Cadillac
Automobilismo Fórmula 1

Marketing da Cadillac reforça ofensiva da F1 no mercado norte-americano

A Cadillac é uma das grandes novidades da Fórmula 1 a partir de 2026. Divisão de luxo da General Motors, a marca norte-americana será a 11ª equipe do grid e já iniciou uma ofensiva de comunicação à altura do nome que carrega. O carro que Sergio Pérez e Valtteri Bottas irão pilotar foi apresentado ao mundo durante o intervalo do Super Bowl.

A ação incluiu uma contagem regressiva exibida nos telões da Times Square, em Nova Iorque, culminando na revelação do CA01 ao público. O comercial, exibido durante a final da NFL, teve custo estimado em 8 milhões de dólares, cifra que evidencia o apetite da montadora em posicionar sua entrada na F1 como um movimento estratégico, e não apenas esportivo.

Mais do que promover um novo carro, a campanha integra um plano alinhado ao objetivo já de longa data da categoria: consolidar-se de vez no mercado norte-americano.

Os Estados Unidos no centro da estratégia comercial da F1

Desde a compra da categoria pela Liberty Media, em 2017, a valorização do “produto Fórmula 1” tornou-se prioridade absoluta. O desgaste deixado pelo antigo dono, Bernie Ecclestone, e suas visões conservadoras de mercado deixou a categoria em uma situação delicada financeiramente.

Para o show business, os Estados Unidos representam a principal fronteira comercial. A Liberty não perdeu tempo e trabalhou arduamente nesse sentido. Atualmente, o país sedia três etapas do calendário, com os GPs de Miami, dos Estados Unidos (em Austin) e de Las Vegas.

O crescimento de audiência no país está diretamente ligado a iniciativas de expansão de marca. A série ‘Drive to Survive’ e a produção cinematográfica F1: The Movie’ ajudaram a ampliar o alcance da categoria junto ao público estadunidense.

Em 2025, a F1 registrou média de 1,32 milhão de televisores sintonizados por etapa nos EUA, com pico de 2,30 milhões no GP de Mônaco, disputado no mesmo dia das Indianapolis 500. Os números representam um recorde para a categoria, em um país que sempre deu maior foco para seus esportes e competições nacionais, como a Nascar.

Nesse cenário, contar com uma fabricante norte-americana de grande porte no grid funciona como catalisador de engajamento. Após o lançamento, a Cadillac segue engajada nas ações promocionais. Imagens do CA01 captadas com o iPhone 17 estampam outdoors em grandes centros urbanos dos EUA, em parceria com a Apple.

A empresa, aliás, assumirá os direitos de transmissão da F1 nos EUA a partir de 2026 por meio do Apple TV+, substituindo o modelo tradicional adotado pela ESPN. O acordo, válido por cinco anos, marca a transição para o streaming proprietário. A expectativa é de possível retração inicial nos números, considerando que o paywall da Apple possui penetração inferior a plataformas consolidadas como Netflix e Disney+.

Cadillac assume riscos e faz aposta de longo prazo

Dan Towriss Cadillac
Foto: Cadillac F1

O investimento alto feito pela equipe não vem sem riscos. Segundo o CEO da equipe, Dan Towriss, a operação não deve gerar lucro nas duas primeiras temporadas. “Levará alguns anos para que a equipe esteja no azul ou atingindo o equilíbrio financeiro”, alertou.

Em 2026, a Cadillac atuará como cliente da Ferrari. O plano, porém, é desenvolver sua própria unidade de potência a partir de 2029, movimento que a colocaria no seleto grupo de fabricantes plenos do grid. Entre times independentes (isto é, que não são montadoras), a Red Bull será a primeira a operar uma unidade concebida internamente, ainda que com suporte da Ford.

Trata-se de uma estratégia de alto investimento e retorno diluído no longo prazo, perfil compatível com o porte da General Motors. Diferentemente da compatriota Haas, que precisou se ancorar no apoio técnico da Toyota e do fornecimento de motor da Ferrari para finalmente sonhar com voos mais altos na F1.

A entrada da marca não é apenas mais uma expansão do grid. É parte de um movimento coordenado que une marketing, mídia e indústria em torno do mesmo objetivo: transformar a Fórmula 1 em um ativo cada vez mais relevante dentro do maior mercado consumidor do mundo.

(Foto principal: Reprodução / Cadillac F1)