, Allegri sente que a linha defensiva fica mais estável e menos vulnerável no um contra um.

Além disso, a volta de Tomori dá um peso enorme ao sistema defensivo. O inglês retorna como titular e isso trouxe um alívio visível ao staff técnico. Para Allegri, Tomori é o pilar da linha, o jogador que organiza, corrige e passa segurança ao resto do time. Esse retorno tem quase o mesmo peso de uma contratação no meio da temporada.

Rabiot como chave do meio

A terceira peça do plano tático passa diretamente pelo centro do campo. Allegri considera que o duelo entre Rabiot e Barella será um dos pontos decisivos do jogo. A missão do francês não é simples: diminuir o tempo e o espaço de Barella, impedir que ele construa com liberdade e, ao mesmo tempo, ajudar Modric a escapar da provável marcação individual que a Inter deve aplicar.

Rabiot vai precisar impor sua força física, porque esse é um dos poucos pontos em que o Milan consegue equilibrar o duelo com a Inter. Além disso, será o jogador responsável por acelerar a transição ofensiva quando o Milan recuperar a bola. Allegri quer um time que saia rápido, sem carregar demais e sem dar tempo para a Inter reorganizar sua estrutura defensiva.

O treinador sabe também que Rabiot não dura o jogo inteiro em alta intensidade. A autonomia física dele gira em torno de 60 a 70 minutos. Então, o plano envolve uma substituição planejada, com o Milan precisando chegar ao último terço do jogo com a estratégia ainda viva. Esse equilíbrio pode ser determinante.

O Milan de Allegri chega preparado

No final das contas, o Milan chega para o derby com um plano claro e com ajustes bem definidos. Allegri tentou criar um sistema que mescla liberdade ofensiva, solidez defensiva e força no meio. É um time que pode sofrer em alguns momentos, mas também pode gerar problemas sérios para uma Inter que costuma dominar o ritmo dos clássicos.

O jogo é imprevisível, gelado por fora, quente por dentro e cheio de camadas táticas. E, se o plano de Allegri funcionar, esse derby pode marcar um novo capítulo da sua história com o Milan — talvez até o recomeço que ele queria lá atrás, em 2013.