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Flamengo x PSG: relembre 5 times brasileiros que superaram o favoritismo europeu

O futebol mundial volta a pausar nesta quarta-feira (17) para um confronto que cruza gerações, estilos e continentes. Flamengo e PSG medem forças às 14h (horário de Brasília), no Estádio Ahmad Bin Ali, em Doha, no Catar, pela final da Copa Intercontinental da FIFA. O duelo simboliza a histórica rivalidade entre clubes da América do Sul e da Europa e carrega um peso especial: será a 20ª decisão entre brasileiros e europeus, dando sequência a uma tradição iniciada ainda na década de 1960, desde a criação do torneio.

Em busca de seu segundo título intercontinental, o Flamengo chega à final embalado por uma temporada marcante. No dia 29 de novembro, o Rubro-Negro entrou para a história ao se tornar o primeiro clube brasileiro tetracampeão da Libertadores, ao derrotar o Palmeiras e garantir a vaga como representante da Conmebol. Diferentemente do PSG, campeão da Champions League e classificado diretamente para a final pelo regulamento do torneio, o time carioca precisou superar dois obstáculos até alcançar a decisão.

No chamado Dérbi das Américas, o Flamengo venceu o Cruz Azul, do México, por 2 a 1, com dois gols de Arrascaeta; Jorge Sánchez descontou para os mexicanos. O resultado levou o clube à semifinal da competição, equivalente à Copa Challenger da FIFA. Nessa fase, o Rubro-Negro confirmou a força ao derrotar o Pyramids, do Egito, por 2 a 0, com gols dos zagueiros Léo Pereira e Danilo. Já o PSG entra em campo buscando seu primeiro título intercontinental, após o vice-campeonato diante do Chelsea na Copa do Mundo de Clubes.

Antes da final, Flamengo e PSG já haviam se enfrentado três vezes, todas em amistosos realizados no Parc des Princes, em Paris. O retrospecto é equilibrado: uma vitória para cada lado e um empate. Em 1975, o Flamengo venceu por 2 a 0, com dois gols de Luisinho Lemos. Em 1979, os franceses levaram a melhor por 3 a 1, com gol de Zico para os brasileiros. Já em 1991, o duelo terminou empatado em 1 a 1, com gol de Zinho, e o Rubro-Negro venceu nos pênaltis por 3 a 1.

A Copa Intercontinental já teve 19 finais entre clubes brasileiros e europeus. Destas, 11 ocorreram antes do reconhecimento oficial da FIFA, que passou a chancelar a competição a partir de 2000. Antes disso, o torneio era organizado por Conmebol e UEFA, e os vencedores daquele período foram posteriormente reconhecidos pela FIFA como campeões mundiais. Entre 2001 e 2004, a competição não foi disputada. Em 2024, o Botafogo acabou eliminado pelo Pachuca, e agora o Flamengo tenta afastar o fantasma de 13 anos sem um título brasileiro no torneio.

Das 19 decisões entre Brasil e Europa, dez títulos ficaram com os clubes europeus, enquanto nove foram conquistados por brasileiros. A última vitória sul-americana aconteceu em 2012, quando o Corinthians venceu o Chelsea por 1 a 0. Antes da criação do novo formato de Mundial, os europeus reduziram a diferença no retrospecto geral: agora são 15 vitórias brasileiras, 14 europeias e cinco empates. Em caso de derrota do Flamengo, os clubes do Velho Continente igualarão os brasileiros no histórico geral das competições FIFA (Copa Intercontinental e Mundial de Clubes).

Foto: Getty Images

Flamengo x PSG: relembre 5 times brasileiros que desafiaram o favoritismo europeu

Às vésperas da final entre Flamengo e PSG, a memória do torcedor brasileiro revisita noites em que o improvável se tornou realidade. Em decisões mundiais, clubes do Brasil já superaram elencos milionários, estrelas consagradas e o peso do favoritismo europeu. A seguir, cinco capítulos emblemáticos em que o futebol brasileiro saiu por cima.

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São Paulo x Barcelona (1992) – A aula de Telê ao Dream Team

Em Tóquio, o São Paulo de Telê Santana enfrentou o poderoso Barcelona de Johan Cruyff, então considerado o melhor time do mundo. Com organização, intensidade e talento, o Tricolor deu uma verdadeira aula tática. Raí, capitão e líder técnico, marcou os dois gols da vitória por 2 a 1, eternizando um confronto que simbolizou o choque entre estilos e consolidou o São Paulo como referência global.

