O Fluminense vivia com aquele medo que todo torcedor conhece bem: perder um pilar do time e não conseguir repor à altura. No caso tricolor, esse medo tinha nome e sobrenome, Thiago Silva. Ídolo, líder, referência técnica e emocional. Pois bem, o receio virou realidade. Após rescindir contrato com o clube carioca, o defensor já foi anunciado oficialmente como novo reforço do Porto, encerrando uma passagem curta, mas simbólica, pelo Flu.
Diante desse cenário nada confortável, a diretoria precisou agir rápido. Substituir Thiago Silva não é simples, nem no futebol brasileiro, nem em lugar nenhum. Ainda assim, o Fluminense decidiu apostar em um nome que chamou bastante atenção no Brasileirão 2025: Jemmes, destaque do Mirassol. O investimento girou em torno de 4 milhões de dólares, valor considerável para os padrões do clube, mas que mostra a intenção clara de não deixar a defesa desguarnecida.
É importante deixar algo bem claro desde já: ninguém vai “apagar” Thiago Silva da memória do torcedor tricolor. Isso não existe. Mas Jemmes chega com argumentos interessantes para, ao menos, preencher parte desse vazio dentro de campo.
Aos 25 anos, o zagueiro viveu a melhor fase da carreira no Mirassol. Sob o comando de Rafael Guanaes, se consolidou como o principal defensor do elenco paulista, sendo presença constante em praticamente todos os jogos da temporada que contou com uma vaga direta para a Libertadores. Além da regularidade, um ponto que pesa muito a favor de Jemmes é a condição física: passou o campeonato inteiro longe de lesões, algo cada vez mais raro no futebol atual e extremamente valorizado por qualquer comissão técnica.
Em um setor defensivo onde o Fluminense não esbanja opções de alto nível, Jemmes chega com status claro: titularidade imediata. Atua preferencialmente pelo lado esquerdo da zaga, mas não faz cara feia para jogar pela direita. Pelo contrário. Demonstra segurança com ambas as pernas, uma ambidestria que pode ser muito bem explorada por Zubeldía, especialmente em jogos que exigem saída de bola mais limpa ou ajustes táticos durante a partida.
Fluminense e Jemmes
O nome de Jemmes não surgiu do nada. Ao fim do Brasileirão, ele passou a frequentar listas de possíveis reforços de clubes maiores. Um deles foi o São Paulo, que chegou a sondar a situação do zagueiro. O problema é que o Mirassol, sabendo o valor que tinha em mãos, pediu 5 milhões de euros para iniciar qualquer conversa. O valor assustou o Tricolor paulista, que naquele momento priorizava negociações por empréstimo com opção de compra, cenário que esfriou completamente o interesse.
Outro clube citado nos bastidores foi o Flamengo. Houve rumores, conversas iniciais, mas nada avançou. O Rubro-Negro parece mais focado na tentativa de contratar Vitão, do Internacional, e acabou não entrando forte na disputa. Nesse contexto, o Fluminense cresceu silenciosamente. Sem muito alarde, negociou diretamente com o Mirassol, pagou menos do que os valores especulados nas grandes mídias e ainda deixou para trás um velho “fantasma” do mercado: Nino.
Não é novidade que o Fluminense costuma entrar em janelas de transferências sempre ligado à contratação de zagueiros. E, quase sempre, o nome de Nino aparece como sonho recorrente. Desta vez, porém, a história foi curta. O Zenit, da Rússia, bateu o pé e deixou claro que não tinha qualquer interesse em negociar o defensor. Porta fechada, assunto encerrado.
Essa negativa acabou facilitando a vida da diretoria tricolor, que mudou o foco e agiu de forma rápida e estratégica para fechar com Jemmes. Uma contratação que pode não causar euforia imediata, mas que faz muito sentido esportivo e financeiro.
Mesmo assim, o Fluminense não se dá por satisfeito. Hoje, o elenco conta basicamente com Ignácio, Freytes e agora Jemmes como principais opções para o miolo da zaga. A leitura interna é clara: ainda falta gente. O movimento esperado é a chegada de um defensor mais experiente, alguém com rodagem maior, para formar dupla com o ex-jogador do Mirassol. A grande dúvida é se a diretoria terá fôlego financeiro e coragem, para investir mais pesado.
E os problemas do Fluminense não param por aí. O ataque também pede atenção urgente. Everaldo, John Kennedy e Germán Cano entregaram muito pouco na temporada, especialmente se comparado ao que se espera de um time que quer competir em alto nível. A busca por um novo atacante titular virou prioridade e deve ser um dos principais temas da próxima janela.
No fim das contas, o Fluminense sabe que perdeu muito com a saída de Thiago Silva. Isso é inegável. Mas também mostrou que não ficou parado olhando o prejuízo aumentar. A aposta em Jemmes é um bom movimento, consciente e alinhado com a realidade do clube. Agora, resta saber se dentro de campo ele vai confirmar o que mostrou no Mirassol e ajudar o Tricolor a seguir competitivo mesmo sem seu camisa 3 histórico.
Foto: Thiago Ribeiro/Agif/Gazeta Press