O Brasil de Carlo Ancelotti conseguiu elevar a expectativa dos torcedores sul-americanos depois de um período turbulento sob o comando de Fernando Diniz e Dorival Júnior. No entanto, mesmo com o crescimento evidente desde a chegada do técnico italiano, é fundamental manter os pés no chão: os adversários da Seleção na Copa do Mundo de 2026 estão longe de serem simples coadjuvantes.
No sorteio realizado nesta sexta-feira (5), o Brasil caiu no Grupo C, ao lado de Marrocos, Escócia e Haiti. Havia a possibilidade de cruzar com equipes ainda mais fortes, mas em Copa do Mundo não existe jogo fácil. Em partidas únicas, muitas vezes decisivas, é comum que todas as seleções elevem o nível, independentemente do nome ou do histórico.
A seguir, veja uma análise dos possíveis perigos para o Brasil nessa caminhada rumo ao tão sonhado hexacampeonato.
Os desafios do Brasil na Copa do Mundo de 2026
A começar por Marrocos, claramente a pedreira do grupo. Surpresa da Copa do Mundo de 2022, a seleção marroquina chega ao Mundial de 2026 com a base praticamente mantida, pronta para escrever um capítulo ainda mais impressionante em sua história. Como se não bastasse, ocupa a 11ª posição do ranking da FIFA, um domínio expressivo no cenário africano.
Achraf Hakimi, lateral do PSG, segue como o grande nome do elenco. O técnico Walid Regragui, no cargo desde agosto de 2022, continua entregando resultados importantes. Marrocos é um time fisicamente forte, com boa capacidade técnica e transições rápidas, modelo que pode complicar a vida de qualquer adversário. Basta lembrar como o Brasil sofreu contra Tunísia recentemente para entender o alerta.
A equipe ainda reúne nomes conhecidos, como o goleiro Bounou (Al Hilal), o lateral Mazraoui (Manchester United), o meio-campista Amrabat (Betis) e o atacante Ziyech (hoje no Wydad Casablanca). Uma defesa sólida e jogadores preparados para contra-atacar com velocidade tornam Marrocos um adversário perigoso desde a estreia.
Depois de Marrocos, surge a Escócia, um rival que não pode ser subestimado. A seleção escocesa viveu uma virada impressionante na reta final das Eliminatórias, após um início irregular. Somou quatro vitórias cruciais em seis partidas, incluindo uma atuação memorável contra a Dinamarca, com um gol de bicicleta e outro marcado do meio-campo.
Atualmente na 36ª posição do ranking da FIFA, a Escócia tem em Scott McTominay seu principal destaque, além do conhecido lateral-esquerdo Andy Robertson, do Liverpool. Historicamente, Brasil e Escócia se enfrentaram quatro vezes em Copas do Mundo, sempre na fase de grupos. Os brasileiros levaram a melhor em 1998, 1990 e 1982, enquanto em 1974 houve um empate em 0 a 0.
Por fim, o Haiti aparece como o adversário mais acessível do grupo, mas isso não significa que será um jogo simples. A seleção haitiana chega embalada após uma classificação improvável, superando Costa Rica e Honduras, e pode muito bem dificultar a vida de qualquer favorito.
Comandado pelo francês Sébastien Migné, o Haiti volta a um Mundial pela primeira vez desde 1974. O grande nome da campanha é Duckens Nazon, herói de jogos decisivos como o empate por 3 a 3 contra a Costa Rica. Ele está a apenas cinco gols de se tornar o maior artilheiro da história da seleção e chega motivado para conquistar esse recorde em 2026.
Mesmo assim, o Brasil é amplo favorito no Grupo C
Apesar dos méritos dos adversários, é difícil não considerar o Brasil como principal candidato à liderança do grupo. A chegada de Ancelotti elevou tanto o desempenho ofensivo quanto a solidez defensiva da equipe. Mesmo assim, alguns jogos recentes mostraram momentos de desconexão, principalmente quando o técnico italiano utilizou muitos reservas nos amistosos, como contra Japão e Tunísia.
Na Copa do Mundo, o cenário muda. A concentração é total, e a margem para testes é mínima. Por isso, é pouco provável que Ancelotti repita as rotações que fez em amistosos. Com força máxima e foco absoluto, o Brasil tem tudo para confirmar o favoritismo, mas sem ignorar os perigos que o Grupo C oferece.