São Paulo x Milan (1993) – Superação contra os gigantes da Itália

No ano seguinte, o desafio foi ainda maior. O Milan de Baresi, Maldini, Costacurta e Boban representava o auge da solidez europeia. Mesmo sem Telê Santana à beira do campo, o São Paulo manteve sua identidade e venceu por 3 a 2, com gols de Palhinha, Toninho Cerezo e Muller. A vitória confirmou que o título de 1992 não havia sido obra do acaso.

São Paulo x Liverpool (2005) – O milagre de Rogério Ceni

Em 2005, o Liverpool chegou como campeão da Champions League e amplo favorito. O São Paulo respondeu com disciplina tática e eficiência. O gol de Mineiro foi sustentado até o apito final graças a uma atuação histórica de Rogério Ceni, eleito o melhor jogador da partida. O triunfo por 1 a 0 simbolizou força coletiva e capacidade de sofrer para vencer.

Internacional x Barcelona (2006) – O gol que parou o mundo

Poucos apostavam no Internacional diante do Barcelona de Ronaldinho Gaúcho, então o melhor jogador do planeta. O time de Abel Braga fez uma partida defensivamente perfeita e foi letal quando teve a oportunidade. Aos 37 minutos do segundo tempo, Adriano Gabiru marcou o gol da vitória por 1 a 0, protagonizando uma das maiores zebras da história dos Mundiais.

Corinthians x Chelsea (2012) – A fé que virou título

Contra o Chelsea, campeão europeu e repleto de estrelas, o Corinthians apostou na força coletiva e no apoio maciço da torcida no Japão. O gol de cabeça de Paolo Guerrero decidiu a final, mas o título também teve a marca de uma atuação inesquecível de Cássio, decisivo em momentos cruciais. Foi o último título mundial de um clube brasileiro até hoje.

O passado como inspiração

Às vésperas de Flamengo x PSG, essas histórias reforçam uma lição: favoritismo não entra em campo. Em diferentes épocas e contextos, clubes brasileiros mostraram que organização, identidade e coragem podem equilibrar — e até superar — diferenças financeiras e técnicas. O desafio se renova, mas a história prova que o improvável já aconteceu.

Foto: Getty Images

Como o Flamengo tenta espantar o fantasma de 13 anos sem um título mundial brasileiro

O Flamengo entra em campo carregando mais do que a responsabilidade de uma final. Carrega a missão de encerrar um jejum que já dura 13 anos sem um clube brasileiro no topo do mundo. Desde o título do Corinthians em 2012, a hegemonia europeia se consolidou, tornando essas decisões cada vez mais previsíveis. Para o Rubro-Negro, porém, o confronto representa a chance de romper esse roteiro.

A estratégia passa, antes de tudo, por resgatar a identidade que levou o clube ao protagonismo continental: intensidade, pressão bem dosada e transições rápidas. A ideia é evitar um jogo de controle absoluto, cenário que normalmente favorece os europeus. Organização tática, leitura precisa dos momentos da partida e aproveitamento máximo das oportunidades são vistos como fundamentais.

O elenco também se apoia na experiência recente em grandes decisões. Muitos atletas já vivenciaram finais continentais, ambientes hostis e pressão extrema. Essa bagagem é tratada como diferencial para evitar erros comuns, como o excesso de respeito ao adversário ou a ansiedade nos minutos iniciais.

A solidez defensiva surge como prioridade absoluta. O Flamengo sabe que não pode conceder espaços a um rival acostumado a decidir partidas em detalhes. Compactação, disciplina sem a bola e recomposição rápida são pilares para manter o jogo equilibrado até os minutos finais, quando o desgaste costuma nivelar forças teoricamente desiguais.

Fora de campo, a pressão é transformada em combustível. O discurso interno não foge do “fantasma” dos 13 anos — ele é assumido como motivação. A comissão técnica reforça que uma eventual conquista teria impacto que vai além do clube, representando um marco simbólico para todo o futebol brasileiro.

Assim, o Flamengo entra em campo consciente de que competir não é suficiente: é preciso acreditar. A história mostra que títulos mundiais exigem convicção, precisão e coragem para desafiar o favoritismo. Espantar o fantasma significa aceitar o tamanho do desafio e jogar sabendo que o impossível já foi superado outras vezes.

(Foto: Serhat Akin/FIFA)