Promise David
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Conheça a história de Promise David, o “bebê” Lukaku

O atacante Promise David, que atualmente defende o Union Saint-Gilloise, é a definição viva de perseverança. Ele já tinha 22 anos de idade na época, quando finalmente encontrou o caminho do sucesso, aos 24, depois de anos ouvindo a própria mãe insistir para que desistisse do sonho de virar atleta profissional. Ele jamais cedeu. Por isso, nosso novo episódio da série Hidden Gems FC é dedicado a uma história extraordinária de resistência e determinação. Nesta temporada, os jornalistas belgas adotaram um apelido curioso para falar de David: “Baby Lukaku”.

O nome surgiu inicialmente de seu antigo treinador de atacantes, Kevin Mirallas, ex-Everton e Fiorentina. E não é preciso ser belga para perceber as semelhanças evidentes entre os dois jogadores. O próprio Promise David deixou isso claro em um momento marcante no fim de março. Naquele dia, seu Union Saint-Gilloise encarou o Royal Antwerp no Estádio Joseph Marien, pela Jupiler Pro League. O canadense recebeu um lançamento longo e parecia pronto para deixar toda a defesa do Antwerp para trás, mas Bozhinov tentou impedi-lo de todas as formas, recorrendo a todos os truques possíveis.

O único problema para o defensor era simples: David era forte. Muito forte. Apenas metade da camisa amarela do atacante sobreviveu ao lance. O canadense parecia invencível, quase como um personagem de filme. Mesmo com metade da camisa rasgada, ele se desvencilhou de Bozhinov. Mas o zagueiro o atrasou. Outro defensor do Antwerp surgiu logo em seguida, mas ele o deixou para trás com um drible simples. Depois, empurrou a bola para o fundo das redes, bateu forte no peito e soltou um grito estrondoso. Esse conjunto de imagens resume perfeitamente a trajetória incomum do canadense.

Voltemos um pouco no tempo. O caminho até o Union foi longo — muito longo. Desde criança, Promise David era um garoto inquieto e cheio de energia. Cresceu em Brampton, cidade da província de Ontário, no Canadá, conhecida por revelar talentos como Cyle Larin, Atiba Hutchinson e Tajon Buchanan. Mas não foi no Canadá, e sim em Lagos, na Nigéria, que ele descobriu o amor pelo futebol, enquanto morava com os avós. Seu tio era um apaixonado pelo Chelsea, e isso influenciou o menino. Ao retornar ao Canadá anos depois, Promise procurou um passatempo. Começou pelo piano, mas quando o instrumento quebrou, buscou outra paixão — e encontrou o futebol.

Antes de brilhar no Union Saint-Gilloise, David foi descoberto pelo Toronto, mas acabou dispensado aos quinze anos por “não ser bom o bastante”. Passou três anos atuando por um time semiprofissional em Vaughan e, em 2019, aos dezoito, surgiu sua primeira chance na Europa, no NK Trnje, da terceira divisão croata. Não foi o conto de fadas que ele esperava. Mais uma vez, sua jornada mostrou-se tortuosa e repleta de altos e baixos. Pouco depois, deixou Zagreb. Seu agente o levou de volta ao continente americano, para o FC Tulsa, da segunda divisão dos Estados Unidos — onde novamente não teve êxito.

Tentou recomeçar em Malta, no Valletta, e depois no Sirens. Quando essa segunda passagem maltesa também terminou em frustração — e agora com 21 anos — sua carreira parecia distante de qualquer sonho. Mas Promise não é o tipo que desiste. Isso simplesmente não faz parte de seu vocabulário: “Pedi a eles outra oportunidade”, contou. E ela finalmente chegou. Na Estônia, no Kalju, ele estabeleceu uma promessa pessoal e traçou um plano de cinco anos. O ponto central do plano era claro: trabalhar sem descanso, marcar muitos gols na Estônia e garantir um contrato em um clube maior do futebol escandinavo.

Depois, um sonho ainda mais ousado: marcar pela seleção canadense e disputar uma Copa do Mundo. Porém, mesmo no Kalju, ele enfrentou dificuldades. Visto como um “projeto”, começou no time sub-21 do clube. Mas marcou tantos gols que logo foi promovido ao elenco principal. Pela primeira vez, parecia que o nômade do futebol havia encontrado o caminho. E realmente encontrou. Com o passar do tempo, David conquistou seu espaço definitivo na equipe. Em sua primeira temporada, marcou quatorze gols em dezesseis partidas.

