O card de estreia da Most Valuable Promotions (MVP) no MMA, em parceria com a Netflix, acaba de ganhar um ingrediente que tem tudo para roubar a cena. A organização anunciou nesta segunda-feira (16) o duelo entre Nate Diaz e Mike Perry, confronto que se junta à luta principal entre Ronda Rousey e Gina Carano e ao duelo de pesos-pesados entre Francis Ngannou e Philipe Lins.
A escolha de Nate Diaz para o evento reforça a estratégia da promotora de apostar em nomes com enorme apelo midiático e estilo agressivo, criando um card que, para muitos fãs, soa muito mais “BMF” do que a própria disputa recente do cinturão simbólico do UFC.
O anúncio do combate foi confirmado como parte do evento marcado para 16 de maio de 2026, no Intuit Dome, em Los Angeles, com transmissão global pela Netflix, que busca se consolidar como plataforma de grandes eventos de combate.
A luta entre Nate Diaz e Mike Perry será disputada no peso-meio-médio e integra um card que a promotora pretende transformar no maior show de MMA fora do UFC nos últimos anos. Em princípio, está conseguindo atrair os holofotes.
Nate Diaz não precisa do holofote do UFC para chamar a atenção
A presença de Nate Diaz em um evento fora do UFC não é exatamente uma surpresa. Desde que deixou a organização após vencer Tony Ferguson em 2022, o norte-americano tem seguido um caminho independente, participando de lutas de boxe e superlutas com forte apelo comercial, incluindo confrontos contra Jake Paul e Jorge Masvidal.
Essa trajetória mostra que Diaz sempre valorizou liberdade contratual e grandes bolsas, mesmo que isso signifique lutar fora da principal organização do mundo. Ao aceitar enfrentar Mike Perry em um evento promovido por MVP e transmitido pela Netflix, ele mantém essa lógica: escolher lutas que geram repercussão, vendem bem e permitem construir sua própria marca.
Diaz nunca foi apenas um lutador técnico; ele é um personagem. Seu estilo agressivo, resistência absurda e personalidade provocadora fizeram dele um dos atletas mais populares do MMA moderno, mesmo sem ter sido campeão linear do UFC. Por isso, colocá-lo em um evento que aposta em nostalgia, rivalidades e nomes históricos parece uma combinação perfeita.

Mike Perry: o rei da violência chega com moral
Do outro lado estará Mike Perry, atleta que encontrou nova vida na carreira após sair do UFC. Desde que migrou para o Bare Knuckle Fighting Championship, Perry se transformou em um dos principais nomes da organização, acumulando vitórias e conquistando o apelido de “King of Violence”, justamente por seu estilo brutal e pouco ortodoxo.
O sucesso no BKFC fez Perry ganhar status de estrela cult entre fãs que gostam de lutas sangrentas e sem frescura. Ele nunca foi o lutador mais técnico, mas sempre foi um dos mais intensos, exatamente o tipo de atleta que combina com Nate Diaz.
O confronto entre os dois tem apelo imediato porque ambos constroem suas carreiras em cima da mesma identidade: resistência, trocação franca e personalidade explosiva. Não é uma luta baseada em rankings, mas sim em entretenimento puro, algo que a MVP claramente quer priorizar.
Um card com cara de BMF
O duelo entre Diaz e Perry deixa claro que a proposta do evento não é competir com o UFC no modelo tradicional, e sim criar um espetáculo. A luta principal entre Ronda Rousey e Gina Carano já tem esse tom, reunindo duas precursoras do MMA feminino em um confronto histórico, mesmo após anos afastadas do esporte.
A presença de Francis Ngannou contra Philipe Lins reforça o peso esportivo do card, já que envolve um ex-campeão dos pesados e um lutador experiente, mas ainda assim dentro de um contexto de superluta, não necessariamente de disputa por cinturão.
Quando Nate Diaz e Mike Perry entram na equação, o evento ganha algo que muitas vezes falta em cards modernos: caos, rivalidade e imprevisibilidade. É o tipo de luta que pode não valer título nenhum, mas que tem potencial para ser a mais comentada da noite.
Nos últimos anos, o UFC tentou transformar o cinturão BMF em um símbolo de lutas duras e estilos agressivos, mas nem sempre conseguiu transmitir essa sensação ao público. Já o confronto entre Diaz e Perry parece carregar naturalmente esse espírito.
Os dois são conhecidos por não recuar, por provocarem adversários e por transformarem qualquer luta em guerra. Não importa se vale cinturão ou não, a expectativa é de sangue, troca franca e momentos virais.
Por isso, a escolha de Nate Diaz para esse evento faz todo sentido. Ele representa exatamente o que a MVP quer vender: grandes nomes, histórias e combates que o público quer assistir, independentemente de rankings ou títulos.
Com as duas lutas divulgadas anteriormente e agora com o duelo entre Diaz e Perry, o card da Netflix começa a ganhar uma identidade própria, menos burocrática, mais imprevisível e muito próxima do que os fãs imaginam quando falam em um verdadeiro evento “BMF”.
(Imagem de capa: Divulgação Netflix)