Jorge Carrascal Flamengo
Futebol

Flamengo x Corinthians: o que a regra diz sobre a expulsão de Carrascal na Supercopa Rei?

A Supercopa Rei 2026, disputada entre Flamengo e Corinthians, ficou marcada não apenas pelo peso esportivo do confronto, mas por uma decisão de arbitragem que reacendeu o debate sobre os limites e a aplicação do VAR no futebol brasileiro. O episódio envolveu a expulsão do meia flamenguista Jorge Carrascal após um lance de agressão em disputa com o jovem corintiano Breno Bidon, no último lance do primeiro tempo.

Na jogada, Carrascal e Bidon disputavam a bola quando o jogador do Flamengo, de costas, acabou desferindo um soco no rosto do adversário. A interpretação central da polêmica está justamente aí: o gesto foi considerado agressão, ainda que sem intenção clara e sem que Carrascal tivesse visão direta do oponente no momento do movimento.

Como o lance ocorreu instantes antes do intervalo, o árbitro optou por encerrar o primeiro tempo sem realizar imediatamente a revisão no VAR. A checagem aconteceu apenas no retorno das equipes do vestiário. Com base nas imagens, a arbitragem decidiu pela expulsão direta de Carrascal. O Flamengo, então, iniciou o segundo tempo com um jogador a menos, antes mesmo de a bola voltar a rolar.

O que diz a regra

A decisão causou estranhamento em parte da torcida e de comentaristas, principalmente pelo momento em que a revisão foi feita. No entanto, o procedimento encontra respaldo nas regras do jogo estabelecidas pela International Football Association Board (IFAB).

De acordo com o trecho do protocolo do VAR, destacado na imagem divulgada após a partida:

“Se o jogo foi interrompido e reiniciado, o árbitro não pode realizar uma ‘revisão’, exceto em caso de erro de identidade ou de uma potencial infração para expulsão relacionada a conduta violenta, cuspir, morder ou ação extremamente ofensiva, insultante e/ou abusiva.”

Ou seja, mesmo após o encerramento formal do primeiro tempo, a arbitragem ainda tinha autoridade para revisar o lance, já que se tratava de uma possível infração passível de cartão vermelho por conduta violenta. A agressão, intencional ou não, se enquadra nesse critério quando há uso de força excessiva contra um adversário.

Decisão legal, mas controversa e que decide um Flamengo e Corinthians bom

Do ponto de vista regulamentar, a atuação da arbitragem foi correta. A regra não exige que a revisão aconteça imediatamente antes do apito do intervalo, apenas que o jogo ainda não tenha sido retomado após a decisão disciplinar final. Como o segundo tempo ainda não havia começado, a expulsão pôde ser aplicada.

A controvérsia, porém, vai além da letra fria da regra. O fato de o Flamengo voltar do vestiário já em desvantagem numérica, sem que o público presente tivesse clareza imediata da decisão, ou que o próprio clube não tenha conseguido ajustar a sua estratégia no intervalo, reforçou a sensação de confusão e falta de transparência no uso do VAR. Para muitos, o impacto psicológico e esportivo de “recomeçar” a partida com um a menos, sem um reinício simbólico equilibrado, pesou tanto quanto a expulsão em si.

Além disso, o debate sobre intencionalidade voltou à tona. Embora a regra não exija dolo para caracterizar conduta violenta, parte da crítica aponta que lances de movimento natural, mesmo com contato no rosto, deveriam ser analisados com mais critério contextual.

Enquanto a tecnologia avança para reduzir erros claros, episódios como esse mostram que o debate já não é apenas sobre acertar ou errar, mas sobre como, quando e de que forma as decisões são aplicadas. E, nesse ponto, o VAR segue sendo protagonista tanto dentro quanto fora de campo.

(Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)