Newcastle Everton. Foto: Divulgação/Newcastle United.
Futebol Premier League

Entre lampejos e colapsos: Newcastle volta a falhar e expõe limites na Premier League

O Newcastle vive uma realidade contrastante entre o cenário nacional e internacional. A equipe perdeu mais uma partida na Premier League neste sábado (28), porém o que chamou mais atenção foi a fragilidade defensiva. Contra o Everton, os rivais precisaram de apenas 1 minuto de 14 segundos para retomar a vantagem e aplicar o golpe final no St James’ Park.

O substituto Thierno Barry marcou nos minutos finais e selou a vitória por 3 a 2 sobre os Magpies. Para Eddie Howe, o roteiro soou familiar, já que, poucas semanas antes, sua equipe já havia perdido pelo mesmo placar para o Brentford no mesmo estádio.

“Tenho uma sensação parecida” — admitiu Howe após a nova derrota.

Se o elenco havia reagido à crise, vencendo quatro dos cinco jogos seguintes depois do revés anterior, o tropeço deste sábado representa mais do que um simples resultado negativo. É um sinal de que o problema é estrutural. Não por acaso, o Newcastle ocupa apenas a 12ª colocação na Premier League.

“Nosso desempenho na liga não tem sido bom o suficiente há algum tempo. Sabemos disso. Assumimos a responsabilidade.” — reconheceu Howe

Fragilidade recorrente

É claro que os Magpies tem motivos para comemorar no plano internacional, só que a realidade doméstica é outra. Após poupar titulares na vitória sobre o Qarabag, Howe promoveu seis mudanças na equipe. Houve improvisos: Joelinton aberto pela esquerda, Nick Woltemade no meio-campo, Anthony Gordon como referência ofensiva. O resultado foi um time sem encaixe e vulnerável.

O primeiro gol sofrido veio em escanteio. No segundo, Pope espalmou o chute de Dwight McNeil, e Beto aproveitou o rebote. Mas, o terceiro foi o mais sintomático.

Logo após o empate de Jacob Murphy, o Newcastle não sustentou o próprio momento. Gordon perdeu a bola na origem da jogada para Iliman Ndiaye, que iniciou o contra-ataque. Kiernan Dewsbury-Hall cruzou, e Barry apareceu livre no segundo poste.

Faltou concentração, controle emocional e solidez. O técnico do Everton, David Moyes, foi direto: sua equipe não deixou o Newcastle “aproveitar o momento”. Respondeu rápido após cada gol sofrido e manteve a mentalidade até o fim.

Defesa que implodiu

Curiosamente, o Newcastle começou a temporada com cinco jogos sem sofrer gols nas primeiras sete rodadas. À época, o problema estava no ataque, agravado pela ausência de Alexander Isak.

Hoje, o cenário é inverso. O time cria — tanto que Jordan Pickford precisou fazer grande defesa em voleio de Sandro Tonali no fim —, mas parece sempre à beira do colapso defensivo. Desde a vitória por 3 a 0 sobre o PSV Eindhoven na Champions, último jogo sem sofrer gols, já são 23 gols sofridos.

Sobre isso, Howe foi honesto:

“Podemos elevar nosso nível quando precisamos. Mas não acho que isso seja sinal de um grande time.”

A frase resume o momento. Grandes equipes sustentam nível alto independentemente do adversário. O Newcastle oscila entre competitividade e descontrole. Com jogos contra Manchester United, Manchester City e Barcelona nas próximas semanas, o teste será imediato — e um desempenho inconsistente custa caro na Premier League.

Créditos da foto de capa: Divulgação/Newcastle United.