Joan Laporta saiu do cargo de presidente do Barcelona nesta segunda-feira, mas ninguém no clube tratou o momento como um adeus definitivo. Muito pelo contrário. A renúncia faz parte do protocolo eleitoral e tem um objetivo claro: preparar o terreno para as eleições do dia 15 de março. E, pelo tom adotado pelo dirigente, a mensagem é direta aos sócios: ele quer continuar mandando no Barça.
Ao final da Junta, Laporta falou com a imprensa e fez um balanço detalhado de sua gestão à frente do clube espanhol, iniciada em 2021 em um dos períodos mais delicados da história recente do clube. Com discurso confiante e clima de campanha, o advogado catalão deixou claro que acredita ter entregado resultados suficientes para seguir no comando por mais cinco anos.
“Me voy con ganas de volver a veros”, afirmou Laporta, em uma frase curta, mas carregada de simbolismo. Não foi apenas uma despedida, até pra considerar que foi uma promessa. Para ele, a sensação é de dever cumprido e de um projeto ainda inacabado, busca fazer ainda mais pelo Barça, e é difícil ver quem poderia ir contra esse cenário.
Um Barcelona melhor do que aquele de 2021?
Na avaliação de Laporta, o Barcelona que ele deixa hoje é muito superior ao clube que encontrou há cinco anos. E o argumento não é difícil de entender. Em 2021, o Barça vivia um caos financeiro, institucional e esportivo. Dívidas gigantescas, elenco desequilibrado, saída traumática de Messi e uma torcida mais aflita do que empolgada, simplesmente viviam os maiores dos problemas.
Segundo o agora candidato a presidente, esse cenário mudou completamente. “Os culés estão felizes, recuperamos a alegria. Deixo o clube melhor do que há cinco anos”, declarou. A fala resume bem o fio condutor de sua campanha: reconstrução, sacrifícios e retomada da identidade do Barcelona.
Laporta não fugiu do discurso duro. Admitiu que decisões difíceis foram tomadas, mas reforçou que, olhando o panorama geral, o saldo é positivo. Para ele, o clube voltou a competir, voltou a ganhar títulos e, principalmente, voltou a ter rumo, e isso não dá para negar, depois de Messi ter saído, a equipe catalã encontrou dificuldades para sobreviver.
Títulos, protagonismo e a Champions como obsessão do Barcelona
Dentro de campo, Laporta fez questão de dividir os méritos com quem realmente entra em ação. Para ele, os jogadores do Barcelona são os grandes responsáveis pelos títulos conquistados nos últimos anos, sem contar que, muitos deles abriram mão de certas coisas para viver a realidade blaugrana. E, nesse ponto, o dirigente acertou no tom: valorizou o elenco sem cair na autopromoção exagerada.
Mas nem tudo é perfeito. O próprio Laporta reconheceu que há um título que ainda escapa das mãos do clube: a Champions League. O torneio europeu virou uma espécie de fantasma recente do Barcelona, acumulando eliminações dolorosas e frustrações continentais.
“Algum título se nos resiste, mas isso deixamos para os próximos anos, se os sócios nos votarem”, disse, em referência direta à Champions. A frase funciona como confissão e promessa ao mesmo tempo. Falta o troféu mais pesado e ele quer ficar para buscá-lo.
O Camp Nou como símbolo
Se dentro de campo ainda existe uma dívida emocional com a torcida, fora dele Laporta acredita ter construído um legado sólido. As obras do Spotify Camp Nou foram tratadas como um dos grandes orgulhos de sua gestão no Barcelona. Além de estreá-lo, tinha grandes ideias, inclusive sonhava com contratações de alto nível para acontecerem ao mesmo tempo.
“O maior projeto patrimonial da história do clube”, afirmou o dirigente, sem hesitar. A reforma do estádio representa mais do que concreto e arquibancadas novas. É uma aposta no futuro financeiro do Barcelona, em receitas mais robustas, maior modernização e competitividade com outros gigantes europeus.
Laporta aposta que o sócio entenderá esse movimento como essencial. Para ele, não se trata apenas de ganhar títulos hoje, mas de garantir que o Barcelona siga relevante amanhã.
Eleições, campanha e o peso do nome Barcelona
Com a renúncia oficializada, o clube entra em um período de transição administrativa, enquanto Laporta muda de função: de presidente para candidato. Até março, cada entrevista, cada frase e cada balanço de gestão terão um alvo específico, convencer o eleitorado culé.
O discurso já está pronto: o Barça passou pelo pior, sobreviveu, voltou a competir e agora precisa de continuidade. Laporta se coloca como o nome capaz de fechar esse ciclo, corrigir o que ainda falta e recolocar o clube definitivamente no topo da Europa.
Pode até haver críticas, questionamentos e oposição. Faz parte do jogo político. Mas uma coisa é inegável: Joan Laporta saiu do cargo sem perder o protagonismo no Barcelona. Ele deixou a cadeira, mas manteve o microfone, e, até março, seguirá falando como quem ainda manda.
Agora, a decisão final está nas mãos dos sócios. Se o “até logo” de Laporta vai virar reencontro ou apenas uma boa jogada de retórica, o futuro do Barcelona tratará de responder.