Longe da atuação ideal, mas ainda assim eficiente, o Real Madrid saiu de Atenas com uma vitória importante por 4 a 3, encerrando uma sequência atípica de tropeços nesta temporada — independentemente da competição. Três derrotas consecutivas incomodam qualquer elenco, e no caso dos merengues não seria diferente. Por isso, superar o Olympiacos nesta quarta-feira (26) pela fase de liga da UEFA Champions League era fundamental, e o time cumpriu o objetivo. O próprio Xabi Alonso reconheceu isso após o jogo: “Ainda há muito a ajustar, mas hoje a prioridade era vencer”.
Os três gols sofridos pelo Real Madrid acabaram por minimizar um primeiro tempo que começou turbulento, mas terminou com domínio absoluto dos espanhóis. E no miolo do campo houve uma mudança que alterou o panorama: Aurélien Tchouameni reassumiu sua vaga após dois jogos fora por lesão — ausências que pesaram muito. Ele ficou de fora dos confrontos contra Rayo Vallecano e Elche, ambos sem vitória. Isso porque, ao contrário do que muitos imaginam, no sistema de Xabi Alonso o papel do francês ultrapassa a mera proteção defensiva; sua participação ofensiva também é decisiva.
Diante do Olympiacos, Tchouameni recuperou cinco bolas e fez quatro interceptações. Não foi o líder do Real Madrid nesse quesito — Mendy registrou oito recuperações —, mas o francês terminou como o jogador merengue com mais toques na bola (97) e mais passes realizados (73, dos quais 65 certos). E ainda protagonizou momentos de impacto no ataque. Assim como faz com frequência pela seleção francesa, o camisa 14 apareceu de surpresa na área e finalizou com perigo; a bola explodiu no travessão.
O Real Madrid abriu 4 a 1 antes do intervalo, o que poderia ter evitado o sufoco posterior, quando o Olympiacos foi para o tudo ou nada na busca da virada. Com o jogo caminhando para um ritmo mais intenso, Xabi Alonso reposicionou Tchouameni na defesa ao substituir Asensio, e os gregos imediatamente cresceram no jogo — um indicativo claro de como o francês é indispensável. Hoje, existem alternativas momentâneas, mas nenhuma solução definitiva para substituí-lo. Camavinga sente mais dificuldades em uma função que exige rigor posicional; Valverde rende melhor com a bola; Dani Ceballos teve um desempenho instável em Atenas, com sete perdas de posse; e Arda Guler e Bellingham são mais úteis próximos da área adversária.
Na Grécia, Xabi Alonso testou uma variação tática com bloco mais baixo para oferecer a Mbappé e Vinicius mais espaço para acelerar. No ataque, funcionou muito bem. Na defesa do Real Madrid, nem tanto. É justamente nesse ponto que o ex-treinador do Bayer Leverkusen precisa concentrar seus ajustes — embora ele já saiba que tem novamente seu homem-chave no meio. Para Alonso, o time começa por Tchouameni, e o restante se organiza ao redor dele. O próximo compromisso será contra o Elche, neste domingo (30), às 17h (horário de Brasília), pela 14ª rodada de La Liga, no Estadi Montilivi.

Tchouameni devolve o equilíbrio ao meio-campo do Real Madrid sob Xabi Alonso
Com o retorno de Aurélien Tchouameni ao time titular sob o comando de Xabi Alonso, o Real Madrid reencontrou a estabilidade essencial para recuperar o domínio territorial pelo meio-campo — elemento determinante para ditar o ritmo dos jogos. Desde sua chegada, Alonso reposicionou o francês em seu papel natural como volante de contenção, permitindo que ele organizasse o time tanto defensiva quanto ofensivamente.
Assim, Tchouameni deixou para trás a oscilação que sofria ao atuar improvisado em outras funções no Real Madrid e se consolidou como peça estrutural no sistema do treinador. No início da temporada 2025/26, foi titular em praticamente todas as partidas. Somente na La Liga, iniciou os três primeiros triunfos — diante de Osasuna, Oviedo e Mallorca — e ajudou a construir um meio-campo consistente, capaz de proteger a defesa e dar fluidez à transição ofensiva. Essa sequência demonstra claramente a confiança que Alonso deposita nele.
Além da regularidade física, destaque para a versatilidade extraída pelo técnico. Tchouameni pode recuar para a zaga, atuar com foco total na marcação ou avançar para participar da construção. Em outros momentos, adianta sua linha para acelerar a saída de bola. Essa flexibilidade permite que o Real se molde às necessidades de cada partida.
O próprio jogador admite que o novo comando potencializou sua evolução. Embora reconheça que já vinha crescendo desde 2025, afirma que os ajustes táticos, o foco no posicionamento e a liberdade concedida por Alonso elevaram seu desempenho a outro nível. Com ele no meio, o Real Madrid se torna mais estável, equilibrado e capaz de unir defesa e ataque de maneira orgânica. Em resumo: seu retorno, no momento certo, restaurou o eixo central do time.

Por que Tchouameni é fundamental para o Real Madrid — mesmo ao lado de Mbappé, Vini Jr. e Bellingham
Em uma temporada marcada por um dos trios mais midiáticos do futebol europeu — Mbappé, Vinicius Júnior e Bellingham —, quem realmente sustenta a engrenagem competitiva do Real Madrid atua um pouco mais atrás. Vivendo sua melhor fase desde que chegou ao Bernabéu, Aurélien Tchouameni tornou-se o pilar silencioso de uma equipe que precisa muito mais do que talento individual para funcionar.
Sob o comando de Xabi Alonso, o francês se consolidou como o centro gravitacional do meio-campo do Real Madrid. Sua ausência expôs problemas antigos: dificuldade em controlar o ritmo, fragilidade defensiva e vulnerabilidade nas transições. Com ele em campo, o time se reorganiza, responde mais rápido e permite que seus craques joguem com liberdade.
Taticamente, Tchouameni multiplica funções. Recupera bolas em zonas altas, cobre as subidas de Carvajal e Mendy, aproxima-se dos zagueiros para iniciar jogadas e, quando necessário, atua como um terceiro defensor — função na qual sua leitura de jogo o coloca entre os melhores do continente. Essa versatilidade libera Bellingham, dá confiança aos pontas e facilita a vida de Mbappé na definição dos lances.
Seu impacto ofensivo também é notável. Embora não seja o mais vistoso, Tchouameni oferece precisão na saída de bola, conecta setores e acelera o jogo no momento ideal — algo que faltava ao Real desde a era pós-Casemiro. Com ele, o time deixa de depender exclusivamente de ações individuais para avançar e passa a construir de forma mais inteligente.
Os números desta temporada reforçam essa impressão coletiva: com Tchouameni, o Real vence mais, sofre menos finalizações e controla melhor o tempo do jogo. Sua capacidade de “limpar” o meio-campo permite que as estrelas brilhem onde são mais perigosas: perto do gol.
Em um elenco repleto de protagonistas, Tchouameni é quem garante que tudo funcione. Por isso, mesmo com a explosão de Mbappé, a velocidade de Vinicius e a criatividade de Bellingham, o verdadeiro ponto de equilíbrio do time tem nome e sobrenome. Ele não aparece como herói em manchetes, mas é indispensável para que o Real Madrid mantenha consistência para disputar todos os títulos da temporada. Sem ele, a equipe é talentosa. Com ele, é competitiva — e muito mais difícil de ser superada.
(Foto: Getty Images)