Carrick United
Futebol Premier League

Carrick desponta como favorito para assumir o Manchester United

Michael Carrick voltou ao centro do palco em Old Trafford e, convenhamos, está muito longe de ser um estranho por ali. Já é tido como realidade, o fato do ex-volante ser o favorito para assumir o cargo de técnico interino do Manchester United, após a demissão de Ruben Amorim no último dia 5 de janeiro. A diretoria quer resolver a situação rápido, de preferência antes da reapresentação do elenco aos treinos na quarta-feira. Porque, né… deixar o United sem rumo nunca é uma boa ideia (embora tenha virado hábito nos últimos anos).

Darren Fletcher até tinha uma certa chance de continuar no cargo, porém, se viu derrotado pelo Brighton em casa, o que rendeu o adeus a FA Cup. Essa questão somou pontos a Carrick, que ainda está na disputa com Solskjaer.

Carrick, o “interino raiz”

Aos 44 anos, Carrick já sabe bem como funciona essa função ingrata de apagar incêndio em Manchester. Em 2021, após a queda de Ole Gunnar Solskjaer, ele assumiu o time por três partidas e saiu invicto: duas vitórias e um empate, incluindo um triunfo importante na Champions League. Um aproveitamento de 66,7%, número que muita gente por lá não vê há tempos, e que aparece destacado naquele famoso gráfico da BBC que voltou a circular nas redes sociais.

Mesmo assim, Carrick deixou o cargo assim que Ralf Rangnick chegou como técnico interino. Agora, o roteiro parece pronto para um “remake”, só que com mais bagagem e, talvez, mais respaldo político dentro do clube. Abrindo espaço para ter a chance de conquistar a diretoria e o público, caso consiga imprimir resultados interessantes com os Diabos Vermelhos, que se apresentam meio perdidos, pra não dizer completamente.

Apoio interno pesa (e muito)

Um dos pontos-chave para Carrick despontar como favorito é o forte apoio interno, o fato de ter sido uma peça importantíssima na história do clube tem sua importância. Ele é bem visto por boa parte do elenco e também pela Ineos, grupo que hoje comanda as decisões do futebol no United. Num clube onde o vestiário já derrubou técnicos mais de uma vez, isso não é detalhe, é praticamente metade do trabalho feito.

Enquanto isso, Darren Fletcher, outro ex-jogador e ídolo do clube, foi quem segurou a bronca nos primeiros dias após a saída de Amorim. O resultado? Um empate com o Burnley na Premier League e uma dolorosa eliminação para o Brighton na terceira fase da FA Cup. Tudo indica que o jogo contra o Brighton foi o segundo, e último de Fletcher como comandante temporário.

O nome de Ole Gunnar Solskjaer não foi esquecido e se mantém na conversa. O norueguês teve reuniões presenciais com a diretoria no sábado para discutir um possível retorno. A ideia até anima parte da torcida, muito pela memória afetiva e por alguns bons momentos do passado recente. Mas, nos bastidores, Carrick parece estar na frente. Talvez por representar algo “novo”, mesmo sendo velho conhecido (o fator de estar invicto ainda também deve ter um peso interessante nesta história).

Carreira curta, mas nada vazia

É verdade que Carrick não tem um currículo longo como treinador. Seu único trabalho permanente foi no Middlesbrough, onde ficou por dois anos e meio. Mas também não dá para chamar de fiasco. Ele levou o Boro aos play-offs da Championship em 2022/23, caindo apenas na semifinal contra o Coventry. Nas duas temporadas seguintes, o time bateu na trave e ficou fora do top 6 por pouco, o suficiente, porém, para custar o seu cargo.

No total, Carrick comandou o Middlesbrough em 136 jogos, com 63 vitórias, 24 empates e 49 derrotas, alcançando um aproveitamento geral de 46,3%. Não é nada extraordinário, mas também não é terra arrasada, especialmente considerando o contexto da Championship, uma das ligas mais imprevisíveis do mundo. Então, dá para tirar o melhor dessa situação, e continuar o testando em outras situações diferentes.

Como jogador, não precisa nem de apresentação: 464 partidas pelo Manchester United, entre 2006 e 2018, múltiplos títulos e aquele estilo elegante que fazia parecer fácil distribuir o jogo no meio-campo. Depois de se aposentar, Carrick emendou direto na comissão técnica, trabalhando com José Mourinho e permanecendo no clube durante toda a era Solskjaer, que durou 168 jogos.

Ou seja, ele conhece o clube, o ambiente, a pressão, a torcida e, talvez o mais importante, os erros recentes. Isso pode ser ouro num momento em que o United parece preso num eterno modo “reconstrução”. Sem contar neste ciclo caótico, de não encontrar um ponta-pé, uma forma de recomeçar.

O que esperar agora?

Se confirmado como técnico interino, Carrick não chega com status de salvador da pátria, algo bem distante disso. A missão é clara: estabilizar o time, recuperar confiança e evitar que a temporada descambe de vez. Se der pra sonhar com algo a mais, ótimo. Se não, que ao menos o United volte a parecer um time funcional.

No fim das contas, a possível volta de Carrick simboliza bem o Manchester United atual: um clube tentando reencontrar identidade no passado para sobreviver no presente. Se vai dar certo? Ninguém sabe. Mas uma coisa é certa: drama em Old Trafford nunca falta, e o próximo capítulo está prestes a começar.

Foto: Getty Images