O Kalju já não podia mais ignorar seu talento — e, de fato, não queria liberá-lo por nada. A adaptação à elite europeia não foi imediata: após apenas um jogo contra o Club Brugge, críticos o classificaram como uma “contratação inútil” e um “fracasso”. Mas o canadense, agora com oito partidas pela seleção canadense e experiência nas categorias de base da Nigéria, tem o que precisa para provar o contrário. Ele marcou gols com regularidade na Bélgica e também em competições europeias — contra o Ajax de Francesco Farioli, contra o PSV e, recentemente, garantiu a vitória sobre o Galatasaray com o único gol da partida em Istambul.

Forte, rápido e mentalmente resistente, ele sempre encontra maneiras de criar chances. Não surpreende que clubes da Premier League, como o West Ham, estejam monitorando seu nome. Ainda assim, algumas dúvidas persistem. David por vezes parece desajeitado, imprevisível e longe de ser um finalizador clínico. Sua concentração oscila, e isso o transforma em um enigma para os olheiros. Ele não mantém uma performance linear; avança como quem nada de um lado a outro com facilidade, mas sem suavidade

Mesmo quando joga mal, o atacante canadense pode decidir uma partida com a camisa do Union Saint-Gilloise nesta temporada. Talvez essa seja sua maior qualidade. Seu técnico, David Hubert, fica maluco com ele — mas não tem como ignorá-lo, porque o atacante sempre pode marcar. E aquele plano de cinco anos? Ele concluiu em apenas um ano e meio. Agora, finalmente encontrou seu rumo, de olho em uma convocação para a Copa do Mundo de 2026, que será realizada em seu país natal, entre os meses de junho e julho.

Foto: Getty Images

Promise David: longe das comparações com Lukaku e cada vez mais perto do sonho da Copa do Mundo de 2026

A ascensão meteórica de Promise David no Union Saint-Gilloise transformou o atacante canadense em um dos nomes mais comentados da temporada belga. Forte, decisivo e fisicamente dominante, o jogador de 23 anos ganhou da imprensa o apelido de “Baby Lukaku” — um rótulo que, embora represente respeito, não define quem ele quer ser.

David reconhece que a comparação surgiu naturalmente devido à força física e ao estilo de jogo, mas faz questão de se distanciar dela. Ele repete internamente a mesma mensagem: quer escrever sua própria história. Cada gol pela Jupiler Pro League é uma chance de se afirmar não como “um novo Lukaku”, mas como Promise David — um atacante moldado por uma jornada improvável que passou por Canadá, Croácia, Estados Unidos, Malta e Estônia até finalmente se firmar no futebol europeu.

Sua grande fase no Union SG, onde foi decisivo em partidas importantes, fortalece um objetivo que antes parecia distante: disputar a Copa do Mundo de 2026. O torneio será sediado justamente em seu país natal, ao lado de México e Estados Unidos, e David sabe que vive o momento mais importante para entrar no radar da seleção canadense.

O desafio é grande. A concorrência aumentou, e a seleção conta com nomes experientes. Mas a primeira Copa do Mundo da história em solo canadense oferece uma oportunidade rara. Representar o país em casa é a motivação que impulsiona o atacante todos os dias.

No Union Saint-Gilloise, a comissão técnica elogia sua evolução tática e seu amadurecimento emocional — qualidades que, somadas ao impacto físico característico, tornam cada vez mais plausível uma convocação. Se mantiver o ritmo, David terá argumentos sólidos para mostrar que pode acrescentar profundidade ao ataque canadense.

Hoje, enquanto luta para consolidar seu espaço na elite europeia, Promise David enfrenta dois desafios paralelos: afirmar sua identidade longe da sombra de Lukaku e transformar o sonho do Mundial de 2026 em realidade. Para alguém que venceu obstáculos em todos os lugares por onde passou, essa parece apenas a próxima etapa de uma trajetória inesperada — e cada vez mais impressionante.

(Foto: Getty Images)