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Chelsea paga preço por ousadia em Paris e estratégia da BlueCo volta a entrar em debate

O Chelsea saiu do Parc des Princes com uma derrota pesada por 5 a 2 para o Paris Saint-Germain no jogo de ida das oitavas de final da UEFA Champions League. Mais do que o resultado, a partida escancarou um debate que já vinha rondando Stamford Bridge: até que ponto o projeto esportivo do clube, baseado em apostar em potencial e juventude, pode custar caro em momentos decisivos?

No centro dessa discussão está o técnico Liam Rosenior, que optou por uma abordagem extremamente agressiva contra a equipe comandada por Luis Enrique e acabou pagando caro por isso.

Chelsea tentou encarar PSG de igual para igual

Durante boa parte da partida, o plano até parecia funcionar. O Chelsea conseguiu competir de igual para igual com o PSG, pressionando alto e tentando recuperar a bola no campo ofensivo. A estratégia criava jogos abertos, com muitas transições e chances para os dois lados.

Em determinado momento, o time londrino chegou a empatar o confronto agregado. Aos 57 minutos, Enzo Fernández marcou após bela jogada pela direita de Pedro Neto, deixando o duelo novamente equilibrado.

Mas o que parecia ser o início de uma reação acabou se transformando em um colapso. Em cerca de 20 minutos, a defesa do Chelsea se desorganizou completamente, permitindo que o PSG abrisse uma vantagem gigantesca no placar.

Quando o árbitro apitou o fim da partida, o 5 a 2 no placar praticamente transformava o jogo de volta em uma missão quase impossível.

Dois jogos parecidos, resultados completamente diferentes

Curiosamente, o roteiro da partida em Paris foi bastante parecido com outro jogo recente do Chelsea.

Na semana anterior, a equipe havia vencido o Aston Villa por 4 a 1 em uma atuação dominante fora de casa. Assim como contra o PSG, o time utilizou pressão individual alta e uma linha defensiva avançada para tentar controlar o jogo.

A diferença foi que, naquele dia, o atacante Ollie Watkins desperdiçou boas oportunidades que poderiam ter mudado completamente a história da partida. Contra o PSG, porém, os atacantes não tiveram a mesma generosidade.

Jogadores como Bradley Barcola, Ousmane Dembélé, Vitinha e Khvicha Kvaratskhelia aproveitaram praticamente cada espaço deixado pela defesa inglesa. O resultado foi uma avalanche ofensiva que deixou o Chelsea em situação extremamente complicada na competição.

O risco de uma estratégia ousada demais

No futebol moderno, pressão alta e jogo ofensivo são praticamente palavras de ordem. Mas em confrontos de mata-mata, especialmente em dois jogos, o equilíbrio costuma ser fundamental.

E foi justamente nesse ponto que Rosenior acabou sendo criticado. Mesmo após sofrer o terceiro gol do PSG, o treinador manteve a equipe pressionando alto e tentando recuperar a bola no campo ofensivo. A lógica era clara: continuar tentando marcar gols.

O problema é que, com o passar dos minutos e o desgaste físico, os espaços começaram a aparecer cada vez mais. E contra um ataque do nível do PSG, espaço é praticamente um convite para o desastre.

Quando Khvicha Kvaratskhelia marcou um belo gol aos 86 minutos, ampliando a vantagem para dois gols, muitos imaginavam que o Chelsea diminuiria o ritmo para preservar o placar.

Mas isso não aconteceu.

Os Blues seguiram pressionando, se expondo, e acabaram sofrendo mais um gol nos acréscimos, em um contra-ataque que encontrou a defesa completamente aberta.

Rosenior representa filosofia da BlueCo

A situação também ilustra bem a filosofia adotada pelos donos do Chelsea, o grupo BlueCo. Desde que assumiram o controle do clube, os proprietários apostaram fortemente em jovens jogadores e técnicos com grande potencial, mas ainda em processo de desenvolvimento.

Rosenior, que tem menos de quatro anos de experiência como treinador principal, encaixa perfeitamente nesse perfil. A aposta pode dar frutos no longo prazo. Afinal, técnicos jovens costumam evoluir bastante com o tempo.

Mas em competições como a Champions League, onde cada erro pode custar uma temporada inteira, a falta de experiência às vezes cobra seu preço. Além da estratégia tática agressiva, Rosenior tomou outra decisão arriscada: escalar Filip Jorgensen como titular no gol, deixando Robert Sánchez no banco.

O goleiro dinamarquês tem boa reputação pela capacidade de jogar com os pés, característica valorizada em sistemas que exigem construção desde a defesa. E em alguns momentos isso realmente ajudou o Chelsea a escapar da pressão do PSG.

Mas o problema desse estilo é simples: quando dá errado, o erro geralmente acontece muito perto do próprio gol. Foi exatamente o que aconteceu quando Jorgensen perdeu a bola na saída de jogo, permitindo que Vitinha marcasse o terceiro gol do PSG. A partir dali, o jogo virou completamente.

O que esperar do jogo de volta?

Apesar do placar pesado, o Chelsea ainda terá a chance de tentar uma reação no jogo de volta em Stamford Bridge. Mas a missão é extremamente complicada.

Para reverter a desvantagem, a equipe precisará adotar uma postura ainda mais ofensiva, algo que pode acabar favorecendo exatamente o estilo de jogo do PSG, que adora explorar contra-ataques.

Ou seja: a mesma estratégia que quase funcionou em Paris pode voltar a ser usada. E isso pode transformar o jogo de volta em um espetáculo… ou em mais um pesadelo para os torcedores do Chelsea.

No futebol, ousadia pode ser recompensada. Mas, às vezes, ela também cobra juros bem altos.

Foto: Getty Images Sport