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Fórmula 1: Como funcionará o modo de ultrapassagem, substituto do DRS

Uma das principais novidades da temporada 2026 da Fórmula 1 é o Overtake Mode, ou modo de ultrapassagem, em tradução livre. O recurso substitui o antigo DRS (sistema de redução de arrasto), que permitia a abertura do flap da asa traseira nas retas para favorecer quem vinha atrás em disputas diretas por posição.

Semelhante ao ‘push to pass’ usado em categorias como a Fórmula Indy e a Stock Car Pro Series, o novo sistema desenvolvido pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) abandona as intervenções aerodinâmicas e passa a oferecer potência extra ao motor como ferramenta estratégica.

Dentro de duas semanas, a Fórmula 1 dará o pontapé inicial da temporada 2026 com o Grande Prêmio da Austrália. Com tantas mudanças, vale ficar atento para entender as nuances da nova era técnica da categoria.

Como e onde o modo de ultrapassagem pode ser usado na Fórmula 1?

Mapa Albert Park Fórmula 1
Foto: Fórmula 1

Assim como no caso do DRS, para acionar o dispositivo o piloto deve estar a menos de 1 segundo do adversário à frente na zona de detecção. No circuito de Albert Park, a aferição é feita antes da última curva.

Uma diferença em relação ao sistema anterior é que, ao contrário do DRS, o ganho de potência começa a atuar antes de o carro chegar à reta. Isso amplia a vantagem em termos de aceleração.

Quando ativado, a unidade de potência recebe um boost de 0,5 MJ (megajoules). Quem estiver atrás pode atingir o pico energético de 350 kW até aproximadamente 337 km/h. A partir daí, a entrega elétrica diminui de forma gradual até zerar aos 355 km/h.

Ainda é uma incógnita o impacto real da novidade, já que nenhum teste específico foi realizado na pré-temporada da Fórmula 1. Há preocupação de que pistas com características distintas exijam estratégias diferentes de recuperação de energia, o que pode influenciar o estilo de corrida e a forma de utilização do recurso.

O diretor da FIA, Nikolas Tombazis, admitiu que a entidade ainda não tem certezas sobre os efeitos práticos da mudança e que ajustes poderão ser feitos, se necessário. “Se acharmos que está fraco demais, podemos fortalecê-lo; e, se considerarmos que está poderoso demais, também podemos reduzi-lo”, declarou.

Muitas questões seguem em aberto sobre o comportamento dos carros sob o novo regulamento. Assim, a etapa inaugural em Melbourne será o primeiro grande teste dessa fase, e a federação admite a possibilidade de imprevistos.

Novo ‘modo reta’ reaproveita conceito do DRS

Modo reta Fórmula 1
Foto: Raceteq by Aramco

Apesar da saída do antigo sistema de auxílio às ultrapassagens, a aerodinâmica ativa será ainda mais relevante em 2026. Agora, a asa dianteira também conta com abertura móvel, e não será preciso estar a uma distância específica de outro competidor para utilizá-la.

Além do modo de ultrapassagem, outras duas configurações foram apresentadas: o Corner Mode (modo curva) e o Straight Mode (modo reta) passam a integrar o vocabulário da categoria. Inicialmente, a FIA quis batizá-los de “Z Mode” e “X Mode”, respectivamente, mas voltou atrás e preferiu simplificar a terminologia.

O primeiro é a configuração padrão, com asas fechadas para auxiliar nos trechos de desaceleração. A Fórmula 1 reduziu de forma significativa a carga aerodinâmica desta nova geração, o que deve aumentar a dificuldade nas curvas.

Já o segundo é voltado às seções de alta velocidade, nas quais as asas dianteira e traseira se ajustam para formar uma abertura que permite passagem de ar mais eficiente. Em Albert Park, seis áreas foram destinadas ao seu uso: entre as curvas 14–1, 2–3, 5–6, 8–9 e 10–11. Assim como ocorria com o DRS, os elementos se fecham quando o piloto aciona o freio ou deixa a zona delimitada.

A criação do modo reta dialoga com o plano de sustentabilidade adotado pela Fórmula 1, que inclui a introdução de uma unidade de potência em que combustão e energia elétrica responderão, cada uma, por 50% da força total. A aerodinâmica ativa deixa de ser apenas um recurso de ataque e passa a ocupar papel central na gestão da bateria.

(Foto principal: Reprodução / Fórmula 1)