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Carlos Prates acerta ao mirar lutas contra Morales e Della Maddalena antes de “tittle shot”

Carlos Prates mostrou maturidade ao analisar o atual cenário do peso meio-médio do UFC. Mesmo embalado por vitórias convincentes em suas duas últimas apresentações na organização, o brasileiro admitiu que não deve ser o primeiro desafiante ao cinturão conquistado recentemente por Islam Makhachev. Ciente da complexidade da divisão e da fila de postulantes, o paulista afirmou que prefere enfrentar Michael Morales ou Jack Della Maddalena antes de sonhar com o tão desejado “tittle shot“.

Em entrevista ao canal Combat Kids MMA, Carlos Prates foi direto ao explicar seu raciocínio. “É claro que eu adoraria lutar pelo cinturão, mas eu acho que essa luta será do Kamaru (Usman), então eu estou procurando lutar contra Jack Della Maddalena ou com Michael Morales”, declarou o atleta. A fala revela não apenas respeito à hierarquia da categoria, mas também uma leitura estratégica sobre o momento certo de dar cada passo rumo ao topo.

Leitura correta do cenário e construção sólida do caminho

Carlos Prates acerta ao não se colocar, neste momento, como postulante direto ao cinturão dos meio-médios. Apesar de ter provado que pertence à elite da divisão com atuações de alto nível diante de nomes como Leon Edwards e Geoff Neal, o brasileiro ainda precisa consolidar sua posição com mais um grande triunfo. Em uma das categorias mais competitivas do UFC, pular etapas pode significar um risco desnecessário.

Ao mirar Jack Della Maddalena, Prates se coloca diante de um teste extremamente relevante. O australiano, ex-campeão da categoria, é reconhecido pela precisão no boxe, movimentação afiada e alto volume ofensivo. Uma vitória sobre ele não apenas colocaria o brasileiro em evidência, como também aumentaria consideravelmente seu prestígio dentro da alta cúpula do UFC. Chegar a um “tittle shot” após derrotar um nome desse calibre significaria entrar na disputa com muito mais confiança e respaldo.

Michael Morales surge como outra opção igualmente desafiadora e estratégica. Invicto no MMA profissional, o equatoriano vem de performances impressionantes, especialmente após destruir Sean Brady de forma dominante. Jovem, forte fisicamente e cada vez mais completo, Morales representa um obstáculo duro, mas também uma oportunidade valiosa de afirmação. Superá-lo significaria frear a ascensão de um fenômeno da nova geração e, ao mesmo tempo, fortalecer o currículo de Prates.

Em qualquer um desses cenários, o brasileiro teria pela frente grandes strikers, especialistas em controlar a distância, com defesas de queda eficientes e inteligência tática. Seriam lutas de altíssimo nível técnico, capazes de testar todas as valências de Prates e, definitivamente, colocá-lo de vez na conversa pelo topo da divisão.

O desafio chamado Islam Makhachev

A cautela de Carlos Prates também se justifica quando se analisa o campeão Islam Makhachev. Conhecido pelo grappling sufocante, controle absoluto no solo e pressão constante, o russo apresenta um estilo que costuma impor dificuldades até mesmo aos lutadores mais completos. Sua capacidade de ditar o ritmo da luta e neutralizar as principais armas dos adversários faz dele um dos campeões mais dominantes da atualidade.

Mesmo sendo faixa-preta de Brazilian Jiu-Jitsu, Carlos Prates poderia enfrentar problemas contra a intensidade e o controle posicional de Makhachev. O jogo do campeão não se resume apenas às quedas, mas à transição rápida, ao desgaste físico e à inteligência na gestão dos rounds. Encará-lo sem o máximo de experiência possível em lutas de cinco rounds e contra oponentes do mais alto nível poderia ser um passo precipitado.

Por isso, amadurecer o caminho, ganhar casca e testar seus limites contra Della Maddalena ou Morales parece ser a escolha mais sensata. Em uma das divisões de melhor nível técnico do UFC atual, o público aguarda ansiosamente pela definição das próximas lutas, sabendo que cada confronto pode redefinir completamente o futuro do peso meio-médio.

Foto: Getty Images