O Arsenal continua líder da Premier League, ainda se mantém como favorito ao título. Continua dependendo só de si. Mas depois da derrota por 3 a 2 para o Manchester United no Emirates, aquele sentimento de tranquilidade absoluta deu lugar a algo mais incômodo: a dúvida.
Já são três jogos sem vencer. Três partidas sem gols de bola rolando. Uma vantagem que já foi confortável e agora caiu para quatro pontos. Não é crise, longe disso, mas definitivamente é um sinal de alerta piscando forte em Londres, ainda mais depois de retornos importantes, que justficariam o crescimento nesta altura da competição.
Depois de embalar cinco vitórias consecutivas e parecer caminhar em modo automático rumo ao título, o time de Mikel Arteta entrou numa fase mais tensa, questionando seus meios de vitória. E quando um clube carrega 21 anos de jejum na Premier League, qualquer tropeço vira um teste psicológico.
A pressão da arquibancada começa a entrar em campo
O clima de “agora vai” tomou conta do Emirates nesta temporada. Mas, nos últimos jogos, isso começou a mudar. Contra o United, o Arsenal abriu o placar cedo e parecia pronto para controlar a partida. Assim como costuma ocorrer em diversos confrontos no Campeonato Inglês, porém, os Diabos Vermelhos resolveram fazer um salseiro no jogo.
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Em vez de acelerar e matar o jogo, o time recuou, diminuiu a agressividade e permitiu que um adversário quase inofensivo ganhasse confiança. O empate saiu de um erro raro de Martín Zubimendi, que entregou a bola de presente num passe simples. Um lance que teve mais cara de nervosismo do que de falha técnica, merecendo um pouco mais de atenção.
Os números confirmam essa sensação. No início da Premier League, o Arsenal cometia poucos erros que geravam chances ao adversário. Agora, essa taxa praticamente quadruplicou, simplesmente o principal ponto da temporada. Não é coincidência. Quando a pressão aumenta, o jogo fica mais pesado e o time sente.
Cansaço também entra na conta
Apesar de ter reforçado bem o elenco, Arteta ainda confia muito em um grupo específico, suas peças principais do tabuleiro. Alguns jogadores praticamente não descansam. E, em uma temporada longa, com liga, copas e Champions League, isso cobra seu preço, assim como tem ocorrido.
O próprio treinador reconheceu após a derrota para o United que a sequência de jogos tem afetado o nível físico e mental dos atletas. Decisões mais lentas, erros simples e queda de intensidade são sintomas clássicos disso. Entretanto, é muito difícil de abrir mão dos caminhos comuns, ainda mais quando se encontra num clássico, em que seu oponente está vindo de uma vitória absoluta sobre o Manchester City.
É necessário falar sobre a defesa do Arsenal que segue sendo uma das melhores da Europa, mas a aura de invencibilidade já não é a mesma. O time sofreu três gols em um jogo pela primeira vez em mais de um ano, além de já ter concedido dois em partidas recentes.
Não é um colapso defensivo, mas mostra que o equilíbrio que sempre sustento o time no topo precisa ser reajustado. E se atrás a solidez começa a oscilar, na frente o problema é ainda mais evidente.
Arsenal e o ataque: poucos gols, muita dependência de bolas paradas
Aqui está o ponto mais preocupante. Em janeiro, o Arsenal produziu apenas 2,29 de xG em jogadas de bola rolando em quatro partidas de Premier League. Uma média de 0,57 por jogo. Para um time que lidera o campeonato, é um número baixo demais, apresentando uma certa dependência numa forma única de balançar as redes: a bola parada.
Na prática, isso colocou os Gunners no mesmo patamar ofensivo de equipes que brigam na parte de baixo da tabela. E quando o time não cria em jogo aberto, passa a depender demais das bolas paradas, o que ficou claro contra o United.
Mikel Merino salvou com um gol de escanteio, mas depois disso o Arsenal praticamente não voltou a ameaçar. A sensação era de um ataque previsível, travado, sem soluções.
O problema não é um jogador específico. É coletivo.
Bukayo Saka está há 13 jogos sem marcar. Gabriel Martinelli tem apenas uma participação em gol na Premier League. Noni Madueke ainda busca a primeira. Viktor Gyökeres vive fase conturbada na Inglaterra, ainda não deu as caras e só apareceu recentemente em cobranças de pênalti. Odegaard, o cérebro do time, tem apenas um gol na temporada inteira.
O dado que resume tudo é cruel: “gols contra” é o terceiro maior artilheiro do Arsenal na liga. Sim, os adversários estão ajudando mais do que os próprios atacantes.
Claro que futebol é contexto. Se o time cria pouco, os números individuais caem. Mas esse elenco é bom demais para produzir tão pouco por tanto tempo. Talvez esteja na hora de Arteta arriscar mais, soltar o time e aceitar perder um pouco de controle defensivo para ganhar agressividade ofensiva.
Nem tudo é pessimismo
Apesar de todos os alertas, o cenário ainda é favorável, o time londrino se encontra bem confortável ao ser comparado com seus outros adversários do mundo inteiro. O Arsenal segue líder, segue criando boas chances em jogos grandes, como mostrou contra a Inter na Champions League e segue como amplo favorito ao título segundo as projeções estatísticas.
A derrota para o United foi dura, mas também teve muito de azar: chutes improváveis, aproveitamento máximo do adversário e domínio estatístico dos donos da casa.
A temporada ainda está nas mãos do Arsenal. A diferença agora é que a margem de erro diminuiu. O título não está escapando, mas exige uma resposta rápida, porque em breve, pode estar. E ela vai dizer muito sobre a maturidade desse time e sobre se 2025/26 será finalmente o ano do fim da espera.
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