Algo que parece crônico e, em alguns momentos, necessário para muitas franquias de diversos esportes americanos, o “tanking” voltou a ser debatido na NBA. E a liga parece pronta para começar uma verdadeira “guerra” para evitar que os times percam de propósito.
Mais uma vez o “tanking” voltou a ser um problema na NBA, já que chegou até às pessoas que gastam muito dinheiro para manter a liga. E Adam Silver, atual comissário da NBA, parece mais pressionado do que nunca para mudar esse “problema” que vem tirando o sono de zero pessoas.
O “tanking” é, majoritariamente, a forma de muitos times garantirem boas posições no Draft. Isso acontece em quase todos os esportes nos Estados Unidos, mas na NBA, por conta da loteria, as equipes, além de perderem muito, precisam de sorte para ficar com as primeiras escolhas. Na temporada passada, o Dallas Mavericks tinha 1% de chance de ter a primeira escolha geral, e foi exatamente o que aconteceu. Para muitos, isso só deixa as equipes ruins ainda mais ruins e por mais tempo, já que elas vão continuar perdendo na temporada seguinte, querendo ou não.
O Washington Wizards é um grande exemplo disso. A equipe bateu na “trave” na disputa pela primeira escolha geral muitas vezes nos últimos anos, enquanto o San Antonio Spurs passou poucas temporadas negativas após montar um elenco competitivo via Draft (Victor Wembanyama, Stephon Castle, Dylan Harper, dentre outros). Já os Wizards precisaram apostar em estrelas em decadência (Trae Young e Anthony Davis) para voltarem a ser relevantes na NBA e para ter algo no teto salarial (poucos jogadores com contratos para o próximo ano). Enquanto várias equipes lutam para se manterem no lado certo da balança fiscal da NBA, Washington precisava gastar dinheiro.
Então, recentemente, o “tanking” passou a ser o assunto mais comentado no basquete.

NBA x ‘Tanking’
O Utah Jazz e o Indiana Pacers passaram do limite, para alguns, ao tirar vários de seus principais jogadores em partidas nas quais estavam vencendo, especialmente o Jazz, para sofrerem uma virada nos minutos finais e continuarem a perder. Jaren Jackson Jr. e Lauri Markkanen nem chegaram a atuar no último quarto em diversas partidas. Por sinal, JJJ está fora do restante da temporada.
Isso enfureceu a NBA, que puniu os dois times com uma multa. Mas a história não vai parar por aí.
Nos últimos dias, segundo o jornalista Shams Charania, a NBA oficializou a “guerra” contra o “tanking”. Silver informou aos 30 gerentes gerais da liga que mudanças nas regras contra o “tanking” seriam implementadas na próxima temporada.
“O que estamos fazendo, o que estamos vendo agora, não está funcionando”, disse Silver sobre o atual cenário de quedas acentuadas no mercado. “Não há dúvida disso.”
Com isso dito, o que a NBA pode fazer para acabar com o “tanking”, se é que isso é possível?
Soluções
Antes de qualquer coisa, você precisa saber que a NBA funcioana segundo algumas regras “informais”. Primeiro, jogadores estrelas são mais importantes e decisivos no basquete do que a maioria dos esportes, devido ao número de jogadores em quadra e pelo fato de atuarem no ataque e na defesa. Ou seja, as equipes da liga vão fazer de tudo para ter esse tipo de jogador, seja por troca ou por draft.
Segundo, a NBA é um sistema “socialista”, com os times menores dependendo dos maiores para adquirir jogadores importantes, especialmente em trocas. Exemplo disso é o Washington Wizards (Trae Young e Anthony Davis) e o próprio Draft, que distribuiu talento do pior time (em tese) até o mais forte.
Terceiro, a NBA, assim como qualquer empresa, pensa no lucro antes de qualquer coisa. Ou seja, para consertar o “tanking”, a solução não pode fazer com que a liga perca dinheiro.
Para Adam Silver, existe sete possíveis mudanças que foram cogitadas pela liga:
1. As escolhas da primeira rodada só podem ser protegidas entre as quatro primeiras ou entre as 14 primeiras ou mais;
2. As probabilidades da loteria congelam no prazo final de negociações ou em uma data posterior;
3. Não será mais permitido que uma equipe escolha os quatro primeiros colocados em anos consecutivos e/ou após duas colocações consecutivas entre os três últimos;
4. As equipes não podem escolher os quatro primeiros colocados no ano seguinte à chegada às finais da conferência;
5. As probabilidades da loteria são atribuídas com base em registros de dois anos;
6. O sorteio foi ampliado para incluir todas as equipes participantes da repescagem;
7. Igualar as probabilidades para todas as equipes da loteria.
Com base nos comentários de Silver, parece que poderemos ter uma ou mais dessas alterações implementadas na liga em um futuro muito próximo.
Cada possível solução terá seus próprios efeitos colaterais. Congelar as probabilidades da loteria em uma determinada data significaria que as derrotas mais tarde na temporada não teriam importância, então as equipes não teriam motivo para se conter. Isso também poderia levar algumas equipes a simplesmente iniciarem sua estratégia de perder de propósito mais cedo na temporada. Estender a loteria para incluir as equipes da repescagem idealmente impediria que as equipes próximas da repescagem decidissem que seria melhor ficar de fora dos playoffs.

Acabar com o Draft é uma opção
O grande problema aqui é o Draft. Se ele não existisse não teríamos esse problema. Para muitos, esse seria o objetivo final de Adam Silver para acabar com o “tanking”. O sistema passaria a ser algo parecido com o recrutamento da NCAA: quem oferece mais dinheiro, leva. A relevância e importância da equipe seriam fatores importantes, até porque você poderia ficar em dúvida de assinar contrato com o Los Angeles Lakers ou o Washington Wizards. Qual é a franquia mais forte?
Isso poderia beneficiar os times bons a continuarem bons, mas isso já está acontecendo na NBA. O Oklahoma City Thunder tem chances altas de ter uma escolha no top-5 no draft de 2026, com base na campanha do Los Angeles Clippers.
Ou seja, a NBA precisa pensar muito bem como atacar esse problema chamado “tanking”. Qualquer coisa pode deixar tudo pior do que já está, e times ruins continuando ruins não será o único problema.
(Foto principal: NBA)