A grande fase de Hugo Ekitiké tem sido um dos raros pontos positivos do Liverpool nesta temporada. Analisamos o quanto o atacante francês tem sido decisivo desde sua chegada ao futebol inglês. A campanha dos Reds, de modo geral, tem ficado aquém das expectativas, e uma das críticas mais recorrentes envolve o rendimento abaixo do esperado das principais contratações feitas no verão de 2025. Ainda que Florian Wirtz e Milos Kerkez tenham apresentado sinais de evolução recentemente, o jogador que mais despertava desconfiança no momento da contratação acabou sendo aquele que melhor respondeu dentro de campo.
Do mesmo modo, Hugo Ekitiké vinha de uma excelente temporada pelo Eintracht Frankfurt antes de acertar com o Liverpool, mas o histórico irregular no PSG fazia com que o francês fosse encarado como uma aposta mais arriscada em comparação a Wirtz e aos atletas já testados na Premier League, como Kerkez e Alexander Isak. No entanto, vestindo a camisa 22, Ekitiké tem se consolidado como um dos principais destaques da equipe, algo que ficou ainda mais evidente ao marcar os dois gols da vitória por 2 a 0 sobre o Brighton & Hove Albion, em Anfield, no último sábado.
Foi a segunda rodada consecutiva da liga em que o francês garantiu uma vantagem de dois gols para o Liverpool com atuações decisivas. Diferentemente do empate caótico em 3 a 3 contra o Leeds United na semana anterior, a equipe comandada por Arne Slot soube administrar o resultado diante do Brighton. Ekitiké já alcançou a marca de dois dígitos em gols pelo clube considerando todas as competições e soma sete gols em seus primeiros dez jogos como titular na Premier League — o mesmo número de Mohamed Salah. Apenas Daniel Sturridge, com oito gols, teve um início mais goleador nesse recorte.
Aos 23 anos, o atacante registra média de 0,72 gols (sem contabilizar pênaltis) a cada 90 minutos na Premier League. Entre os jogadores com pelo menos 500 minutos disputados na edição 2025/26 do campeonato, apenas Erling Haaland, do Manchester City, apresenta números superiores. Esse desempenho ganha ainda mais peso quando se considera que Ekitiké alternou momentos como titular e reserva e precisou se adaptar a um Liverpool que, ao longo da temporada, apresentou um futebol irregular.
Pode soar contraditório falar em baixa expectativa sobre uma contratação que custou inicialmente 70 milhões de libras — valor que pode chegar a 80 milhões com bônus —, mas Ekitiké acabou ficando em segundo plano no mercado após a chegada de Isak por 125 milhões. Esse contexto pode ter ajudado a reduzir a pressão sobre o ex-jogador do Eintracht, permitindo uma adaptação mais natural, apesar do alto investimento envolvido. Ainda em julho, já se destacavam as semelhanças entre o francês e o sueco, especialmente no desempenho apresentado na Bundesliga em comparação ao que Isak havia produzido no Newcastle.
Na prática, porém, os inícios de ambos em Anfield foram bastante distintos. Ekitiké soma dez gols em 23 partidas (16 como titular), enquanto Isak marcou apenas duas vezes em 15 jogos (dez como titular). A comparação, entretanto, não é totalmente equilibrada. O francês chegou respaldado pelo antigo clube, sem longas negociações, e participou de boa parte da pré-temporada, integrando-se ao elenco durante a turnê de julho em Hong Kong, já sob o comando de Arne Slot.
Isak, por outro lado, teve uma preparação praticamente inexistente após sua saída conturbada do Newcastle, sem treinar com os novos companheiros até depois da primeira pausa internacional, em setembro. Embora a expectativa seja de que o sueco se adapte e volte a marcar regularmente, uma pequena lesão sofrida na vitória sobre a Inter o fez perder espaço momentaneamente. Diante do Brighton, Ekitiké foi o único atacante titular e demonstrou por que, neste momento, é a principal referência ofensiva do Liverpool.
E não se trata apenas de um bom momento recente. Desde o início da temporada, Ekitiké mostrou impacto imediato, marcando na estreia pela Supercopa da Inglaterra e repetindo o feito em sua primeira partida na Premier League, contra o Bournemouth. O francês iniciou como titular os cinco primeiros jogos do Liverpool no campeonato, todos com vitória. Mesmo vindo do banco, foi decisivo ao marcar o gol da classificação contra o Southampton na Copa da Liga Inglesa, embora a expulsão naquele jogo o tenha deixado fora da derrota para o Crystal Palace.
Os números reforçam sua importância. O Liverpool venceu sete dos dez jogos da Premier League em que Ekitiké começou como titular (além de um empate e duas derrotas), enquanto venceu apenas um dos seis confrontos em que ele não iniciou jogando. A média de gols da equipe também evidencia essa diferença: dois por partida com o francês entre os titulares, contra apenas um quando ele não está em campo. Seus dez gols na temporada já superam, com folga, os números de qualquer outro companheiro de equipe — e sua contribuição vai além das finalizações.

