Em busca do tetra na Libertadores, o Flamengo precisou fazer uma reconstrução nos últimos anos. Há 12 anos, o Rubro-Negro se encontrava no fundo do poço, com salários atrasados e enormes dívidas. A volta por cima foi acontecendo com calma nos anos seguintes.
Apesar do título da Copa do Brasil em 2013, a realidade ainda era complicada nos bastidores. Para chegar onde está hoje, com a possibilidade de se tornar o único brasileiro tetra na Liberta, o Mengão teve alguns momentos que levam o clube ao sucesso atual. Entenda o que faz o clube carioca ter o status atual no futebol nacional.
Momentos que transformaram o Flamengo
Eleição de Bandeira de Mello
Até então desconhecido no cenário do futebol brasileiro, Eduardo Bandeira de Mello foi eleito para o triênio de 2013-2015. Foi o primeiro passo para a reconstrução do clube carioca. Sua campanha tinha a promessa de focar na redução da dívida daquele período, e o fez. Para isso, acabou tomando decisões que nem sempre foi popular entre os torcedores.
A final da Copa do Brasil de 2013 teve valores mais altos, por exemplo. Contudo, gerou uma renda de R$ 9,7 milhões e, segundo o próprio ex-presidente no documentário ‘A Reinvenção do Flamengo’, “foi o que permitiu o Flamengo pagar o 13º salário”. Não só isso, mas a sua gestão também liberou alguns grandes nomes do time na época.
Vagner Love foi um desses. O Mengão tinha uma grande dívida com o CSKA pela compra do jogador. Para perdoar o valor, cerca de R$ 16 milhões ao fim de 2012, a proposta foi para o retorno do jogador a Rússia. Love era a grande estrela do Rubro-Negro, mas não havia como arcar com os compromissos e pagar as parcelas do contrato.
Em entrevista ao ESPN, Bandeira de Mello revelou que a dívida do Flamengo era de cerca de R$ 800 milhões. Pelo outro lado, o receita era por volta de apenas R$ 200 milhões. Essa situação financeira também levou o clube a ficar sem credibilidade no mercado e entre os próprios torcedores. Conseguindo fazer um bom trabalho inicial, Bandeira de Mello foi reeleito para 2016-2018.
Mantendo o processo de reestruturação do time, foi diminuindo a dívida aos poucos. Ao entregar para a gestão de Rodolfo Landim, já havia mais faturamento do que dívidas. E, mesmo que os títulos tenham demorado um pouco mais para vir, a situação financeira foi organizada no mandato de Bandeira.
Contratações de peso, mas com calma
Nos últimos anos, o Flamengo trouxe diversas estrelas para o clube. Após a crise vivida, um dos primeiros a chegar foi Paolo Guerrero, em 2015. O contrato era alto, mas o time já conseguia manter os seus acordos. O peruano não rendeu o esperado, só que acabou marcando a mudança do Rubro-Negro no mercado.
Diego Alves e Everton Ribeiro chegaram em 2017. Ambos custaram bem menos que Guerrero, contudo, os dois fizeram história com a camisa do Fla. Gabigol, Bruno Henrique e Arrascaeta foram anunciados em 2019. Todos viraram ídolos da torcida e BH e Arrasca continuam no elenco atual.
Para sair da crise que viveu no passado, a diretoria soube lidar com a falta de estrelas. E, quando a situação passou a melhorar, soube contratar jogadores que fizeram a diferença. Com exceção do peruano, os citados fizeram, e alguns ainda fazem, história pelo Flamengo.
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Chegada (e saída) de Jorge Jesus
2019 foi um divisor de águas para o Flamengo. O clube trouxe alguns ídolos, mas é alguém que a torcida guarda mágoa que transformou o time. O técnico Jorge Jesus foi anunciado em junho de 2019, substituindo Abel Braga no comando da equipe. Ficando por um pouco mais de um ano, se tornou um dos maiores treinadores da história rubro-negra (para muitos, o maior).
Revolucionando o Mengo, o português conquistou cinco títulos e sofreu apenas quatro derrotas. Em um período de hegemonia no futebol sul-americano, foi campeão da Libertadores, Recopa Sul-Americana, Brasileirão, Supercopa do Brasil e Campeonato Carioca. Sua chegada colocou o time em outro patamar.
Seu estilo encantou a torcida e Jorge Jesus foi quem, após longos anos de reconstrução, conseguiu firmar o sucesso do Flamengo. Além do estilo em campo, o técnico transformou também os bastidores. Mudando a forma de trabalhar do clube, foi responsável pela validação da reconstrução do time.
Apesar de já ter feito as mudanças, o Rubro-Negro só havia conquistado títulos estaduais após a Copa do Brasil de 2013. Na Libertadores, rivais faziam piadas sobre como a equipe não tinha sucesso. O histórico recente não ajudava, sendo eliminado na fase de grupos em 2012, 2014 e 2017. Em 2018, parou nas oitavas de finais e, nos outros anos desse período, sequer se classificou.
Jorge Jesus conseguiu transformar o grande elenco em um grupo campeão. E, mesmo com a sua saída em 2020, isso nunca mais mudou.

Foto: Divulgação/Flamengo