Liam Rosenior chegou ao Chelsea cercado de barulho. Questionamentos, desconfiança, memes, ironias sobre discursos “motivacionais demais” e até piadinhas sobre o jeito entusiasmado à beira do campo, como se fosse algo forçado. Tudo isso veio no pacote. Mas, enquanto muita gente falava, o novo técnico dos Blues resolveu fazer o básico que mais importa em Stamford Bridge: ganhar jogos. E ganhar bem.
Não existe nada melhor do que entregar resultados, provar dentro das quatro linhas.Depois da vitória por 3 a 2 sobre o Napoli, fora de casa, pela Champions League, o início de trabalho de Rosenior começa a ganhar outro peso. Já não é só curiosidade ou aposta ousada da diretoria, se encaminha para algo mais concreto, ainda mais com o fato de parecer que os jogadores estão juntos com ele no projeto.
Vitória sobre o Napoli muda o tom da discussão
O triunfo em Nápoles foi, sem exagero, o ponto mais alto da ainda curta carreira de Rosenior como técnico. Vencer um Napoli treinado por Antonio Conte, ídolo recente dos Blues, num estádio hostil e em jogo decisivo, não é pouca coisa. Simplesmente o atual campeão italiano, que aparece como um dos principais nomes do seu país em questão.
Ainda mais quando o plano inicial deu errado. O sistema com três zagueiros não funcionou no primeiro tempo, o Chelsea sofreu mais do que gostaria e precisou de ajustes rápidos. Rosenior leu o jogo, mexeu bem e mudou o rumo da partida na etapa final, algo que um treinador sem conhecimento, em teoria, não seria capaz de fazer.
Humildade, ambiente leve e elenco comprando a ideia
Após o apito final, nada de discurso inflado. Rosenior foi direto, humilde e dividiu os méritos com os jogadores. Pode parecer papo padrão, mas internamente isso tem peso, o Chelsea precisa de mais combustível para brilhar, seja dentro de campo ou fora. Quando estava bem nas mãos de Enzo Maresca, não foi o suficiente, logo, o atual treinador precisará fazer mais.
Um vídeo de João Pedro rindo com o treinador do Chelsea após a partida viralizou, enquanto Reece James destacou que “a cada treino, o time está melhorando”. Em um elenco jovem e ainda instável emocionalmente, esse tipo de conexão não é detalhe. Quando Rosenior estava no Strasbourg, já era possível ver um enorme tato com talentos, agora, numa equipe mais estruturada ainda, se os resultados aparecerem, será difícil de segurar o time londrino.
Chelsea indica evolução com resultados fora de casa
A vitória diante do Napoli também quebrou um padrão incômodo. O Chelsea vinha sofrendo longe de Stamford Bridge, tanto na Premier League quanto na Champions League. Apesar de contar com nomes de alto nível, parece que um futebol mais caseiro estava sendo imposto no recorte recente. Entretanto, outra identidade pode começar a surgir, depois dessa atuação consistente na Itália, contra um forte adversário.
Ganhar do Crystal Palace fora e, logo depois, vencer os napolitanos como visitante sugere algo importante: o Chelsea está mais aplicado, mais comprometido e disposto a executar o plano, mesmo quando ele precisa ser ajustado no meio do jogo. Sem esquecer também, dá bela capacidade de se moldar, é complicadissímo começar um confronto e o planejamento inicial não ter efeito, aí que o fator de ajustar, chama mais atenção ainda.
Nem tudo é perfeito e isso faz parte do processo
Apesar do bom momento, ainda há arestas, nada é perfeito até então, tudo faz parte de um projeto longevo no Chelsea. As vitórias contra Brentford e Pafos, em casa, deixaram a desejar em termos de fluidez ofensiva. O próprio elenco admite que ainda está se adaptando ao estilo do novo técnico, mas não de uma forma ruim, simplesmente conhecer mais sobre.
E há contexto: Rosenior mal teve semanas cheias para treinar. Desde que chegou, vive no ciclo “prepara jogo, joga, recupera”. O tempo para implantar ideias com profundidade ainda não existiu, mas logo se abrirá, e quando isso ocorrer, as coisas podem ficar difíceis para os seus adversários, seja na Inglaterra, ou na Europa em si.
Menos firula, mais futebol
Fora de campo, Rosenior virou alvo fácil. Houve piadas sobre seu comportamento à beira do gramado, especulações sobre métodos “alternativos” de treino e a repercussão de frases antigas usadas para pintá-lo como um técnico mais preocupado com discurso bonito do que com futebol. Indo bastante no caminho de algo forçado, era mais essa a ideia que tinham do atual profissional do Chelsea.
Mas quem acompanha de perto vê outro cenário. No banco de reservas, Rosenior está sempre em diálogo com a comissão técnica, ouvindo, debatendo e ajustando. A promoção do especialista em bolas paradas Bernardo Cueva a um papel mais central reflete um modelo de trabalho mais coletivo e menos hierárquico, algo cada vez mais comum no futebol moderno.
Semana decisiva pode mudar o clima de vez
Agora, o Chelsea entra numa semana que pode definir o tom do trabalho. Primeiro, recebe o West Ham pela Premier League, buscando se consolidar na briga por vaga na próxima Champions. Há algumas semanas atrás, seria uma tarefa tranquila, mas hoje em dia, os Hammers já aparecem de uma forma completamente diferente, mesmo depois de terem perdido Lucas Paquetá para o Flamengo.
Depois, enfrenta o Arsenal no Emirates, precisando de uma atuação grande para sonhar com a final da Carabao Cup. Como disse Paul Merson, vencer o Napoli fora foi um divisor simbólico. Se os resultados positivos continuarem, a narrativa muda rápido. No futebol, a distância entre desconfiança e empolgação costuma ser de apenas 90 minutos.
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