A Roma já se movimenta no mercado e está muito perto de anunciar Giacomo Raspadori como reforço para o setor ofensivo. A chegada do atacante é vista internamente como necessária, quase obrigatória, diante das dificuldades do time em transformar posse de bola em gols. Entre os seis primeiros colocados da Serie A, a Roma é quem menos marcou até aqui, um dado que incomoda — e muito — Gian Piero Gasperini.
Os números ajudam a explicar a urgência. Matías Soulé é o artilheiro da equipe na temporada com apenas cinco gols. Depois dele, aparece Dovbyk, fora de combate há mais de um mês, com dois. Dybala, Baldanzi e Ferguson marcaram uma vez cada, enquanto El Shaarawy e Bailey ainda não balançaram as redes. Para um time que quer brigar por Champions League, é muito pouco.
Raspadori chega para elevar o nível técnico, dar mobilidade e oferecer novas soluções entre linhas, mas o próprio Gasperini entende que isso não basta. O treinador quer mais peso ofensivo, mais presença na área e alguém capaz de decidir jogos grandes. E é aí que entra um nome bem conhecido do futebol italiano.
Gasperini insiste em Zirkzee e Roma avalia cenário
Joshua Zirkzee é o grande alvo de Gasperini para completar o novo ataque da Roma. O holandês, atualmente no Manchester United, já conhece bem a Serie A pelas passagens por Parma e Bologna e agrada ao treinador justamente pela capacidade de atuar fora da área, associar jogo e ainda finalizar com qualidade.
Apesar de ter marcado gol na última rodada da Premier League contra o Wolverhampton, Zirkzee vive uma temporada de pouco protagonismo na Inglaterra. Em números frios, são 61 jogos e apenas oito gols com a camisa do United, mas o dado que mais pesa é o uso limitado: apenas três partidas como titular e 364 minutos em campo.
A Roma entende que esse cenário pode facilitar uma negociação. O jogador está insatisfeito, teme perder espaço também na seleção holandesa e vê com bons olhos um retorno à Itália, onde conseguiu se afirmar. O aval do atleta já existe, mas o caminho até o acordo ainda tem obstáculos importantes.

Dois entraves travam o negócio com o United
O primeiro problema é o timing. Com Diallo e Mbeumo envolvidos na Copa Africana de Nações, o Manchester United está curto de opções ofensivas, e o técnico Rúben Amorim reluta em liberar mais um atacante no meio da temporada. Isso pesa diretamente na postura do clube inglês nas conversas.
O segundo entrave é financeiro. A Roma trabalha com a ideia de um empréstimo com opção ou obrigação de compra, enquanto o United quer garantias claras de recuperar parte do investimento feito em 2024, quando pagou 42,5 milhões de euros pelo jogador. Os italianos não querem ultrapassar a casa dos 30 milhões.
A solução pensada pelos giallorossi é atrelar a compra obrigatória à classificação para a próxima Champions League. Atualmente, a Roma ocupa a quarta colocação na Serie A, mas os ingleses pedem condições mais simples e valores maiores. A negociação segue aberta, mas não é simples.
Possíveis saídas para equilibrar elenco e caixa
Se Raspadori está praticamente fechado e Zirkzee pode chegar, a consequência natural é a abertura de espaço no ataque. Gasperini já deixou claro que não está satisfeito com o rendimento de alguns jogadores, e a diretoria trabalha com a possibilidade de saídas ainda nesta janela.
Dovbyk, Ferguson e Bailey são nomes que perderam força internamente. No caso de Bailey e Ferguson, ambos estão emprestados por Aston Villa e Brighton, respectivamente, e há discussões sobre uma possível rescisão antecipada desses acordos. As opções de compra, de 22 e 40 milhões de euros, são vistas como altas demais para o rendimento apresentado.
Tommaso Baldanzi é outro caso em análise. O meia teme ficar sem espaço com a concorrência crescente e pode ser negociado para ganhar minutos. O Hellas Verona já demonstrou interesse, e o nome do jovem Giovane, que atua por lá, agrada tanto à Roma quanto à Inter para a próxima temporada.
Três situações delicadas e decisões difíceis
Entre os casos mais complexos está o de Dovbyk. O atacante ucraniano chegou à Roma em 2024 por quase 40 milhões de euros, vindo do Girona, com status de investimento pesado. Até agora, porém, não correspondeu em campo, seja por desempenho abaixo, seja por problemas físicos.
Além do custo da transferência, o salário também pesa: cerca de 3,5 milhões de euros líquidos por temporada, fora bônus. Para liberá-lo agora, a Roma precisaria de uma proposta robusta, algo mais provável vindo da Premier League do que do próprio futebol italiano.
Nos bastidores, surge até a possibilidade de o Everton aparecer como interessado, clube que também pertence à família Friedkin. A ideia seria uma solução interna, mas ainda distante de algo concreto.
Dybala, contrato curto e um futuro indefinido
O último e talvez mais sensível capítulo envolve Paulo Dybala. Apesar dos elogios frequentes de Gasperini e da importância técnica do argentino, o clima em torno do seu futuro é de incerteza. O contrato termina no próximo verão europeu, e até agora não houve sinais claros de renovação.
O salário de 6,5 milhões de euros por ano pesa, especialmente considerando a idade do jogador, nascido em 1993, e o histórico recente de lesões musculares. Para um clube que busca reorganizar suas finanças, a continuidade não é uma decisão simples.
O Boca Juniors acompanha a situação de perto, e um retorno à Argentina no fim da carreira não é descartado pelo estafe do jogador. Ainda assim, uma questão pessoal pode adiar qualquer movimentação: a esposa de Dybala está grávida, com parto previsto para a primavera europeia, o que torna mais provável uma definição apenas ao fim da temporada.
A Roma, portanto, vive um momento-chave. O ataque pode mudar radicalmente em poucos meses, e as decisões tomadas agora vão definir não só o presente, mas também o rumo esportivo e financeiro do clube a médio prazo.