Lanús x Atlético
Futebol Copa Sul-Americana

Lanús segura pressão, aposta na disciplina tática e conquista a Copa Sul-Americana contra o Atlético-MG

A Copa Sul-Americana de 2025 terminou como começou: com equilíbrio, tensão e muita marcação. Em uma final amarrada no estádio neutro escolhido pela Conmebol, Lanús e Atlético Mineiro protagonizaram um duelo duro, físico e de raras oportunidades claras. O 0 a 0 persistiu durante os 90 minutos e também na prorrogação, empurrando a decisão para os pênaltis. E foi ali que o grande nome da campanha argentina resolveu mais uma vez aparecer. Com três defesas, o goleiro Lucas Losada foi o herói do título do Lanús, que vence novamente um torneio continental sustentado por organização, entrega e resiliência.

Do lado atleticano, o clima foi de frustração. As principais referências técnicas não renderam, e a equipe de Jorge Sampaoli, mesmo tentando se impor em vários momentos, pecou demais na finalização. Já o Lanús, consciente da inferioridade técnica, apostou todas as fichas em seu plano de jogo: defender com disciplina, reorganizar linhas com rapidez e sobreviver até onde fosse possível. Conseguiu. E quando os pênaltis chegaram, a confiança em Losada fez o resto.

Final travada e poucas brechas

O início do jogo foi lento, estudado, com os dois times evitando riscos. O Atlético tentava acelerar o jogo a partir de Alan Franco, liberado para atuar depois de cumprir suspensão. O volante era o ponto de equilíbrio da equipe mineira e comandava a distribuição de jogo, enquanto o time buscava paciência para abrir espaços com posse controlada.

O Lanús, como já havia mostrado em outras fases do torneio, chamou o Atlético para o seu campo, disposto a encaixar transições rápidas. E foi justamente após erros seguidos de Ruan na saída de bola que surgiu a primeira finalização da partida. Carrera arriscou de fora, mas Éverson defendeu sem maiores problemas. A resposta atleticana veio em sobra de bola nos pés de Alan Franco, que finalizou por cima.

Um dos elementos táticos que mais chamou atenção no primeiro tempo foi a movimentação de Guilherme Arana. O lateral buscava constantemente o corredor central, ajudando a formar um 3-2-5 na fase ofensiva. Com isso, o Lanús precisava ajustar sua estrutura defensiva, alternando de um 4-4-2 para um 5-3-2, tentando acompanhar os deslocamentos atípicos de Arana e Bernard. Em alguns momentos, houve descoordenação evidente entre os marcadores argentinos, mas o Atlético não conseguiu transformar isso em chances reais.

O lance mais perigoso da etapa inicial veio aos 26 minutos. Bernard cobrou falta com a canhota e, mesmo sem muito ângulo, acertou a trave. Foi o único momento em que Losada viu um perigo real, mas não precisou intervir. O restante do primeiro tempo foi marcado por interrupções, disputas físicas e muitas tentativas improdutivas.

Segundo tempo segue travado, e Losada começa a brilhar

Na volta do intervalo, o panorama continuou. O jogo seguiu truncado, com muitas faltas e poucas jogadas limpas. Após inúmeros erros no último terço, o Atlético finalmente criou uma boa jogada aos 13 minutos. Igor Gomes inverteu rapidamente para a esquerda, Dudu puxou para dentro e finalizou forte. Losada reagiu com reflexo impressionante e evitou o gol mineiro, em sua primeira grande defesa da noite.

A partir daí, o Atlético passou a acionar mais seus zagueiros para criar superioridade numérica nas laterais. Junior Alonso avançou diversas vezes e, aos 21 minutos, arriscou chute de longe, mas sem direção. Sampaoli percebeu a dificuldade do time em criar espaços por dentro e colocou Gustavo Scarpa no lugar de Bernard, buscando chutes de fora da área. Ainda assim, o Lanús manteve-se inabalável na defesa. Losada, protegendo a meta com segurança, quase não teve trabalho até o fim do tempo regulamentar.

Prorrogação mantém o ritmo da partida e leva o duelo aos pênaltis

Se havia esperança de que a prorrogação daria fôlego ao confronto, ela durou pouco. O cenário se manteve idêntico ao dos 90 minutos: Atlético com a bola, Lanús fechando espaços, e pouquíssimos lances de perigo. As duas melhores oportunidades surgiram nos pés de Biel. Primeiro, Scarpa levantou na medida, e o atacante cabeceou fraco nas mãos de Losada. Depois, Hulk lançou Biel na área, mas o goleiro argentino saiu rápido, fechou o ângulo e bloqueou o chute.

Com o 0 a 0 consolidado, a decisão foi para os pênaltis. Everson ainda conseguiu pegar uma cobrança e tentou se impor psicologicamente, mas seus companheiros não ajudaram. Biel e Hulk, que já haviam feito partida fraca, pararam em Losada. Nas alternadas, Victor Hugo também teve seu chute defendido, dando números finais à disputa.

Um herói argentino e a queda atleticana

Lucas Losada encerrou a Sul-Americana como o protagonista absoluto do Lanús. Suas três defesas nos pênaltis selaram o título, premiando a estratégia de um time que soube reconhecer suas limitações e jogar dentro do seu modelo. O Atlético, por outro lado, deixou o campo com sensação amarga. A equipe teve mais posse, mais chegada e mais controle territorial, mas faltou precisão, agressividade e calma no último toque.

A final teve cara de 0 a 0 do começo ao fim, e acabou decidida por quem soube fazer mais quando o jogo terminou: o goleiro que fechou o gol quando mais importava. Para o Lanús, taça na bagagem e celebração. Para o Galo, resta digerir a frustração e reorganizar o caminho.

Foto: Buda Mendes/Getty Images