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Arsenal melhor com Gyökeres? Os números, o contexto e por que Arteta segue firme com o sueco

Se existe um clube que aprendeu da forma mais cruel que futebol não se resume a gols, esse é o Arsenal. Três temporadas seguidas batendo na trave da Premier League fizeram a diretoria, Mikel Arteta e a torcida chegarem à mesma conclusão: ainda faltava alguma coisa para os frutos do projeto começarem a serem recolhidos. No último verão europeu, os Gunners foram ao mercado e trouxeram Viktor Gyökeres por cerca de £64 milhões, encerrando de vez a novela do “camisa 9 que falta”.

Mas a pergunta que ecoa semana após semana no Emirates Stadium segue viva: o Arsenal é realmente melhor com Gyökeres em campo? Se você olhar apenas para os gols, a resposta parece óbvia e negativa. Se você olha para o todo, a conversa muda bastante.

O peso da expectativa no Arsenal

Gyökeres chegou ao Arsenal com um rótulo pesado. Depois de empilhar gols pelo Sporting, fazendo diversos clubes da Inglaterra passarem mal na Champions League, se tornou automaticamente o “homem que resolveria tudo”. Só que o futebol inglês não costuma ser gentil com estreantes, ainda mais quando eles chegam como a peça final de um quebra-cabeça de título.

Até agora, o sueco marcou cinco gols na Premier League, dois de pênalti. Em números frios, isso está longe do esperado para um centroavante de elite, principalmente com seu currículo. Ele também passa boa parte dos jogos “fora do radar”: em nenhuma partida ultrapassou 32 toques na bola, e em 15 jogos sequer chegou a 25. Para muitos torcedores do Arsenal, isso soa como participação mínima demais, talvez até nula.

Só que Arteta nunca prometeu apenas gols. E talvez aí esteja o ponto central dessa história.

Um Arsenal menos brilhante, mas mais sólido

O Arsenal atual pode até não ser tão vistoso em alguns jogos, mas é inegavelmente mais competitivo, se apresenta como um dos melhores times da Europa hoje. E Gyökeres tem um papel direto nisso, há como negar. O sueco pressiona, briga, puxa zagueiros, corre sem bola e cria espaço para quem realmente tem decidido, Saka, Martinelli, Ødegaard e Declan Rice.

Os números defensivos ajudam a explicar por que Arteta confia tanto nele. Com Gyökeres em campo por 1.227 minutos, o Arsenal sofreu apenas seis gols. Quando ele esteve fora, em 573 minutos, os Gunners sofreram oito gols. Ou seja: o time londrino defende melhor com Gyökeres, apesar de ser irônico, é um fator que é comprovado pelos números.

Esse dado não é detalhe. Ele reforça a ideia de que o Arsenal se torna mais compacto, mais intenso e mais difícil de enfrentar quando o sueco lidera a linha de pressão. Não é coincidência que Arteta cobre tanto atitude defensiva desde o ataque.

O sueco é o atacante do Arsenal que mais pressiona adversários, mesmo sem ser o jogador com mais minutos, sem contar de não ter esse perfil, não é um atleta muito móvel. Ele fecha linhas de passe, força chutões e ajuda a equipe a recuperar a bola mais alto no campo. Isso reduz o tempo que o adversário passa atacando e, consequentemente, o número de chances contra o gol de David Raya.

Além disso, 83,8% dos seus toques acontecem sob pressão direta de defensores. Isso mostra duas coisas: ele é bem marcado e, ainda assim, se oferece o tempo todo. Para um Arsenal que aposta muito em jogo posicional e cruzamentos rápidos, isso é ouro.

O Arsenal cria mais perigo com ele

Outro ponto pouco falado é o impacto das movimentações sem bola, o famoso “off-ball” que é simplesmente vital no alto nível. Gyökeres está entre os líderes da Premier League em corridas em profundidade e ataques à área. Em termos de ameaça esperada (xT), ele adiciona cerca de 0,60 xT por 90 minutos apenas com seus movimentos, um dos melhores índices da liga.

Isso ajuda a explicar por que o Arsenal é o time que mais marcou gols após cruzamentos rápidos na temporada. Mesmo quando Gyökeres não finaliza, ele está ali ocupando zagueiros e abrindo corredores, sua força não é em vão, e é claro, com uma jogada ensaiada, todos os olhos vão para o sueco, porque se sobrar pra ele, não tenha dúvidas que a bola vai morrer no fundo das redes.

O gol contra o Bournemouth é um ótimo exemplo. O sueco atraiu cinco defensores, segurou a bola, tocou para Ødegaard e iniciou a jogada que terminou com Declan Rice balançando a rede. Sem estatística de gol ou assistência, mas com impacto total no resultado, as vezes os números podem ser ingratos com atletas que impactam diretamente nas jogadas.

Com Havertz se recuperando de lesão e Gabriel Jesus sempre lidando com problemas físicos, o Arsenal dependeu bastante do sueco. Mesmo sem números ofensivos chamativos, ele garantiu presença, intensidade e regularidade, algo que faltou ao elenco em momentos decisivos nas últimas temporadas.

Arteta sabe disso. E por isso segue bancando o seu precioso jogador, atleta pedido por ele. Porque, no fim das contas, o Arsenal não precisava apenas de mais gols. Precisava de estabilidade, consistência e maturidade competitiva.

Foto: Stuart MacFarlane/Arsenal FC via Getty Images