Ekitiké assume protagonismo ofensivo em um Liverpool de temporada instável
Em uma campanha marcada por oscilações, problemas físicos e falta de regularidade coletiva, Hugo Ekitiké se firmou como o principal goleador do Liverpool em 2025/26. Contratado sob desconfiança, o francês rapidamente se transformou na principal válvula de escape ofensiva de um time que ainda busca solidez sob um novo comando técnico.
O cenário não é favorável. O Liverpool alterna boas atuações com quedas de rendimento, sofre com inconsistência no meio-campo e, em muitos jogos, encontra dificuldades para criar oportunidades claras. Ainda assim, Ekitiké se destaca não apenas pelos gols, mas pela capacidade de decidir partidas em contextos adversos.
Atuando como referência ofensiva, o francês combina mobilidade, inteligência espacial e presença de área. Longe de ser um centroavante estático, recua para participar da construção, cria espaços para os pontas e ataca a linha defensiva com velocidade. Esse repertório o tornou indispensável em um time que frequentemente precisa improvisar soluções no ataque.
Seus gols surgem em momentos determinantes. Ekitiké abriu placares importantes, aliviou a pressão sobre a equipe e assumiu responsabilidades quando jogadores mais experientes não corresponderam. Em um ano de transição, deixou de ser uma aposta para se tornar protagonista, liderando a artilharia com margem confortável.
A eficiência também chama atenção. Mesmo com menor volume ofensivo em relação a temporadas anteriores, o Liverpool conta com um atacante que precisa de poucas chances para marcar. A frieza nas finalizações e o bom aproveitamento dentro da área explicam seus números expressivos mesmo em um contexto desfavorável.
Além das estatísticas, seu impacto é perceptível no coletivo. Com Ekitiké em campo, o Liverpool se mostra mais agressivo, vertical e perigoso no terço final. Sua ausência evidencia a dependência ofensiva criada ao longo da temporada.
Em meio a um ano turbulento, Hugo Ekitiké desponta como um dos poucos elementos de estabilidade. Se o Liverpool ainda alimenta ambições maiores, elas passam, em grande parte, pela manutenção do alto nível do atacante francês — hoje, principal goleador e símbolo de resistência em Anfield.

Ekitiké supera expectativas e se consolida como a principal contratação do Liverpool na temporada
Quando o Liverpool investiu pesado em Florian Wirtz e Alexander Isak, a estratégia parecia clara: trazer nomes consolidados para liderar um novo ciclo. Contudo, ao longo da temporada 2025/26, foi Hugo Ekitiké quem assumiu o protagonismo, afirmando-se, de maneira discreta e consistente, como a contratação mais impactante dos Reds.
Sua chegada não gerou grande repercussão. O francês desembarcou cercado de dúvidas, ainda carregando o peso de passagens irregulares e da dificuldade em se firmar como estrela em clubes anteriores. Enquanto Wirtz era visto como o cérebro criativo e Isak como o goleador pronto, Ekitiké seguiu um caminho menos ruidoso — e mais eficaz.
Dentro de campo, adaptou-se rapidamente ao ritmo da Premier League e às exigências do modelo de jogo do Liverpool. Em um elenco afetado por lesões, mudanças táticas e queda de rendimento coletivo, o francês apresentou algo raro: regularidade. Enquanto outros nomes alternavam bons e maus momentos, Ekitiké entregava desempenho e gols com constância.
Sua consolidação passa, sobretudo, pela inteligência de jogo. Mais do que um finalizador, ele se movimenta entre linhas, cria espaços, pressiona a saída adversária e participa ativamente da construção ofensiva — atributos essenciais em um time que nem sempre controla as partidas. Quando o Liverpool precisava de respostas rápidas, era nele que a bola chegava.
Os números confirmam essa percepção. Ekitiké liderou a artilharia do clube, marcou gols decisivos e foi determinante em jogos equilibrados, justamente aqueles que mais cobram grandes investimentos. Mais do que estatísticas, sua influência refletiu diretamente no desempenho coletivo, tornando o ataque mais funcional.
Wirtz e Isak seguem sendo ativos importantes e apostas de longo prazo, mas a temporada mostrou que impacto vai além do valor investido. Em um ano de ajustes e frustrações, Ekitiké foi quem melhor respondeu às necessidades imediatas do Liverpool.
Assim, o francês encerra a temporada como símbolo de uma contratação que cresceu fora dos holofotes, mas se impôs pelo rendimento. Em um Liverpool ainda em reconstrução, Hugo Ekitiké não foi apenas uma boa aposta — foi, até aqui, a contratação que realmente fez a diferença.
(Foto: AFP/Getty Images)