Difícil cogitar que Xabi Alonso imaginaria estar passando por essa realidade no Real Madrid. Simplesmente está caminhando na prancha do navio pirata na torcida por um milagre. Depois de ter chegado nesta temporada como o nome ideal para substituir Carlo Ancelotti, e trilhar um novo caminho na história do time merengue, os tropeços e problemas, tanto defensivos quanto ofensivos não param de aparecer. Sem contar que, o Santiago Bernabéu já começou a demonstrar seu descontetamento com a realidade, ainda mais em seguida do fim de semana.
A derrota por 2 a 0 para o Celta Vigo não foi apenas mais um tropeço: foi o estopim que fez o clube abrir uma reunião de emergência e deixou Xabi Alonso com a corda no pescoço. Nesta próxima quarta-feira, contra o Manchester City, não será apenas um jogo de Champions League. Tem tudo para ser a separação do joio e do trigo, caso o time espanhol seja derrotado, o adeus ao ex-volante parece ser iminente.
Xabi Alonso e o retorno amargo ao Bernabéu
Depois de semanas longe do estádio devido às obras, o Real Madrid voltou ao Bernabéu… e Xabi Alonso talvez preferisse não ter voltado ainda. Apesar de terem apresentado um domínio interessante sobre o Celta, não foram capazes de furar o bloqueio defensivo dos visitantes. Aí que entra aquela velha história… quem não faz, leva.
A equipe merengue chegou a mostrar lampejos, mas nada convincente. O que mais chamou atenção foi a total falta de conexão entre o que Alonso planejou durante a semana e o que seus jogadores colocaram em prática. Para um treinador obcecado por ideia, execução e disciplina tática, isso é devastador.
Nem mesmo Xabi Alonso escapou da tensão. Reclamou da arbitragem na coletiva, mas deixou claro que o problema estava no próprio time, que não executou nada do que foi treinado. Foi a confirmação do alerta que Carlo Ancelotti tinha dado antes:
“Você prepara uma coisa a semana inteira… e na hora H, ela não acontece.”
Xabi Alonso encontrou o vestiário mais difícil da Europa
Xabi Alonso rapidamente descobriu o que Carlo Ancelotti já tinha alertado: o vestiário do Real Madrid é um dos mais complexos da Europa. Não por falta de talento, mas por excesso de interesses individuais. Mbappé pensa em recordes, Vinicius tenta preservar o protagonismo, Valverde insiste em jogar no meio e ainda amadurece como líder, enquanto Bellingham, usado mais recuado, vive um período de adaptação que o deixa desconfortável. Até Arda Güler, que Xabi Alonso tenta transformar em organizador, tem alma muito mais ofensiva do que de “camisa 10”.
Para completar, o treinador queria um jogador como Zubimendi para dar ritmo ao meio-campo, mas teve de trabalhar com um elenco formado por atletas explosivos e voltados a transições rápidas, que não combinam totalmente com o jogo posicional que ele busca. A falta de sintonia aparece no ataque: se Mbappé não marca, ninguém consegue, Vini já soma 11 jogos de jejum e Rodrygo amarga 33. Lesões também atrapalham, obrigando Xabi Alonso a mudar a escalação sem parar: foram 20 times diferentes em 21 partidas, agora ainda sem Militão por meses.
É um vestiário difícil, cheio de estrelas e gênios fortes, e Xabi Alonso está tentando manter todos na mesma página. Só que, no Real Madrid, quando a orquestra não toca junta, o maestro sempre é o primeiro alvo.
O ponto de ruptura de Xabi Alonso
Se existe um instante simbólico da crise, foi o El Clásico, quando Vinicius Jr reagiu abertamente à sua substituição, desafiando a autoridade do técnico. O clube não o protegeu e as desculpas posteriores do jogador sequer citaram Xabi Alonso. No Real Madrid, isso acaba criando rachaduras profundas, caminhos para serem explorados em novos problemas.
A partir daí, quando toda a imprensa passou a perguntar sobre o futuro de Xabi Alonso, a mensagem ficou clara: a diretoria sinalizava internamente que avaliava a situação, muito dos rumores que saiam, apresentavam os cabeças do Real Madrid ao lado do espanhol, mas parece que não é mais bem assim. Alonso tentou agradar o elenco, ajustou decisões e afrouxou regras, esperando que o grupo se adaptasse. Mas quando o treinador começa a agradar mais do que liderar, é sinal de que já perdeu força.
De favorito absoluto a quase demitido em semanas
Há pouco tempo, Xabi Alonso parecia intocável. Vinha de vitória sobre o Barcelona, acumulava 13 vitórias em 14 jogos e era celebrado por modernizar o time. Dirigentes falavam maravilhas de seu trabalho, versátil, dinâmico e ambicioso, eram uma pequena parte de tudo o que de ótimo ele ouvia.
Só que a derrota para o Liverpool evidencia um enorme problema para o time espanhol. Além de terem perdido a liderança da La Liga, por conta de tropeços bobos quando tinham adversários mais fracas pela frente, a situação se via cada vez mais caótica, porque o nível não equilibrava, se encontrou em queda livre.
No Real Madrid, quando a narrativa vira contra o técnico, o declínio costuma ser rápido e Xabi Alonso está sentindo isso na pele.
O futuro de Xabi Alonso: City, Zidane e sombras pelo Bernabéu
Quarta-feira, contra o Manchester City, pode definir o destino de Xabi Alonso. Se ele cair, duas figuras já circulam como possíveis substitutos: Zinedine Zidane, sempre pronto para um “terceiro mandato”, e Álvaro Arbeloa, técnico do Castilla e favorito de uma ala do clube. Além desses nomes, dá para colocar um Jurgen Klopp mais distante, simplesmente pela mágica de contar com o retorno do alemão as atividades.
Xabi Alonso ainda acredita que pode virar o jogo. Mas o relógio corre, a torcida perdeu a paciência e a diretoria está inquieta. No Real Madrid, a linha entre glória e desastre é finíssima, e Xabi Alonso está exatamente em cima dela.
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